O dólar encerrou a manhã desta quinta-feira, 11 de setembro, em queda frente ao real, registrando cotação abaixo de R$5,40, após a divulgação de indicadores econômicos nos Estados Unidos que mostraram aumento da inflação e ligeira alta nos pedidos de auxílio-desemprego. O movimento de perda de força da moeda americana acompanha a expectativa do mercado de que o Federal Reserve possa manter sua postura cautelosa sobre a política monetária na próxima semana, sem alterações abruptas nas taxas de juros.
Às 10h02, o dólar à vista recuava 0,19%, sendo negociado a R$5,3967 na venda, enquanto na B3 o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento registrava baixa de 0,15%, a R$5,4210. Esses dados refletem uma reação moderada dos investidores a indicadores mistos nos EUA, com foco na trajetória futura das taxas de juros e na estabilidade econômica global.
O Departamento do Trabalho norte-americano informou que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,4% em agosto, após alta de 0,2% em julho, acumulando 2,9% em 12 meses, o maior avanço desde janeiro. A previsão de economistas era de 0,3% no mês e 2,9% em 12 meses. Em paralelo, os pedidos de auxílio-desemprego totalizaram 263 mil na última semana, acima das expectativas de 235 mil, evidenciando desafios persistentes no mercado de trabalho americano.
No mercado financeiro, os títulos norte-americanos registraram queda no rendimento dos Treasuries de dois anos em 2 pontos-base, refletindo a percepção de menor pressão para aumento de juros de curto prazo. O índice do dólar, que mede a performance da moeda frente a uma cesta de seis divisas, caiu 0,16%, a 97,628, sinalizando leve perda de força frente às principais moedas globais.
No cenário europeu, o Banco Central Europeu (BCE) manteve sua taxa de referência em 2% ao ano, como esperado pelo mercado, reforçando uma postura conservadora frente à inflação controlada na zona do euro. Para o Brasil, os efeitos sobre o câmbio foram limitados, enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou queda de 0,3% nas vendas do varejo em julho, em linha com projeções de analistas.
Investidores brasileiros permanecem atentos ainda ao andamento do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. Até o início da tarde, o placar marcava 2 votos a 1 pela condenação, faltando os votos de Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Especialistas alertam que a condenação poderia provocar medidas de retaliação internacionais, impactando câmbio e mercado financeiro.
No acumulado da semana, o dólar à vista mantém trajetória de baixa, refletindo ajuste do mercado a indicadores recentes e expectativas futuras. O Banco Central brasileiro anunciou leilão de até 40.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro de 2025, reforçando ações de manutenção da liquidez e estabilidade do mercado.
O cenário atual destaca a interconexão entre indicadores econômicos globais e o comportamento do câmbio brasileiro, onde fatores internos e externos influenciam decisões de investidores, políticas monetárias e expectativas sobre o mercado financeiro nos próximos meses.
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