Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Estudo científico alerta que carnes ultraprocessadas e refrigerantes estão entre os piores alimentos para a saúde do cérebro

Pesquisa realizada nos Estados Unidos aponta que consumo frequente desses produtos aumenta significativamente o risco de declínio cognitivo em pessoas acima dos 55 anos
Esses alimentos são aqueles que passam por intensas transformações industriais
Esses alimentos são aqueles que passam por intensas transformações industriais

Um estudo de longa duração conduzido por cientistas americanos trouxe novos e preocupantes elementos para o debate sobre os efeitos da alimentação na saúde do cérebro. Publicada na revista científica The American Journal of Clinical Nutrition, a pesquisa avaliou durante sete anos o impacto do consumo de alimentos ultraprocessados em pessoas com 55 anos ou mais, chegando à conclusão de que carnes processadas como presunto, salame e bacon, assim como refrigerantes, figuram entre os principais vilões do funcionamento cognitivo.

Os resultados revelam que o consumo diário de ao menos uma porção de carne ultraprocessada está associado a um aumento de 17% no risco de comprometimento cognitivo. No caso do refrigerante, cada porção ingerida corresponde a um crescimento de 6% na probabilidade de declínio das funções cerebrais. Para os pesquisadores, trata-se de um dado alarmante, considerando que tais alimentos e bebidas fazem parte da rotina alimentar de milhões de pessoas em todo o mundo.

O estudo teve início em 2013 e seguiu até 2020, acompanhando o mesmo grupo de voluntários ao longo desse período. Baseada em dados do Estudo Nacional de Saúde e Aposentadoria dos Estados Unidos, a pesquisa aplicou testes de memória e raciocínio em intervalos de dois anos, avaliando recordação imediata e tardia, contagem regressiva de números e exercícios de subtração repetitiva. Essas métricas permitiram mensurar de forma consistente o desempenho cognitivo e os impactos da dieta ao longo do tempo.

Segundo Ben Katz, professor associado de desenvolvimento humano e ciências da família e pesquisador principal do trabalho, compreender os estágios iniciais de declínio cognitivo é essencial para orientar pacientes e a população em geral sobre escolhas alimentares. “É importante entender quando e por que as pessoas apresentam sinais de comprometimento. Os médicos devem ser capazes de transmitir isso e reforçar que a alimentação tem papel fundamental nesse processo”, afirmou em comunicado oficial.

A professora Brenda Davy, especialista em nutrição humana, alimentos e exercícios, também participou da pesquisa e reforçou a necessidade de maior atenção ao que se consome diariamente. Ela destacou que há alternativas mais seguras aos frios ultraprocessados, além de recomendar a preferência por água em substituição a bebidas açucaradas. “Há coisas que você pode mudar. É uma questão de moderação e de ser razoável e equilibrado nas escolhas alimentares”, ressaltou.

O alerta dos cientistas soma-se a uma crescente lista de estudos que relacionam ultraprocessados ao aumento de doenças metabólicas, cardiovasculares e neurológicas. No caso da saúde mental e cognitiva, o tema desperta especial preocupação diante do envelhecimento populacional e da crescente incidência de quadros de demência e Alzheimer.

Para os especialistas, medidas simples como ler rótulos, reduzir o consumo de refrigerantes e priorizar refeições caseiras podem fazer diferença significativa na preservação das funções cerebrais. A pesquisa reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à conscientização alimentar e de campanhas educativas que aproximem ciência e cotidiano da população, já que escolhas aparentemente pequenas podem refletir diretamente na qualidade de vida no futuro.

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