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Mato Grosso do Sul, 24 de fevereiro de 2024
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Garganta, boca e estômago no alvo dos efeitos da má alimentação e o consumo dos ultraprocessados e 34 tipos de câncer

Os resultados mostraram que consumir 10% mais ultraprocessados está associado a um risco 23% maior de câncer de cabeça e pescoço e 24% mais elevado de adenocarcinoma esofágico
Imagem: Shutterstock
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Caracterizados por baixo teor nutricional e abundância de gorduras e conservantes artificiais, os alimentos ultraprocessados estão associados a um risco elevado de câncer do trato aerodigestivo superior (boca, garganta e estômago). Os autores do estudo, liderado por pesquisadores da Universidade de Bristol e da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, analisaram dados sobre dieta e estilo de vida de 450.111 adultos, acompanhados por 14 anos. O artigo foi publicado na revista European Journal of Nutrition.

Estudos anteriores já encontraram uma relação entre o consumo dos ultraprocessados e 34 tipos de câncer. Agora, a equipe decidiu investigar se esses produtos, como sorvete industrializado, salgadinho e refrigerante, também estão associados a tumores da cabeça e pescoço e a casos de adenocarcinoma esofágico.

Os resultados mostraram que consumir 10% mais ultraprocessados está associado a um risco 23% maior de câncer de cabeça e pescoço e 24% mais elevado de adenocarcinoma esofágico. O aumento da gordura corporal explicou apenas uma pequena proporção da relação estatística entre esses produtos alimentícios e os tumores do trato aerodigestivo superior.

Gordura

“Os ultraprocessados foram associados ao excesso de peso e ao aumento da gordura corporal em vários estudos observacionais. Isso faz sentido, pois geralmente são saborosos, práticos e baratos, favorecendo o consumo de grandes porções e de um número excessivo de calorias”, explica a principal autora, Fernanda Morales-Berstein, da Universidade de Bristol.

Em seguida, a pesquisadora acrescenta que: “No entanto, foi interessante que, no nosso estudo, a ligação entre a ingestão de ultraprocessados e o câncer do trato aerodigestivo superior não parece ser grandemente explicada pelo índice de massa corporal e pela relação cintura-quadril”.

Os autores sugerem que outros mecanismos poderiam explicar a associação. Por exemplo, os químicos, incluindo emulsionantes e adoçantes artificiais, além de contaminantes das embalagens e do próprio processo de fabricação.

“Salgadinhos, biscoitos e produtos prontos para consumo têm elevadas quantidades de açúcar, gordura, sal e aditivos químicos. Além de favorecerem o excesso de peso, promovem uma dificuldade maior do organismo em metabolizar as toxinas, aumentando a chance de desenvolver câncer”, diz o nutricionista funcional Diogo Cirico.

Segundo George Davey Smith, professor de epidemiologia clínica e diretor da Unidade de Epidemiologia Integrativa da Universidade de Bristol, e coautor do artigo, há a necessidade de entender melhor como essa associação. “Os ultraprocessados estão claramente associados a muitos resultados adversos para a saúde, mas se eles realmente os causam, ou se fatores subjacentes, como comportamentos gerais relacionados com à saúde e à posição socioeconômica, são responsáveis pela ligação, ainda não está claro”, disse, em nota.

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