Uma operação conjunta entre forças de segurança do Brasil e do Paraguai resultou na prisão do ex-policial militar do Paraná José Mariano Guerrero Cremonezi, de 36 anos, apontado como integrante de uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e movimentação milionária ligada ao crime organizado na região de fronteira.
A prisão ocorreu em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha de Ponta Porã, considerada uma das principais rotas utilizadas por grupos criminosos para o transporte de drogas, armas e mercadorias ilegais entre o Paraguai e o Brasil. O investigado possuía mandado de prisão expedido pela Justiça brasileira e era considerado foragido desde o avanço das investigações relacionadas à Operação Don Pablo, que desarticulou uma ampla rede criminosa com atuação em vários estados brasileiros.
A captura aconteceu após um intenso trabalho de inteligência realizado pelo Comando Bipartido, mecanismo de cooperação policial entre Brasil e Paraguai criado para combater crimes transnacionais na faixa de fronteira. A investigação identificou que o ex-policial militar estava vivendo discretamente em uma residência localizada no Bairro Obrero, área urbana de Pedro Juan Caballero.
Segundo informações apuradas pelas equipes de investigação, o imóvel onde o suspeito estava morando possuía forte estrutura de proteção, cercado por muros altos e monitoramento constante, característica comum em esconderijos utilizados por integrantes de organizações criminosas que atuam na região de fronteira.
No momento da abordagem policial, José Mariano Guerrero Cremonezi tentou destruir parte dos aparelhos celulares encontrados em sua posse, numa tentativa de eliminar possíveis provas relacionadas à comunicação da organização criminosa. Ao todo, seis aparelhos foram localizados no imóvel, além de documentos, uma pistola calibre 9 milímetros e uma caminhonete Chevrolet S10, cuja origem ainda segue sob investigação das autoridades paraguaias.
A ação chamou atenção pela rapidez da operação e pelo nível de articulação entre os setores de inteligência brasileiros e paraguaios. O suspeito vinha sendo monitorado há meses após cruzamento de informações indicar que ele havia se refugiado no Paraguai logo após a deflagração da segunda fase da Operação Don Pablo.
As autoridades paraguaias já iniciaram os procedimentos legais para expulsão do ex-policial militar do território paraguaio. Após autorização judicial, ele deverá ser entregue à Polícia Federal brasileira para responder pelos crimes atribuídos pela Justiça do Paraná.
As investigações apontam que José Mariano Guerrero Cremonezi exercia papel importante dentro da estrutura criminosa investigada. O grupo é acusado de movimentar grandes carregamentos de drogas oriundos do Paraguai, utilizando rotas clandestinas para abastecer cidades do Paraná e outros estados brasileiros.
A Operação Don Pablo, considerada uma das maiores ofensivas recentes contra o tráfico internacional na região Sul do país, revelou um esquema milionário de distribuição de drogas e ocultação patrimonial. A organização criminosa utilizava empresas de fachada, imóveis de luxo, veículos de alto valor e movimentações financeiras complexas para lavar dinheiro proveniente do narcotráfico.
A apuração começou ainda em abril de 2024, após setores de inteligência identificarem movimentações suspeitas na região de Jacarezinho, no interior do Paraná. Com o avanço das investigações, os policiais descobriram uma ampla rede de integrantes distribuídos em diferentes estados brasileiros e com ligação direta com fornecedores instalados no Paraguai.
Durante a segunda fase da operação, realizada em outubro de 2025, foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão no Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Na ocasião, 42 pessoas acabaram presas por suspeita de participação no esquema criminoso.
Mesmo com a grande ofensiva policial, José Mariano conseguiu fugir antes do cumprimento dos mandados e passou a viver escondido em Pedro Juan Caballero. A região de fronteira é considerada estratégica para organizações criminosas justamente pela intensa circulação de pessoas e pela proximidade entre os dois países.
As investigações também revelaram que a quadrilha teria movimentado pelo menos R$ 120 milhões desde 2021. O dinheiro era pulverizado em contas de terceiros, empresas fictícias e investimentos em imóveis, veículos de luxo e negócios utilizados para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Outro nome de destaque dentro da organização criminosa é Michael Patrick Sanches, conhecido pelo apelido de “Cenoura”, apontado como principal líder do esquema. Ele foi preso em junho de 2024 em um apartamento de luxo avaliado em cerca de R$ 2 milhões na cidade de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e atualmente cumpre pena no sistema penitenciário federal.
A prisão do ex-policial militar volta a expor a complexa estrutura das organizações criminosas que atuam na fronteira entre Brasil e Paraguai. A região continua sendo um dos principais corredores utilizados para entrada de drogas no território brasileiro, principalmente maconha e cocaína.
Nos últimos anos, operações integradas entre forças de segurança brasileiras e paraguaias têm ampliado o combate ao tráfico internacional, especialmente em cidades fronteiriças como Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, consideradas áreas estratégicas para o crime organizado.
A captura de José Mariano Guerrero Cremonezi representa mais um avanço nas investigações relacionadas à Operação Don Pablo e reforça o trabalho de cooperação internacional no enfrentamento às organizações criminosas que atuam em diferentes estados brasileiros e utilizam a fronteira para movimentar drogas, armas e dinheiro ilícito.
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