A violência voltou a chamar a atenção na região de fronteira de Mato Grosso do Sul na tarde desta quarta-feira, quando um homem de 41 anos foi executado com diversos disparos de arma de fogo enquanto dirigia pelo centro de Ponta Porã. A vítima foi identificada como Wagner Cantalupi Batista, ex-presidiário e filho de Valdir da Silva Batista, conhecido como “Valdirzão”, personagem que ficou marcado por sua atuação criminosa na fronteira e que foi assassinado no Paraguai em 2004.
O crime aconteceu em uma das áreas movimentadas da cidade e provocou grande mobilização das forças policiais. Conforme as primeiras informações, Wagner conduzia um Fiat Siena preto pela Rua Sete de Setembro quando foi surpreendido por ocupantes de um veículo branco. Os criminosos cercaram o automóvel da vítima e abriram fogo com pistolas calibre 9 milímetros.
Os disparos atingiram principalmente a cabeça e o tórax da vítima. A violência do ataque impediu qualquer possibilidade de reação. Wagner morreu ainda dentro do veículo antes da chegada do socorro. A quantidade de tiros e a forma como a execução foi realizada chamaram a atenção de moradores e comerciantes da região, que presenciaram momentos de tensão e correria.
Logo após o atentado, os autores fugiram rapidamente e, até o momento, não haviam sido localizados. Equipes das polícias Civil e Militar isolaram a área para o trabalho da perícia criminal, que recolheu cápsulas de munição, analisou a cena do crime e iniciou os levantamentos para identificar a dinâmica da execução.
As investigações seguem em andamento e trabalham para esclarecer a motivação do homicídio, identificar os responsáveis e verificar se o assassinato possui ligação com disputas entre grupos criminosos que atuam na faixa de fronteira, região considerada estratégica para o tráfico internacional de drogas, armas e mercadorias ilegais.
No momento do ataque, Wagner utilizava tornozeleira eletrônica em razão do cumprimento de pena decorrente de condenações anteriores. O histórico criminal da vítima já era conhecido pelas autoridades policiais e inclui processos relacionados ao tráfico de drogas, tentativa de homicídio, estelionato e violência doméstica.
Em janeiro de 2022, ele foi preso por equipes especializadas e transferido para Minas Gerais, onde respondeu por condenação relacionada ao tráfico de drogas. Segundo as investigações da época, Wagner era apontado como integrante de organização criminosa com atuação na linha internacional entre Brasil e Paraguai.
Sua ligação com o crime organizado, entretanto, remonta a muitos anos. Em maio de 2005, quando tinha apenas 20 anos, ele foi preso durante a Operação Maffia, ação policial que apreendeu aproximadamente 7,5 toneladas de maconha em Ponta Porã. Na ocasião, as autoridades afirmaram que Wagner teria assumido parte das atividades criminosas anteriormente atribuídas ao pai.
Valdir da Silva Batista, conhecido como “Valdirzão”, tornou-se uma das figuras mais conhecidas do submundo do crime na fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai. Acusado de envolvimento com o tráfico de drogas e apontado como responsável por diversos homicídios, ele foi executado em 2004 com um disparo de espingarda calibre 12 enquanto jantava em uma fazenda localizada em Cerro Corá, no Paraguai. O assassinato jamais foi esclarecido oficialmente.
Duas décadas depois da morte de Valdirzão, o assassinato do filho volta a colocar em evidência a complexa realidade da segurança pública na fronteira sul-mato-grossense, onde disputas entre organizações criminosas, rotas internacionais do tráfico e execuções planejadas continuam sendo desafios permanentes para as autoridades.
A Polícia Civil segue reunindo imagens de câmeras de monitoramento, ouvindo testemunhas e realizando diligências para identificar os autores do ataque. A expectativa é de que a análise das provas permita reconstruir os últimos passos da vítima e esclarecer se o crime foi motivado por disputas ligadas ao crime organizado, vingança ou outro fator ainda desconhecido.
Enquanto as investigações avançam, a execução reforça o cenário de preocupação com a violência em Ponta Porã, município que frequentemente registra ocorrências relacionadas ao crime organizado em razão de sua localização estratégica na fronteira internacional.
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