A violência registrada na madrugada desta quarta-feira (10) no Jardim Noroeste, em Campo Grande, terminou com a morte de Tiago Robson Reis de Lima, de 38 anos, após uma sequência de acontecimentos que começou com uma discussão aparentemente banal e evoluiu para uma perseguição fatal pelas ruas da região. O caso mobilizou equipes policiais, perícia criminal e investigadores que agora trabalham para localizar os três suspeitos identificados como participantes diretos da ação.
O crime ocorreu na Rua da Conquista e chocou moradores da Comunidade Esperança pela violência empregada e pela dinâmica relatada por testemunhas. Conforme os levantamentos iniciais, Tiago chegou à residência da namorada por volta das 23 horas e a chamou na porta para entrar. Antes disso, um homem que passava pelo local teria pedido um gole do energético que a vítima carregava.
Segundo os relatos reunidos durante a investigação, Tiago permitiu que o homem bebesse o energético. Em seguida, pediu um cigarro ao desconhecido. A negativa teria provocado uma troca de ofensas e uma discussão verbal que rapidamente elevou o clima de tensão.
Na tentativa de evitar maiores problemas, a namorada da vítima conduziu Tiago para dentro da residência. Porém, poucos minutos depois, uma mulher apareceu diante do imóvel afirmando que ele havia discutido com seu marido. A situação voltou a se agravar quando a vítima saiu novamente para conversar com os envolvidos.
De acordo com o depoimento prestado pela companheira de Tiago, a mulher estava acompanhada do marido e de outro homem. O trio teria iniciado uma nova discussão, elevando ainda mais o conflito. Segundo a testemunha, os três passaram a gritar, ameaçar e danificar a estrutura do muro de madeira da residência.
A situação se tornou ainda mais grave quando os suspeitos teriam tentado invadir o imóvel. Conforme o relato da mulher, ao abrir a porta, Tiago se deparou com dois homens armados com facas e uma mulher portando um pedaço de madeira.
Sem possuir qualquer arma de fogo ou instrumento capaz de neutralizar a ameaça, Tiago pegou um pedaço de telha de eternit para tentar se defender. Mesmo assim, acabou sendo atacado pelos suspeitos.
A testemunha relatou que Ricardo Dias Pereira teria avançado inicialmente contra a vítima utilizando uma faca. Durante a tentativa de defesa, Tiago teria atingido o agressor com o pedaço de telha. Logo em seguida, Paulo de Paula Martins também teria participado da agressão.
Segundo a versão apresentada à polícia, os dois homens forçaram o portão até conseguirem acesso ao local. A partir daquele momento, a vítima passou a não ter mais condições de se defender adequadamente.
Ferido durante o confronto, Tiago tentou escapar correndo pelas ruas da comunidade. No entanto, continuou sendo perseguido pelos suspeitos. A fuga terminou cerca de 100 metros distante da residência da namorada, onde ele caiu gravemente ferido.
A companheira contou que foi avisada pelo irmão de que Tiago estava caído na rua. Ao chegar ao local, ainda tentou chamá-lo pelo nome. Segundo ela, a vítima respirou profundamente uma última vez antes de não apresentar mais sinais vitais.
O óbito foi constatado oficialmente às 1h10.
Durante a confusão, as filhas da mulher, de 7 e 14 anos, estavam dentro da residência. A criança mais nova chegou a acordar com os gritos e o barulho da confusão, mas foi orientada a permanecer em segurança dentro da casa.
Após o assassinato, um fato chamou a atenção das testemunhas. Segundo a namorada da vítima, um dos suspeitos teria retornado ao local procurando uma carteira, ainda segurando uma faca nas mãos.
Os policiais encontraram posteriormente uma carteira contendo cartão bancário, comprovante de agendamento da Nuspen e uma intimação relacionada a processo judicial. Todos os documentos estavam em nome de Paulo de Paula Martins, um dos suspeitos apontados na investigação.
A Polícia Civil também teve acesso a imagens captadas por câmeras de monitoramento instaladas nas proximidades do local do crime. Embora os arquivos não tenham sido extraídos diretamente do sistema, os registros foram preservados por meio da gravação da tela de um aparelho celular.
As imagens mostram três pessoas se aproximando da vítima enquanto ela tenta fugir. Também foi identificado um Volkswagen Gol verde deixando a região em alta velocidade logo após o homicídio.
Outro vídeo obtido durante a investigação registra Tiago correndo pela rua, atravessando a via e caindo ao solo por volta das 00h35. Em seguida, um dos suspeitos aparece se aproximando do corpo antes de retornar pelo mesmo caminho. Pouco depois, outro homem surge nas imagens, aproxima-se da vítima e foge correndo.
As investigações apontam que Aldria Aparecida de Paula Santos e Paulo de Paula Martins são irmãos. Ricardo Dias Pereira foi identificado como marido de Aldria. Informações reunidas pela polícia indicam que os três deixaram o local utilizando o Gol verde logo após o assassinato.
A companheira da vítima afirmou conhecer os envolvidos apenas de vista. Segundo ela, o grupo era recém-chegado à Comunidade Esperança e não mantinha qualquer convivência com o casal.
Durante os trabalhos periciais, foram recolhidos diversos materiais para análise. Entre eles, quatro amostras contendo vestígios de sangue retiradas do pedaço de telha utilizado pela vítima na tentativa de defesa, além de um pedaço de madeira que pode ter sido utilizado durante as agressões.
O corpo foi removido por equipe funerária após a conclusão dos procedimentos realizados pela perícia criminal.
A mulher informou ainda que o relacionamento com Tiago havia começado há menos de um mês, em 30 de maio. Segundo ela, a vítima havia trabalhado normalmente no dia anterior, recebido pagamento pelo serviço realizado e seguido para a residência dela com a intenção de dormir no local e trabalhar novamente na manhã seguinte.
A mãe de Tiago, residente no estado de São Paulo, foi comunicada sobre a tragédia ainda durante a madrugada por meio de mensagem de áudio enviada pela companheira.
Até o encerramento do registro policial, nenhum dos suspeitos havia sido localizado pelas autoridades.
O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Cepol como homicídio qualificado por motivo torpe. A Polícia Civil prossegue com as diligências para localizar os envolvidos, esclarecer completamente a dinâmica dos fatos e reunir todos os elementos necessários para a responsabilização criminal dos autores.
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