Mato Grosso do Sul, 21 de junho de 2026
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Dólar fecha em alta com cautela fiscal e tensão entre Estados Unidos e China

Incertezas sobre medidas do governo e negociações comerciais entre Estados Unidos e China influenciam mercado cambial
Declarações de Trump fizeram com que mercados aumentassem apetite ao risco
Declarações de Trump fizeram com que mercados aumentassem apetite ao risco

O dólar comercial voltou a subir nesta terça-feira após três sessões consecutivas de queda, encerrando o dia cotado a R$ 5,5689. A leve valorização de 0,11% reflete um cenário de cautela dos investidores, tanto no campo doméstico quanto no cenário internacional. As preocupações giram em torno das indefinições fiscais do governo brasileiro e das negociações comerciais entre Estados Unidos e China.

A moeda norte-americana chegou a atingir, na véspera, o menor nível desde outubro do ano passado, impulsionada por um ambiente de menor aversão ao risco. No entanto, a retomada das discussões internas sobre a carga tributária, aliada à instabilidade geopolítica global, fez com que os investidores revisassem suas posições nesta sessão.

No câmbio futuro da B3, o dólar para liquidação em julho o mais negociado do momento subiu 0,16%, sendo negociado a R$ 5,5940 por volta das 17h03.

No mercado de câmbio turismo, o dólar foi vendido a R$ 5,595 e comprado a R$ 5,775, mantendo oscilação contida mas refletindo o clima de apreensão que marcou o dia.

Internamente, o centro das atenções foi o aguardado pacote fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em entrevista após reunião com lideranças políticas, Haddad indicou que o governo apresentará, ainda nesta semana, uma medida provisória para compensar a redução das alíquotas do IOF, anunciada no final de maio. O plano inclui aumento na tributação sobre apostas online, revisão de isenções fiscais e ampliação de cobranças sobre instituições financeiras.

Contudo, a falta de detalhamento concreto, aliada à ausência de propostas estruturantes para contenção de despesas públicas, gerou desconfiança nos agentes do mercado. Em relatório distribuído a clientes, analistas do Goldman Sachs alertaram que “a situação permanece fluida” e que os possíveis impactos das medidas ainda são incertos.

O cenário econômico foi ainda influenciado pelos dados de inflação divulgados pelo IBGE. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,26% em maio, abaixo dos 0,43% verificados em abril e inferior às projeções de mercado. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 5,32%.

Esse resultado será o último indicador de inflação antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a semana que vem. Atualmente, a taxa Selic está em 14,75% ao ano. Segundo o mercado de juros futuros, 76% dos investidores acreditam em manutenção da taxa, enquanto os 24% restantes projetam um aumento de 0,25 ponto percentual.

Enquanto isso, no exterior, os olhares se voltaram para Londres, onde estão sendo retomadas as negociações comerciais entre Estados Unidos e China. As conversas, iniciadas na segunda-feira, tratam de questões sensíveis como exportações de chips, tarifas e acesso a minerais de terras raras. O secretário de Comércio norte-americano, Howard Lutnick, afirmou que as tratativas estão progredindo, mas os mercados permanecem reticentes diante das incertezas quanto ao desfecho dessas negociações.

A tensão comercial entre as duas maiores potências econômicas do mundo reacende temores de desaceleração global, o que aumenta a demanda por ativos considerados seguros, como o dólar.

O conjunto desses fatores a indefinição sobre os rumos fiscais no Brasil e os impasses globais deve continuar influenciando o comportamento do câmbio nos próximos dias, em um ambiente de volatilidade e sensibilidade a qualquer nova sinalização do governo ou de autoridades internacionais.

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