Mato Grosso do Sul, 4 de julho de 2026
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Fernando Haddad afirma que tarifaço prejudicou mais que beneficiou população dos EUA

Ministro da Fazenda defende estratégia diplomática e econômica para reverter sobretaxas impostas a produtos brasileiros
O ministro Fernando Haddad.
Créditos: Diogo Zacaria
O ministro Fernando Haddad. Créditos: Diogo Zacaria

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (7) que o Brasil está preparado para apresentar argumentos sólidos com o objetivo de reverter o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para ele, a própria população estadunidense já sofre impactos visíveis dessas medidas, como aumento no preço de itens cotidianos, o que, segundo o ministro, pode tornar insustentável a continuidade da política americana de sobretaxas.

Haddad disse que o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços também participará da articulação e que a estratégia será mostrar como essas tarifas encarecem não apenas os produtos brasileiros, mas os preços no próprio mercado americano, inclusive no café da manhã, no consumo de carne e nas frutas — insumos tipicamente exportados pelo Brasil. Ele ressaltou que muitos americanos estarão pagando mais por produtos antes importados do Brasil, e que não terão mais acesso ao que consideram itens de qualidade oriundos da indústria e do agronegócio brasileiros.

Para ele, as medidas restritivas começaram a mostrar efeitos contrários aos interesses americanos. Segundo o ministro, à medida que os EUA impuseram tarifas, verificou-se que “elas mais prejudicaram do que favoreceram” a economia dos Estados Unidos. Ele citou que o país norte-americano ainda detém superávit em relação ao Brasil, mas que há amplas oportunidades de investimentos na cadeia de energia limpa, mineração de terras raras, tecnologias verdes, entre outras áreas em que o Brasil pode competir.

O ministro lembrou que, na segunda-feira (6), o presidente Donald Trump teve conversa por videoconferência com o presidente Lula, ocasião em que o brasileiro insistiu na remoção da sobretaxa de 40 % aplicada por Washington sobre produtos brasileiros e nas restrições impostas a autoridades do governo brasileiro. Na conversa, Trump teria designado o secretário de Estado para liderar as negociações futuras. Os dois presidentes teriam trocado contatos diretos e manifestaram a intenção de portar encontros presenciais em breve.

Haddad também reagiu a sugestões de que o governo devesse adotar postura mais conciliatória ou recuar em seus posicionamentos. Para ele, a diplomacia brasileira é robusta, e o Brasil possui os argumentos necessários para superar o impasse. Ele acusou segmentos de extrema direita no país de promoverem desinformação junto ao governo estadunidense, distorcendo a realidade política brasileira.

“É cada vez mais claro para o governo dos Estados Unidos, como para o mundo inteiro, que no Brasil não está ocorrendo nada fora das regras democráticas. Estamos dentro do Estado de Direito”, afirmou Haddad, defendendo que a narrativa de crise institucional usada por opositores interfere nas negociações externas.

O “tarifaço” é parte da nova política comercial dos EUA, que busca elevar tarifas contra parceiros com desequilíbrios na balança comercial e na competitividade frente à China. Em 2 de abril, foram impostas medidas iniciais de 10 % contra países deficitários, mas em 6 de agosto, foi autorizada sobretaxa de 40 % para o Brasil, em retaliação a decisões que os americanos consideraram prejudiciais a empresas tecnológicas americanas.

A partir de agora, o governo de Lula terá como desafio ganhar espaço diplomático para desmontar a justificativa das sobretaxas, recuperar mercados perdidos e reconquistar competitividade em setores afetados. A combinação entre diplomacia firme, argumentos econômicos consistentes e pressão internacional será decisiva para reverter o que Haddad chamou de “grande equívoco” no relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos.

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