A morte de um paciente renal crônico e a internação de outras pessoas após sessões de hemodiálise colocaram uma clínica localizada na Rua 13 de Maio, no bairro São Francisco, em Campo Grande, no centro de uma apuração sanitária que mobiliza autoridades de saúde e provoca preocupação entre pacientes e familiares. A unidade foi fiscalizada pela Vigilância Sanitária Estadual na manhã desta quinta-feira após relatos de mal-estar, infecções graves e suspeita de contaminação bacteriana durante procedimentos realizados nas últimas semanas.
Segundo pacientes atendidos na clínica, ao menos 13 pessoas passaram mal depois das sessões de hemodiálise. Parte dos pacientes precisou de atendimento hospitalar imediato, enquanto outros relataram febre, calafrios, queda de pressão, mal-estar intenso e sintomas compatíveis com infecção. Um dos pacientes não resistiu às complicações e morreu, aumentando ainda mais a tensão entre usuários do serviço e familiares.
A Secretaria Estadual de Saúde confirmou que acompanha o caso e informou que a Vigilância Sanitária está apurando os fatos para verificar se houve falhas nos protocolos de segurança e controle sanitário da unidade. Equipes técnicas estiveram no local para analisar equipamentos, procedimentos internos, funcionamento das máquinas e condições de higiene adotadas durante os atendimentos.
Pacientes que realizam tratamento frequente na clínica afirmam que os problemas começaram a ser percebidos há semanas. Muitos relatam que pessoas passaram mal ainda durante as sessões de hemodiálise e precisaram ser socorridas às pressas. Em alguns casos, pacientes tiveram de ser encaminhados diretamente para hospitais devido à gravidade do quadro clínico.
Relatos apontam que duas pessoas chegaram a ser intubadas na Santa Casa de Campo Grande após complicações surgidas durante o tratamento. Familiares afirmam que os pacientes apresentaram sinais de infecção severa pouco tempo depois do procedimento realizado na clínica.
O marido de uma mulher de 54 anos contou que a esposa precisou ser internada em estado grave após apresentar complicações durante uma sessão realizada no dia 27 de abril. Segundo ele, a paciente desenvolveu uma infecção considerada agressiva e acabou transferida para o Centro de Terapia Intensiva, onde permanece em tratamento com antibióticos. A previsão médica é de que ela permaneça internada por vários dias devido à gravidade do quadro.
A situação gerou medo entre outros pacientes renais crônicos, que dependem da hemodiálise para sobreviver e precisam frequentar a clínica diversas vezes por semana. Muitos relatam insegurança e preocupação diante da possibilidade de novas contaminações.
Durante a fiscalização realizada nesta quinta-feira, pacientes chegaram a abordar os agentes sanitários para relatar problemas enfrentados dentro da unidade. Uma mulher afirmou que os usuários se sentem abandonados e sem respostas concretas sobre o que teria causado os episódios registrados nas últimas semanas.
Outra paciente relatou que diversos doentes passaram mal em um curto intervalo de tempo e disse que a situação provocou clima de tensão entre os frequentadores da clínica. Segundo ela, algumas pessoas precisaram deixar o local direto para hospitais após apresentarem sintomas graves durante ou logo após as sessões.
Entre as principais denúncias apresentadas pelos pacientes está a suspeita de falhas envolvendo o reúso de capilares utilizados na hemodiálise. O capilar é um componente essencial do equipamento responsável pela filtragem do sangue do paciente durante o tratamento. Usuários relataram preocupação com a reutilização do material e afirmam que, após a morte do paciente, os capilares passaram a ser utilizados apenas uma vez.
Pacientes também levantaram suspeitas sobre possíveis problemas de esterilização e higienização dos aparelhos utilizados na clínica. Alguns afirmam que houve casos de rompimento de capilares durante sessões anteriores, situação que gerava transtornos e interrupções no procedimento.
Outro ponto citado nas denúncias envolve a possibilidade de falhas no processo de lavagem e desinfecção dos materiais utilizados na hemodiálise. Pacientes afirmam que a suspeita principal é de contaminação bacteriana ocorrida dentro do ambiente clínico.
Especialistas explicam que pacientes renais crônicos possuem saúde fragilizada e apresentam maior risco diante de qualquer tipo de infecção. Em procedimentos de hemodiálise, o sangue do paciente entra em contato direto com equipamentos e sistemas de filtragem, o que exige protocolos rigorosos de limpeza, esterilização e controle sanitário para evitar contaminações.
Infecções bacterianas em pacientes submetidos à hemodiálise podem provocar complicações graves, como febre alta, infecção generalizada, queda brusca de pressão arterial, comprometimento de órgãos e até morte. Por isso, clínicas especializadas devem seguir normas rígidas de biossegurança e controle de qualidade.
A Vigilância Sanitária deve analisar materiais coletados durante a inspeção e verificar se houve descumprimento de normas técnicas ou sanitárias. A apuração também busca identificar se existe relação direta entre os casos de infecção e os procedimentos realizados na unidade.
Em nota oficial, a clínica informou que acompanha os casos relatados e afirmou que está prestando assistência aos pacientes afetados. A unidade também declarou que realiza revisão de fluxos internos para reforçar a segurança e o atendimento prestado aos usuários.
Ainda conforme o posicionamento da empresa, a clínica reafirmou compromisso com a qualidade dos serviços e disse que segue monitorando a situação enquanto colabora com as autoridades sanitárias responsáveis pela investigação.
O caso provocou forte repercussão entre pacientes renais e familiares em Campo Grande, principalmente porque a hemodiálise é um tratamento contínuo e indispensável para centenas de pessoas que dependem do procedimento para manter funções vitais do organismo. A expectativa agora é pela conclusão da investigação sanitária e pela adoção de medidas que garantam segurança aos pacientes.
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