A morte de Claudemar Ferreira Alves, de 36 anos, ocorrida na noite de sábado (14), em Campo Grande, transformou uma área de lazer frequentada por moradores em cenário de uma execução que, segundo as investigações iniciais, pode estar diretamente relacionada à disputa pelo controle do tráfico de drogas na região do Bairro Alves Pereira. O crime, praticado diante de dezenas de testemunhas que acompanhavam a partida da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo, provocou forte mobilização das forças de segurança e abriu uma nova frente de investigação sobre a atuação de grupos criminosos na Capital.
De acordo com as informações reunidas pelas autoridades, o caso apresenta características típicas de um homicídio planejado. A principal linha investigativa aponta para uma disputa envolvendo pontos de comercialização de entorpecentes, situação que teria gerado conflitos entre integrantes de organizações criminosas e culminado no assassinato da vítima.
O crime aconteceu por volta das 18h30, nas proximidades de um campo de futebol localizado na Rua Conde do Pinhal. O local estava movimentado devido à transmissão da partida da Seleção Brasileira, reunindo moradores, famílias e torcedores que acompanhavam o jogo.
Testemunhas relataram que momentos antes da execução dois homens chegaram ao local utilizando uma motocicleta. Eles teriam mantido contato com Claudemar Ferreira Alves e também conversado com o filho da vítima. Após uma breve permanência, deixaram a área, comportamento que inicialmente não despertou suspeitas entre as pessoas presentes.
Pouco tempo depois, porém, os dois homens retornaram ao bairro. Segundo os relatos colhidos pelos investigadores, um dos suspeitos, conhecido pelo apelido de “Macaquinho”, voltou a procurar Claudemar. A conversa prosseguiu em outro ponto da região, nas proximidades da Rua Agostinho Bacha.
Após o encontro, ambos seguiram em direção ao campo onde dezenas de pessoas acompanhavam a movimentação do jogo da Seleção Brasileira. O que parecia ser apenas mais uma conversa comum terminou de forma violenta poucos minutos depois.
As informações preliminares apontam que, assim que Claudemar se sentou, foi surpreendido por um disparo efetuado à queima-roupa. O tiro atingiu a cabeça da vítima, causando ferimentos gravíssimos e provocando pânico entre as pessoas que estavam no local.
O autor fugiu imediatamente após o disparo. A rápida ação do atirador dificultou qualquer tentativa de reação por parte dos presentes. Em poucos segundos, o suspeito desapareceu da cena do crime, iniciando uma fuga que ainda é alvo de buscas por parte das forças policiais.
Mesmo gravemente ferido, Claudemar recebeu atendimento de emergência. Equipes de socorro foram acionadas e realizaram os primeiros procedimentos ainda no local. Em seguida, a vítima foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento Universitário.
Apesar dos esforços das equipes médicas, os ferimentos causados pelo disparo foram considerados incompatíveis com a sobrevivência. Claudemar não resistiu e morreu pouco tempo depois de dar entrada na unidade de saúde.
A partir do levantamento inicial realizado pela Polícia Civil, surgiu a suspeita de que o homicídio teria sido ordenado por um detento conhecido pelo apelido de “Seis Dedos”. Conforme as informações reunidas pelos investigadores, o preso estaria envolvido em uma disputa pelo controle de um ponto de tráfico de drogas localizado na Rua Osvaldo Aranha.
Segundo a apuração preliminar, esse ponto seria controlado por Claudemar Ferreira Alves. A investigação trabalha com a hipótese de que a disputa pelo domínio da área tenha motivado a ordem para a execução.
As informações levantadas indicam ainda que o suposto mandante teria oferecido uma quantia de R$ 30 mil para que a vítima fosse assassinada. A polícia busca agora reunir elementos que possam confirmar a participação de todos os envolvidos e esclarecer o papel desempenhado por cada suspeito.
Além da identificação do possível mandante, os investigadores concentram esforços para localizar o executor apontado pelas testemunhas. O homem conhecido como “Macaquinho” permanece foragido e é considerado peça-chave para o esclarecimento do caso.
A investigação também procura determinar se outras pessoas participaram do planejamento da execução, do monitoramento da vítima ou do suporte logístico utilizado na fuga após o crime.
Durante os trabalhos realizados após o homicídio, testemunhas relataram às autoridades que Claudemar acumulava histórico criminal envolvendo diferentes ocorrências registradas ao longo dos anos. Entre os antecedentes citados estariam registros relacionados ao tráfico de drogas e outros delitos.
Moradores também afirmaram que a vítima vinha recebendo ameaças e estaria jurada de morte havia algum tempo, informação que agora passa a integrar o conjunto de elementos analisados pela equipe responsável pela investigação.
O assassinato chamou a atenção não apenas pela violência empregada, mas também pelo local e pelo horário em que ocorreu. A execução aconteceu em um ambiente movimentado, com grande circulação de pessoas, o que demonstra, segundo investigadores, um grau elevado de ousadia por parte dos criminosos.
A presença de dezenas de testemunhas poderá contribuir para a reconstrução dos últimos momentos da vítima e para a identificação de detalhes importantes sobre a movimentação dos suspeitos antes e depois do crime.
O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia Civil e segue sob investigação. A Polícia Civil trabalha com diferentes linhas de apuração, mas considera a disputa pelo tráfico de drogas como a principal motivação para o homicídio.
Enquanto as buscas pelo suspeito continuam, o assassinato reforça o desafio enfrentado pelas autoridades no combate às organizações criminosas que disputam territórios para a comercialização de entorpecentes em diferentes regiões de Campo Grande. A expectativa é de que novas diligências, depoimentos e análises técnicas permitam identificar todos os envolvidos e esclarecer completamente a dinâmica do crime.
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