Fernandinho Beira-Mar, um dos fundadores do Comando Vermelho, relatou a seus advogados que estava “feliz” com a fuga de dois homens da Penitenciária Federal de Mossoró há 11 dias, em 14 de fevereiro. Beira-Mar também está preso em Mossoró.
Considerado uma das lideranças do CV, embora não seja mais o chefe da facção, Beira-Mar foi transferido para Mossoró em janeiro deste ano.
Beira-Mar, segundo advogados que estiveram com ele nesta semana, exaltou a façanha da fuga de Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento, que é inédita na história dos presídios federais.
O traficante comentou que acredita que a fuga ocorreu por uma “sequência de erros e acasos” da administração do presídio, contaram integrantes de sua defesa.
Segundo advogados, o traficante não falou sobre as consequências que a fuga pode causar à facção.
Os fugitivos da Penitenciária Federal de Mossoró, Deibson Cabral e Rogério da Silva, renderam uma família e conseguiram abrigo por sete dias na zona rural de Baraúna (RN).
O morador contou à polícia que foi surpreendido pela dupla no momento em que estava em casa com a sua companheira, na madrugada de 17 de fevereiro, no quarto dia de buscas.
O homem detalhou que os dois arrombaram a porta, mas não machucaram a família. “Pediram para a gente ter calma e que não ia acontecer nada se fizéssemos o que eles pedissem”, disse. O morador ressaltou que os criminosos sabiam de informações sobre a sua família e que “pareceu que eles foram direcionados” para o endereço.
“Falavam o tempo todo que tinha gente de olho em nós, mas que não aconteceria nada se ajudássemos”, lembrou. O homem relatou que passou a fazer compras todos os dias para os criminosos.
Os alimentos eram deixados embaixo de uma pequena árvore localizada no terreno. “Comprava bolacha, danone e carne em lata. Só deixava a comida lá e seguia com a minha rotina. Não tinha contato com eles”, relatou.
Deibson e Rogério abriram um buraco na mata, onde dormiam para se esconder de drones que detectam calor humano. A saga do morador durou sete dias, quando, na sexta-feira (23), ele foi parado em uma barreira policial e contou o que estava acontecendo. O homem foi detido duas vezes e prestou depoimento à polícia. Explicou que apenas colaborou com os fugitivos porque sofreu ameaças.

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Segundo as investigações, os criminosos abandonaram o esconderijo na sexta. No local onde a dupla construiu o esconderijo, os policiais encontraram alguns objetos, como facão, lona e alimentos. Há informações de que os bandidos pagaram R$ 5 mil para a família que os ajudou.