Mato Grosso do Sul, 13 de junho de 2026
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Envenenado em silêncio: pão com chumbinho mata jovem e revela ódio familiar em Bataguassu

Acusado de 62 anos confessa ter colocado “chumbinho” em pão e mortadela que mataram jovem de 22 anos; polícia investiga histórico de ameaças e desavenças familiares
Veneno conhecido por 'Chumbinho"
Veneno conhecido por 'Chumbinho"

A manhã de domingo foi marcada por tragédia e perplexidade na cidade de Bataguassu, em Mato Grosso do Sul. Um jovem de 22 anos perdeu a vida de forma cruel após consumir um pão com mortadela envenenados com uma substância popularmente conhecida como “chumbinho”, usada para exterminar ratos. O autor do crime, um homem de 62 anos, ex-padrasto da vítima, foi preso logo após o ocorrido e confessou ter preparado o alimento contaminado.

O caso aconteceu no bairro Jardim Campo Grande, onde a rotina tranquila da comunidade foi interrompida por gritos de socorro vindos da rua. Vizinhos acionaram o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, que chegaram rapidamente ao local. A vítima, já debilitada, foi encontrada caída na calçada segurando um saco com pedaços de pão e mortadela. Antes de desfalecer, ainda conseguiu afirmar que havia sido envenenada pelo ex-padrasto.

O jovem foi encaminhado para atendimento médico, mas não resistiu e teve o óbito confirmado pouco tempo depois. A cena do crime indicava premeditação. No chão, ao lado do corpo, estavam restos do alimento contaminado e embalagens plásticas.

As equipes policiais iniciaram diligências e seguiram até a residência do suspeito, localizada a poucos quarteirões dali. No imóvel, os agentes encontraram um saco plástico com vestígios de mortadela e um pedaço de pão semelhantes aos encontrados na cena do crime. Confrontado, o idoso inicialmente negou envolvimento, alegando que o rapaz teria levado o alimento já preparado. No entanto, após ser pressionado, acabou confessando que havia misturado o veneno no alimento antes de oferecê-lo à vítima.

Em depoimento, o homem relatou que vivia sob constante tensão, afirmando ter sido ameaçado várias vezes pelo enteado. Declarou ainda que o jovem fazia uso de drogas e que, em algumas ocasiões, o intimidava com uma faca. Portador de deficiência física e com dificuldade para andar, disse ter agido movido pelo medo e por não saber como se defender.

A investigação agora busca compreender o histórico de desavenças entre ambos. Moradores da região contaram que os conflitos eram frequentes e que discussões e brigas eram ouvidas com certa regularidade. O clima de hostilidade teria se intensificado nos últimos meses, culminando no crime que chocou a cidade.

Peritos constataram que o veneno utilizado era de alta toxicidade e de rápida ação, capaz de causar falência respiratória em poucos minutos. O “chumbinho” é proibido no Brasil, mas ainda é vendido ilegalmente em diversas localidades, tornando-se um instrumento perigoso em situações de violência.

O crime foi classificado como homicídio qualificado pelo uso de veneno, o que agrava as penas previstas em lei. Após a prisão em flagrante, o acusado foi encaminhado à delegacia, onde passou por audiência de custódia. A Justiça decretou sua prisão preventiva, mas a medida foi substituída por prisão domiciliar devido a fatores relacionados à idade e à condição de saúde.

O caso levanta discussões sobre conflitos familiares, violência doméstica e o fácil acesso a substâncias ilegais. Especialistas em segurança pública alertam que situações de ameaça e tensão devem ser mediadas e denunciadas antes que evoluam para tragédias irreversíveis.

A tragédia de Bataguassu serve como alerta para a importância da intervenção precoce em conflitos domésticos. O alimento, símbolo de cuidado e partilha, foi transformado em instrumento de morte, deixando uma marca profunda de dor e revolta na comunidade. Agora, cabe à Justiça e à sociedade refletirem sobre o que leva a convivência familiar a se tornar palco de crimes tão devastadores.

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