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Mato Grosso do Sul, 1 de março de 2024
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Gabinete do ódio’ usava sala no Planalto para produzir mensagens difundidas por Bolsonaro

A PF investiga se Bolsonaro e seus aliados utilizaram a estrutura da Presidência para criar e difundir ataques direcionados a outros Poderes e entidades
Tenente-coronel Mauro Cid em depoimento à CPMI do 8 de Janeiro
Tenente-coronel Mauro Cid em depoimento à CPMI do 8 de Janeiro

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou em delação premiada à Polícia Federal (PF) que três assessores do ex-chefe do Executivo usavam uma sala do Palácio do Planalto para produzir mensagens contra instituições democráticas nas redes sociais. O ex-presidente era responsável por difundir os conteúdos, que eram feitos para inflamar apoiadores, segundo Mauro Cid.

Segundo Mauro Cid, a sala do “gabinete do ódio” ficava no terceiro andar do Planalto, ao lado do gabinete presidencial, onde Bolsonaro despachava. A existência do grupo foi revelada pelo Estadão em 2019.

A PF investiga se Bolsonaro e seus aliados utilizaram a estrutura da Presidência para criar e difundir ataques direcionados a outros Poderes e entidades. Cid citou José Matheus Sales Gomes, Mateus Matos Diniz e Tércio Arnaud Tomaz, três assessores do ex-presidente, como integrantes do “gabinete do ódio”.

FBI encontra provas da ligação de Wassef a pai de Cid no caso Rolex

A Polícia Federal teve acesso às notas fiscais da compra e da venda nos Estados Unidos de relógios recebidos como presentes oficiais pela Presidência da República durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Os dados fazem parte da primeira remessa de informações fornecidas pelo governo americano após pedido de colaboração da Polícia Federal.

As informações, segundo relatos de investigadores ouvidos, corroboram trechos da delação premiada fechada pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Desde que o caso das joias sauditas veio à tona em março deste ano, alguns itens foram reencontrados, como um conjunto da marca Chopard e um relógio Rolex.

Mas a investigação suspeita que outras peças, ainda não divulgadas, tenham sido comercializadas. Não há conhecimento, por exemplo, do paradeiro de um relógio de luxo da marca Patek Philippe.

A defesa de Bolsonaro alega que não houve venda ilegal de joias e que havia o entendimento de que os presentes seriam itens personalíssimos. Portanto, eles não deveriam ser incorporados pelo acervo público.

A Polícia Federal ainda aguarda dados sobre as contas bancárias no exterior de Mauro Cid, do pai dele, o general da reserva Mauro Lorena Cid e de Jair Bolsonaro, bem como documentos sobre os imóveis de familiares do ex-ajudante de ordens.

Segundo relatos feitos, com a confirmação de trechos da delação premiada, a investigação sobre o escândalo das joias pode estar em sua fase final.

O pedido da Polícia Federal foi efetuado por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, do Ministério da Justiça, e inclui o envio de uma equipe da Polícia Federal para efetuar diligências.

A pedido da Polícia Federal, foi autorizada a quebra de sigilo das contas bancárias no exterior de Jair Bolsonaro e do pai do ex-ajudante de ordens, Mauro César Lourena Cid.

A suspeita é de que a conta bancária do general teria sido usada para recebimento de valores relativos a vendas de presentes de alto valor recebidos por agentes públicos brasileiros das autoridades árabes.

No Brasil, segundo os investigadores da Polícia Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou ao menos R$ 4 milhões em movimentações financeiras de recursos no exterior em contas do general no Brasil.

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