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Mato Grosso do Sul, 15 de junho de 2024
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Convite a israelenses cria crise diplomática com comunidade árabe na UnB

O distanciamento social não impediu a tradição de debates políticos quentes na Universidade de Brasília (UnB). Reconduzida ao cargo há poucos meses pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a reitora Márcia Abrahão inicia esta segunda gestão sob críticas de parte da comunidade acadêmica  alguns professores e alunos de origem árabe e simpatizantes da causa palestina.

A reitora virou alvo de críticas após receber o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, no campus da UnB no dia 30 de janeiro deste ano, e postar na internet uma foto dos dois trocando presentes. Nenhum acordo foi fechado ainda, mas tanto Márcia Abrahão quanto o representante diplomático falaram em suas redes sociais sobre a possibilidade de empresas israelenses se instalarem no Parque Científico e Tecnológico da universidade, o PCTec/UnB.

Os posicionamentos de defensores da causa palestina começaram na própria postagem de Márcia Abrahão no Instagram. Em carta com duras críticas, membros da comunidade árabe acusaram a reitora e a UnB de, com essa aproximação, “normalizar infrações ao Direito Internacional e aos Direitos Humanos, legitimando apartheid, injustiça ambiental e limpeza étnica”.

O documento traz um longo histórico de casos em que Israel ignorou resoluções de órgãos multilaterais, como a ONU, sobre a Palestina. Assinada por professores eméritos, professores associados e alunos, a carta está, integralmente, publicada ao fim deste texto.

O grupo também iniciou um abaixo-assinado virtual para pressionar a reitora a recuar nos entendimentos com os israelenses. Até a publicação deste texto, pouco mais de 400 pessoas havia assinado a petição.

A reitora ainda não respondeu à carta, mas o imbróglio já chegou à principal instância de debate da instituição de ensino, o Conselho Universitário (Consuni), em reunião virtual no último dia 12 de fevereiro.

Cobrada por um representante dos alunos no colegiado sobre a “contradição” de colaborar com Israel, Márcia Abrahão defendeu o encontro com o embaixador e com representantes de todas as nações com as quais o Brasil tiver relações diplomáticas.

Na opinião do historiador e especialista em relações internacionais Sayid Marcos Tenório, vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina (IBRASPAL), as palavras da reitora não resolveram a questão. “Quando se sabe qual é a postura de Israel nos territórios ocupados, esse tipo de convênio é incompatível com o que a UnB representa”, afirma Tenório, em entrevista.

Assim como os signatários da carta, o pesquisador também se refere à situação imposta por Israel aos palestinos como um apartheid, termo que define o regime de segregação racial na África do Sul entre 1948 e 1994. “A pressão internacional e os boicotes ao governo de segregação na África do Sul foram importantes para acabar com aquele apartheid. E atualmente há um movimento parecido no mundo, que tenta pressionar Israel. Ao cooperar com entidades israelenses, a UnB corre o risco de virar ela mesma alvo desse tipo de boicote”, avalia ainda Sayid Marcos, que é autor do livro Palestina: do mito da terra prometida à terra da resistência (2019).

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