Mato Grosso do Sul, 5 de julho de 2026
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Dólar recua a R$ 5,54 apesar de tensões políticas e fiscais e vai na contramão do cenário internacional

Moeda norte-americana cai mesmo com alta global, retomada do decreto do IOF pelo STF e ameaças comerciais dos Estados Unidos ao Brasil

O dólar encerrou a quinta-feira, 17 de julho, com queda de 0,24%, cotado a R$ 5,5477 no mercado à vista, surpreendendo analistas e investidores ao ir na contramão do movimento global de valorização da moeda norte-americana. O resultado também destoou do contexto doméstico marcado por instabilidade institucional e tensão fiscal, em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restabeleceu a vigência da maior parte do decreto presidencial que aumenta alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em operações de crédito e câmbio.

O movimento foi atribuído a um aumento no apetite global por risco e à melhora no desempenho das bolsas de Nova York, que influenciaram positivamente o mercado doméstico. Embora a divisa americana tenha começado o dia em alta, reagindo às incertezas políticas e fiscais no Brasil, ao longo da tarde os investidores migraram para ativos emergentes e o real acabou se beneficiando.

“O mercado teve uma virada que não está ligada a um evento específico, mas sim a um conjunto de fatores que apontaram para uma retomada do interesse por ativos mais arriscados”, avaliou Bruno Shahini, especialista em investimentos da plataforma Nomad. “A desaceleração da alta do dólar frente a outras moedas e o bom humor em Wall Street ajudaram o real a se recuperar no fechamento.”

Cenário externo adverso e ameaça de tarifas

A desvalorização da moeda norte-americana no Brasil chama ainda mais atenção diante de um cenário externo carregado. No mesmo dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou sua ameaça de impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, com início previsto para 1º de agosto. A escalada retórica entre Washington e Brasília ocorre em meio a divergências comerciais e críticas públicas trocadas entre os dois governos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já gravou um pronunciamento que será veiculado em cadeia nacional de rádio e televisão. A fala será uma resposta direta às declarações do mandatário norte-americano. O governo brasileiro tem buscado articulações diplomáticas e comerciais para tentar evitar a concretização das sanções, que podem atingir setores estratégicos da economia nacional.

IOF volta ao centro do debate após decisão do STF

Outro fator que poderia, em tese, pressionar o dólar para cima foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que restabeleceu a vigência da maior parte do decreto que aumenta a cobrança do IOF. A medida eleva os custos de operações de crédito e de câmbio, o que normalmente reflete em maior demanda por moeda estrangeira.

A liminar suspende apenas o trecho que aumentava o IOF sobre o chamado risco sacado, mantendo em vigor as demais alterações. A decisão foi recebida com preocupação por parte do setor financeiro, que vê risco de desaceleração em algumas linhas de crédito, mas não foi suficiente para reverter a tendência de queda do dólar.

Cenário político e econômico no radar

O mercado também acompanha com atenção os desdobramentos da agenda política e econômica nacional. O vice-presidente Geraldo Alckmin esteve reunido com representantes da indústria e da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), enquanto Lula cumpriu compromissos em Goiânia e Juazeiro, reforçando pautas de inclusão social e desenvolvimento regional.

No âmbito estadual, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participou da entrega de unidades habitacionais em Embu das Artes, como parte de seu programa habitacional voltado à população de baixa renda.

No exterior, Fed mantém atenção aos dados da economia

Nos Estados Unidos, investidores monitoraram os dados de vendas no varejo, que vieram dentro das expectativas, e os pedidos de auxílio-desemprego, que registraram leve aumento. O índice de confiança das construtoras em julho também foi divulgado, e dirigentes do Federal Reserve participaram de eventos ao longo do dia, reforçando a cautela do banco central norte-americano com os rumos da inflação e da taxa de juros.

Dólar futuro e turismo

Na Bolsa de Valores brasileira, o contrato futuro de dólar com vencimento em agosto — o mais negociado atualmente — fechou em baixa de 0,41%, a R$ 5,5635, acompanhando o movimento do mercado à vista.

No segmento de turismo, a moeda norte-americana foi cotada a R$ 5,616 na compra e R$ 5,796 na venda, valores que refletem os custos adicionais de operação em casas de câmbio e instituições financeiras.

Queda no ano e perspectivas para o mercado

Com o desempenho desta quinta-feira, o dólar acumula queda de 10,22% no ano, o que representa um dos melhores desempenhos do real frente à moeda norte-americana entre os países emergentes em 2025. A perspectiva é de que a volatilidade continue presente, dada a combinação de fatores internos e externos que impactam a cotação.

A expectativa do mercado é de que o Banco Central siga acompanhando os desdobramentos fiscais e políticos com cautela, podendo atuar no câmbio se necessário para conter oscilações abruptas. A guerra de narrativas entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos também deverá permanecer no radar dos investidores nas próximas semanas.

A instabilidade no cenário internacional, somada à agenda interna ainda incerta, reforça a importância da prudência por parte dos agentes econômicos, enquanto o real segue buscando se consolidar como uma moeda atrativa para investidores globais em meio à busca por diversificação de risco.

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