A violência contra a mulher voltou a chocar Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira, 8 de setembro. O município de Dois Irmãos do Buriti foi palco de mais um crime brutal que expõe a gravidade da escalada de feminicídios no Estado. Márcio, de 35 anos, foi preso acusado de assassinar a própria sogra, Iracema Rosa da Silva Santos, de 75 anos, com uma facada no pescoço. O caso representa o 26º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul apenas em 2025, revelando um cenário alarmante de violência doméstica que continua ceifando vidas.
Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu na lateral da residência da idosa, onde ela foi encontrada sem vida. A filha da vítima relatou que a relação entre sua mãe e o companheiro era marcada por conflitos constantes. Iracema teria ameaçado denunciar o genro à polícia após descobrir que ele agredia a própria esposa, fato que pode ter motivado o assassinato.
Na madrugada anterior ao crime, Márcio apresentou comportamentos suspeitos. Testemunhas afirmaram que ele colocou fogo em objetos no fundo do quintal, foi visto circulando repetidas vezes pela casa da vítima, trocou de roupas em diversas ocasiões e tentou vender um telefone celular novo. A sequência de atitudes reforçou a suspeita de que ele estaria articulando sua fuga após consumar o homicídio.
O marido de Iracema confirmou que o único desafeto da idosa era justamente o genro. Em depoimento, relatou que Márcio era frequentemente agressivo com sua filha e que, na semana anterior ao crime, chegou a ameaçar a sogra durante uma discussão.
A prisão do suspeito ocorreu poucas horas após o crime. Ele foi localizado pela Polícia Civil em uma casa abandonada próxima à sua residência. Após receber voz de prisão, foi conduzido à Delegacia de Polícia de Dois Irmãos do Buriti, onde aguarda os procedimentos legais.
O caso se soma à preocupante estatística de feminicídios em Mato Grosso do Sul. Só neste ano, já são 26 crimes dessa natureza registrados, número que reforça a urgência de políticas públicas mais eficazes de prevenção, proteção e acolhimento às mulheres em situação de risco. Autoridades policiais e representantes de entidades de defesa dos direitos da mulher têm reiterado que a violência doméstica, muitas vezes silenciada e invisível, é um problema estrutural que exige enfrentamento firme e ações conjuntas entre poder público e sociedade civil.
A morte de Iracema Rosa da Silva Santos não é apenas mais um número nas estatísticas. Representa a face mais cruel da violência doméstica e deixa em evidência a necessidade de ampliar medidas de combate à agressão contra mulheres e de garantir segurança para famílias que vivem sob ameaça.
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