Mato Grosso do Sul, 14 de junho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Facções criminosas movimentam R$ 453 bilhões na economia formal e causam perdas bilionárias ao Brasil

Estudo da Confederação Nacional da Indústria revela que crime organizado reduziu arrecadação, destruiu empregos e distorceu a competitividade em setores produtivos estratégicos
Foto: Receita Federal/Divulgação
Foto: Receita Federal/Divulgação

O avanço do crime organizado sobre setores formais da economia brasileira expõe um dos maiores desafios à segurança pública e à sustentabilidade do mercado nacional. Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), revelou que facções criminosas movimentaram cerca de R$ 453,5 bilhões em 2022, valor superior ao Produto Interno Bruto de estados como Santa Catarina no mesmo período.

O impacto dessa infiltração criminosa não se limitou à movimentação financeira. Segundo o estudo, a economia brasileira deixou de arrecadar R$ 136 bilhões em impostos e perdeu a oportunidade de gerar aproximadamente 370 mil empregos diretos. O documento ressalta que, ao se infiltrar em pelo menos 16 setores da economia, os grupos criminosos provocaram distorções profundas na concorrência, drenaram recursos públicos e ampliaram a insegurança no ambiente de negócios.

O mecanismo da infiltração

As facções utilizam estratégias complexas para lavar dinheiro oriundo do narcotráfico, contrabando e outras atividades ilícitas. Empresas de fachada ou até mesmo empreendimentos de setores regulares — como postos de combustíveis, motéis, redes de franquias e comércio varejista foram identificados como veículos para legitimar capital ilícito.

A nota técnica da CNI destaca que esse modelo de atuação não apenas enfraquece o setor produtivo legal como também fragiliza políticas públicas, reduz a arrecadação tributária e compromete investimentos em infraestrutura, saúde e educação. “O impacto das ilegalidades na indústria brasileira é sistêmico e profundo. Afeta sua sustentabilidade econômica, capacidade de inovação e competitividade global”, alertou a entidade.

Reação do Estado e propostas de enfrentamento

Operações recentes, como a Operação Spare, deflagrada pela Polícia Federal, exemplificam os esforços do Estado em desarticular esquemas de lavagem de dinheiro. A ação mirou empresas de diferentes setores utilizadas para mascarar os ganhos ilícitos. Para a CNI, essas iniciativas devem ser encaradas como políticas estratégicas permanentes de Estado, e não apenas como respostas pontuais.

Entre as medidas em andamento, o Ministério da Fazenda anunciou a criação de uma delegacia especializada dentro da Receita Federal, destinada exclusivamente ao combate ao crime organizado e a esquemas financeiros complexos. Além disso, o Congresso Nacional avança em projetos de lei que buscam endurecer o cerco às práticas ilícitas, como a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública (PEC 18/2025), a tipificação dos crimes de furto e roubo de combustíveis e o Projeto de Lei Complementar 125/2022, que trata do chamado devedor contumaz.

A CNI defendeu que tais propostas sejam aprimoradas para evitar injustiças e garantir que sanções severas sejam aplicadas apenas a grupos criminosos ou empresários que deliberadamente utilizam a inadimplência como modelo de negócio, diferenciando-os de empreendedores em dificuldades reais.

Estruturas de fiscalização sob pressão

O relatório também apontou fragilidades nas estruturas de fiscalização. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), responsável por rastrear operações suspeitas, viu crescer em mais de 766% o volume de comunicações de transações irregulares entre 2015 e 2024. No entanto, o número de servidores permaneceu estagnado, com apenas 93 funcionários para lidar com a complexidade crescente dos crimes financeiros.

Essa defasagem estrutural, segundo especialistas, amplia a vulnerabilidade do país diante da sofisticação das facções criminosas, que utilizam recursos tecnológicos e estratégias empresariais para ocultar suas atividades.O desafio à economia e à sociedade

Os impactos sociais do avanço do crime organizado na economia vão além da perda de arrecadação e empregos. A presença de facções em setores estratégicos alimenta ciclos de violência, amplia a precarização das relações de trabalho e ameaça a confiança de investidores no país. Para a CNI, o combate efetivo a esse fenômeno exige não apenas a ação coordenada do Estado, mas também a mobilização do setor privado e da sociedade civil.

“O ciclo virtuoso do combate ao Brasil ilegal requer a união de esforços públicos e privados, capaz de defender nossa economia e garantir um ambiente de negócios justo para quem produz, gera emprego e contribui para o futuro do país”, conclui a nota da entidade.

#Economia #SegurançaPública #CrimeOrganizado #CNI #MercadoFormal #Brasil #Empregos #Arrecadação #Investimentos #Indústria #Coaf #Corrupção

Suas preferências de cookies

Usamos cookies para otimizar nosso site e coletar estatísticas de uso.