Mato Grosso do Sul, 21 de junho de 2026
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Dólar encerra semana em alta e reflete tensão global após novas tarifas de Trump contra Brasil e Canadá

Moeda norte-americana sobe para R$ 5,54 e acumula valorização de 2,28% na semana; investidores reagem à ameaça de guerra comercial e incertezas sobre a resposta do governo brasileiro

O dólar encerrou a semana com valorização expressiva frente ao real, em meio a um cenário marcado por turbulências nos mercados internacionais e crescente aversão ao risco. A divisa norte-americana fechou esta sexta-feira, 11 de julho, cotada a R$ 5,5481, registrando leve alta de 0,12% no dia, mas com um acumulado semanal de 2,28%. O comportamento da moeda reflete diretamente o impacto das medidas protecionistas anunciadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltaram a acirrar as tensões comerciais globais.

Ao longo da semana, o dólar à vista oscilou próximo da marca simbólica de R$ 5,60, pressionado por declarações e decisões que reacendem os temores de uma nova guerra tarifária. Na quarta-feira, Trump surpreendeu os mercados ao anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, vinculando a medida a questões políticas internas do Brasil, como o tratamento dado pelo Supremo Tribunal Federal ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A escalada não parou por aí. Na quinta-feira, o ex-presidente norte-americano voltou a atacar, desta vez mirando o Canadá. Em carta dirigida ao primeiro-ministro canadense, Mark Carney, Trump informou que imporá uma tarifa de 35% sobre produtos canadenses a partir de 1º de agosto. A justificativa apresentada por Trump envolve o suposto aumento no fluxo de fentanil que, segundo ele, entra nos Estados Unidos via território canadense.

Além das tarifas direcionadas, Trump sinalizou a possibilidade de elevar a taxa básica sobre produtos de países que ainda não foram tarifados de forma específica. Atualmente fixada em 10%, a tarifa pode ser elevada para 15% ou até 20%, conforme indicou o ex-presidente. Essas declarações ampliaram a percepção de risco nos mercados internacionais e incentivaram a fuga de capitais de países emergentes como o Brasil.

Na B3, o dólar futuro para liquidação em agosto o mais negociado no momento foi cotado a R$ 5,735, em alta de 0,13% às 17h04. No mercado paralelo, o dólar turismo apresentou variações ainda mais acentuadas, sendo vendido a até R$ 5,788 em casas de câmbio.

A reação do mercado tem como pano de fundo a leitura de que as declarações de Trump podem representar o prelúdio de uma ofensiva tarifária mais ampla, com impactos diretos sobre cadeias produtivas e acordos comerciais em andamento. “A elevação das tensões, decorrente das ameaças de tarifas de Trump, resultou em um aumento da volatilidade nos mercados, abrangendo câmbio e mercados de capitais”, afirmou Marcio Riauba, diretor da mesa de câmbio da StoneX Banco.

Em paralelo à instabilidade externa, o mercado brasileiro também absorveu informações do cenário econômico doméstico. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta semana que o volume de serviços cresceu pelo quarto mês consecutivo em maio. No entanto, o resultado ficou aquém das expectativas, reforçando a percepção de que o ritmo da atividade econômica começa a perder fôlego.

Apesar disso, o Ministério da Fazenda revisou para cima a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, elevando-a de 2,4% para 2,5%. Para 2026, contudo, a estimativa foi reduzida de 2,5% para 2,4%, sinalizando moderação no otimismo com o desempenho futuro da economia.

Diante do quadro internacional desafiador e dos ruídos internos, os investidores aguardam sinais mais claros da estratégia que o governo brasileiro adotará diante da nova investida tarifária de Trump. Até o momento, não houve uma resposta oficial do Palácio do Planalto. Nos bastidores, cogita-se a possibilidade de medidas retaliatórias ou a busca por mediação junto a organismos internacionais.

Especialistas apontam que, sem uma sinalização firme do governo brasileiro, o mercado pode continuar incorporando prêmios de risco nos ativos locais, como forma de proteção diante da incerteza. A cautela deverá predominar nos próximos dias, com os agentes atentos a possíveis desdobramentos geopolíticos e aos passos do governo brasileiro.

O clima é de tensão, mas também de expectativa. O comportamento do dólar nas próximas semanas dependerá, em grande medida, da evolução das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, e da forma como o governo brasileiro se posicionará diante dos desafios impostos por um cenário externo cada vez mais instável e imprevisível.

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