Mato Grosso do Sul, 9 de julho de 2026
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Defesa pede prisão domiciliar para Alcides Bernal após infarto e alerta para risco de morte súbita

Advogados afirmam que ex-prefeito enfrenta quadro cardíaco grave, apontam falta de estrutura médica no presídio e solicitam que a Justiça autorize o cumprimento da prisão em casa com monitoramento eletrônico
Vídeo do momento do crime cometido por Bernal. (Reprodução)
Vídeo do momento do crime cometido por Bernal. (Reprodução)

A defesa do ex-prefeito de Campo Grande apresentou um novo pedido à Justiça para que a prisão preventiva seja convertida em prisão domiciliar humanitária. A solicitação foi fundamentada no agravamento do estado de saúde do político, que sofreu um infarto recentemente, passou por um procedimento cardíaco de alta complexidade e, segundo os advogados, enfrenta um quadro clínico considerado de elevado risco, com possibilidade de novas complicações cardiovasculares.

O pedido foi protocolado após a internação do ex-prefeito em unidade hospitalar, onde recebeu atendimento especializado depois de apresentar problemas cardíacos durante o período em que permanecia preso. A defesa sustenta que a situação representa um fato novo e relevante, capaz de justificar a reavaliação da prisão preventiva diante das condições médicas atuais.

Conforme os documentos anexados ao processo, o ex-prefeito possui histórico de doenças cardiovasculares, além de hipertensão arterial e diabetes. Os advogados destacam que ele já havia sofrido outros infartos ao longo dos últimos anos e também foi submetido anteriormente à implantação de stents para desobstrução das artérias coronárias.

Os exames médicos realizados durante a internação identificaram comprometimento significativo da circulação sanguínea do coração. De acordo com os laudos apresentados, foram constatadas obstruções importantes em diferentes artérias coronárias, quadro que exigiu novo procedimento cirúrgico para a implantação de seis stents.

Segundo o relatório médico juntado ao processo, o paciente permanece em condição considerada de altíssimo risco cardiovascular. Entre as possíveis complicações apontadas pelos especialistas estão novas síndromes coronarianas agudas, arritmias graves, insuficiência cardíaca e risco de morte súbita, exigindo acompanhamento médico permanente, repouso e rigoroso controle clínico durante o período de recuperação.

A defesa também argumenta que a estrutura disponível no Presídio Militar Estadual não oferece condições adequadas para atender um paciente com esse nível de complexidade médica. Conforme documentos apresentados, a unidade não dispõe de Unidade de Terapia Intensiva, Unidade Coronariana, atendimento cardiológico permanente ou equipe médica especializada em regime integral.

Ainda de acordo com as informações encaminhadas ao Judiciário, situações de emergência dependem do acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência ou da transferência para hospitais da Capital, procedimento que pode comprometer a rapidez necessária diante de uma eventual intercorrência cardíaca.

Outro ponto destacado pelos advogados é que o estabelecimento prisional não possui estrutura específica para acompanhamento contínuo de pacientes que necessitam de medicação controlada, alimentação especial e monitoramento constante, fatores considerados fundamentais para pessoas que enfrentam doenças cardíacas graves associadas ao diabetes.

No pedido encaminhado ao Judiciário, a defesa afirma que o ex-prefeito necessita permanecer em ambiente que permita recuperação adequada após o procedimento cirúrgico, reduzindo os riscos de agravamento do quadro clínico durante o período pós-operatório.

Os advogados solicitaram que, após receber alta hospitalar, ele seja autorizado a cumprir a prisão em sua residência, permanecendo à disposição da Justiça. Também informaram que aceitam a adoção de medidas cautelares adicionais, incluindo monitoramento eletrônico, restrição de deslocamentos e demais condições que eventualmente sejam determinadas pelo Poder Judiciário.

O ex-prefeito permanece preso preventivamente desde março deste ano, acusado de homicídio durante uma disputa envolvendo um imóvel em Campo Grande. O processo criminal continua em tramitação, enquanto a Justiça analisa o novo pedido apresentado pela defesa, levando em consideração tanto os aspectos jurídicos quanto a documentação médica anexada aos autos.

A decisão sobre a eventual concessão da prisão domiciliar deverá considerar os laudos médicos, as informações prestadas pela administração penitenciária e os requisitos legais previstos para esse tipo de medida, avaliando se as condições de saúde do investigado justificam a substituição da prisão preventiva pelo cumprimento da medida em ambiente domiciliar.

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