Mato Grosso do Sul, 13 de junho de 2026
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Ex-guarda municipal é morta com 23 facadas em Dourados; Venezuelano é preso após confessar crime

 Feminicídio brutal soma-se ao alarmante número de casos em Mato Grosso do Sul e evidencia a urgência de políticas eficazes de proteção e enfrentamento à violência contra a mulher
Momento em que Cristian é colocado dentro da viatura da Polícia Militar (Foto: Leandro Holsbach)
Momento em que Cristian é colocado dentro da viatura da Polícia Militar (Foto: Leandro Holsbach)

A noite do domingo, 23 de novembro de 2025, foi marcada por tragédia na Rua Romeu Martins de Almeida, na Vila Sulmat, em Dourados. Alliene Nunes Barbosa, com 50 anos, ex-guarda municipal da cidade, foi brutalmente assassinada com 23 facadas pelo ex-marido venezuelano Cristian Alexander Cabeza Henriquez, de 44 anos. O crime, classificado como feminicídio, não apenas chocou a comunidade local, mas também elevou para 37 o número de mulheres assassinadas em Mato Grosso do Sul no ano.

O cenário do crime foi a casa da vítima, onde o horror se desenrolou diante dos olhos do filho de Alliene, um menino de apenas nove anos. O garoto permaneceu trancado na residência por cerca de 40 minutos após o assassinato, antes de conseguir escapar pulando o muro e buscar ajuda com um vizinho, que imediatamente acionou a Polícia Militar. Ao chegar ao local, a equipe policial encontrou a vítima já sem vida, com múltiplas perfurações causadas pelas facadas. O atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros apenas confirmou a gravidade do crime.

Cristian Alexander, que utilizava tornozeleira eletrônica no momento do assassinato, foi localizado e preso em flagrante na casa de sua mãe na região da Vila Industrial. Apesar de ter confessado informalmente o crime durante a prisão, negou a autoria em depoimento formal na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac). Em seu relato, apresentou versões confusas, falou de ciúmes e supostas ameaças da vítima em entregá-lo à polícia, além de alegar desconhecimento sobre o motivo de sua prisão anterior.

A dinâmica cruel do feminicídio também levantou dúvidas que o autor não conseguiu esclarecer, especialmente sobre ter trancado o menino junto ao corpo da mãe. Em depoimento, negou o fato, mas não forneceu explicações coerentes, provocando ainda mais indignação e desespero pela situação a que a criança foi submetida.

Este caso lamentável ganha ainda maior repercussão pelo contexto: a vítima havia solicitado medida protetiva contra o ex-companheiro no início do mês, demonstrando o histórico de violência e risco iminente. A falha em garantir a proteção efetiva para Alliene reflete uma problemática sistêmica vista em muitos casos semelhantes, que clamam por políticas públicas efetivas, ações preventivas e mecanismos de suporte mais eficientes para as mulheres em situação de violência.

O Feminicídio em Dourados ilumina a necessidade incontestável de reforço nos serviços de proteção às mulheres, capacitação das forças policiais, agilidade na concessão e fiscalização das medidas protetivas, além de campanhas educativas para desmantelar a cultura do machismo e da violência doméstica. O sofrimento do filho da vítima e a brutalidade do crime reverberam como um chamado urgente para a sociedade agir de modo a evitar novas tragédias.

A morte de Alliene Nunes Barbosa não é apenas um número nas estatísticas de violência contra a mulher, mas uma vida ceifada abruptamente e uma criança que, na mais tenra idade, foi obrigada a testemunhar a perda irreparável da mãe. A luta por justiça e proteção segue como um imperativo moral e social para Mato Grosso do Sul e o Brasil.

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