Mato Grosso do Sul, 24 de junho de 2026
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Fundtur-MS arma trade turístico para proteger crianças no Carnaval 2026

Campanha “Pule, Brinque e Cuide” orienta hoteleiros, blocos e foliões contra exploração e venda de bebida a menores em cidades turísticas do Estado
Imagem - Divulgação
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A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS) coloca o trade turístico em alerta para o Carnaval 2026 com a campanha “Pule, Brinque e Cuide – Unidos pela proteção de crianças e adolescentes”. A ação mobiliza hotéis, pousadas, organizadores de blocos e prefeituras de cidades como Bonito, Corumbá e Campo Grande para criar um carnaval seguro, sem espaço para exploração sexual, trabalho infantil ou venda de álcool a menores. O objetivo é claro: garantir que os milhões de turistas que invadem o Estado nos dias de folia encontrem diversão sem riscos para os mais novos, que muitas vezes acabam vulneráveis na multidão de foliões.

A iniciativa alinha Mato Grosso do Sul a um movimento nacional de proteção, com apoio de conselhos estaduais e nacionais de direitos da criança. Bruno Wendling, presidente da Fundtur-MS, reforça que o turismo do Estado não vive só de belezas naturais e festas animadas, mas também de responsabilidade social. Ele lembra que o carnaval movimenta milhões em diárias de hotel e vendas de comida, mas exige cuidado redobrado com crianças soltas nas ruas ou hóspedes sem documentação. Tânia Regina Comerlato, gestora de ações sociais da Fundtur e conselheira estadual, explica que a campanha é prática: distribui cartilhas, faz treinamentos e coloca fiscais nos pontos quentes das festas.

Nos últimos carnavais, casos de menores vendendo artesanato até meia-noite ou bebendo cerveja em bares de beira de praia envergonharam o turismo sul-mato-grossense. Agora, a Fundtur quer mudar isso com regras simples, mas firmes, para donos de bares, guias e hoteleiros.

Regras claras proíbem álcool e trabalho infantil nos dias de folia

A campanha lista proibições que todo comerciante turístico precisa saber de cor. Nada de vender ou oferecer bebida alcoólica, cigarro ou droga para crianças e adolescentes, mesmo que peçam com jeitinho. Hotéis e pousadas devem exigir documento com foto de todos os menores na hora do check-in, sem exceção. Menores de 16 anos não podem viajar sozinhos de ônibus, van ou carro alugado para os destinos de carnaval, sempre com responsável maior de idade.

Outra regra dura: zero trabalho para crianças menores de 14 anos. Isso vale para os pequenos que costumam carregar malas nos hotéis, vender pulseiras nos blocos ou limpar mesas em quiosques da orla. Acima de 14, só com autorização e em horários que não atrapalhem escola. Tânia Comerlato alerta que exploração sexual é o maior perigo: foliões alcoolizados e turistas solteiros às vezes confundem diversão com crime, e os organizadores precisam ficar de olho.

Em Bonito, onde o carnaval atrai gringos atrás de águas cristalinas e baladas, hoteleiros já treinam equipes para identificar situações de risco. Em Corumbó, com seu carnaval de raiz e foliões do Pantanal, blocos comunitários vão colar cartazes da campanha nos carros de som. Campo Grande prepara fiscais da prefeitura para ronda noturna nos pontos de concentração.

Treinamento e fiscalizações garantem carnaval seguro em todo o Estado

A Fundtur leva a campanha para prefeituras e associações turísticas com workshops práticos. Donos de bares aprendem a pedir RG antes de servir caipirinha. Guias de turismo recebem manual para identificar menores em situação de rua ou acompanhando adultos suspeitos. Agências de viagem orientam clientes sobre as regras de hospedagem infantil. Nos 79 municípios sul-mato-grossenses, quem aderir ganha material de divulgação e selo de apoio, valorizando o negócio responsável.

Fiscalização vem junto: polícias militar e civil, conselhos tutelares e Ministério Público entram na rede. Durante os dias de carnaval, equipes vão circular em vans com megafone, reforçando a mensagem nos circuitos oficiais. Disque 100, delegacias da mulher e conselhos tutelares ficam de plantão 24 horas para denúncias rápidas. Ano passado, só em Campo Grande, mais de 200 casos de menores em bares ou sozinhos à noite foram registrados, e a expectativa é cortar esse número pela metade com a mobilização prévia.

Bruno Wendling aposta que a campanha vira marca do turismo sustentável de Mato Grosso do Sul. Ele cita exemplos de sucesso em outros estados, onde hotéis lotados e blocos gigantes passaram a ser referência em proteção infantil. Para os foliões, a mensagem é direta: pule, brinque, mas cuide. Viu uma criança bebendo sozinha ou trabalhando na rua? Denuncie na hora, salve uma vida.

Campanha educa e une poder público com empresários do turismo

Além das regras, a Fundtur investe em prevenção educativa. Escolas e igrejas de cidades turísticas recebem palestras sobre direitos da criança. Pais de blocos ensaiam com os filhos a regra de “não soltar da mão”. Comerciantes de rua, que vivem do carnaval, assinam termo de compromisso para não vender nem um chiclete a menor sem responsável. A rede se fecha com Disque 100 nacional, que registra tudo e aciona autoridades locais.

O impacto vai além da folia. Gestores como Tânia Comerlato veem na campanha semente para o ano todo: hotéis treinados viram sentinelas permanentes contra abusos. Prefeitos de Bonito e Jardim já pedem extensão para a Semana Santa e férias de julho. Com o Pantanal, serras e rios atraindo famílias, Mato Grosso do Sul quer ser o estado onde turismo rima com segurança para os pequenos.

O carnaval 2026 chega com promessa de festa limpa e protegida. Fundtur, trade e população unem forças para que as marchinhas ecoem sem sustos, e as crianças brinquem de verdade, sem medo.

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