Mato Grosso do Sul, 14 de julho de 2026
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Globo ficará fora de uma semifinal da Copa do Mundo pela primeira vez em mais de cinco décadas

Exclusividade da CazéTV em um dos confrontos decisivos de 2026 marca uma mudança histórica na disputa pelos direitos de transmissão e mostra a transformação do mercado esportivo no Brasil
Foto: Montagem: Sala de TV
Foto: Montagem: Sala de TV

A reta final da Copa do Mundo de 2026 será marcada por uma mudança inédita para milhões de torcedores brasileiros acostumados a acompanhar o torneio pela televisão aberta. Depois de mais de cinco décadas transmitindo praticamente todas as semifinais da competição, a TV Globo ficará fora de um dos confrontos que definirão os finalistas do Mundial, encerrando uma sequência histórica iniciada ainda no século passado.

A partida entre França e Espanha será exibida com exclusividade pela CazéTV, plataforma comandada pelo influenciador Casimiro Miguel, que garantiu os direitos de transmissão dos 104 jogos da Copa do Mundo de 2026. Já a outra semifinal, entre Inglaterra e Argentina, será exibida tanto pela Globo quanto pela plataforma digital.

A ausência da emissora em uma das semifinais representa um fato histórico. A última vez que a Globo não transmitiu um jogo desta fase aconteceu na Copa do Mundo de 1970, disputada no México. Naquela edição, Brasil x Uruguai e Itália x Alemanha Ocidental ocorreram praticamente no mesmo horário, obrigando a emissora a optar pela transmissão da partida da Seleção Brasileira, que conquistaria posteriormente o tricampeonato mundial.

Desde então, sempre que as semifinais foram disputadas em dias diferentes, a Globo exibiu os dois confrontos para o público brasileiro, consolidando uma tradição que atravessou décadas e diferentes gerações de torcedores.

Nem mesmo as dificuldades impostas pelo calendário e pelos fusos horários em Copas realizadas em países distantes impediram a manutenção dessa cobertura. Durante o Mundial de 1994, realizado nos Estados Unidos, por exemplo, a emissora conseguiu transmitir ambas as semifinais, preservando a cobertura completa da fase decisiva.

O cenário, entretanto, mudou significativamente com o fortalecimento das plataformas digitais no mercado de transmissões esportivas. Nos últimos anos, empresas e criadores de conteúdo passaram a disputar espaço com as emissoras tradicionais, ampliando a concorrência pelos direitos dos principais eventos esportivos internacionais.

A CazéTV tornou-se um dos principais exemplos dessa transformação. Durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022, a plataforma conquistou grande audiência ao transmitir gratuitamente partidas por meio da internet, alcançando milhões de espectadores em plataformas digitais e consolidando um novo modelo de consumo esportivo.

O desempenho expressivo naquele torneio fortaleceu a posição da empresa nas negociações seguintes. Para a Copa de 2026, a plataforma adquiriu os direitos de transmissão de todas as partidas da competição, passando a ocupar posição estratégica na distribuição dos jogos ao público brasileiro.

Dentro do acordo firmado para o torneio, a Globo terá direito à transmissão de 55 partidas. No entanto, a escolha dos confrontos ocorre somente após a definição da CazéTV, que possui prioridade na seleção dos jogos que pretende exibir.

Essa condição contratual explica por que a semifinal entre França e Espanha ficará exclusivamente com a plataforma digital, enquanto Inglaterra e Argentina poderá ser acompanhada também pela televisão aberta.

Especialistas do setor avaliam que a mudança demonstra uma transformação importante no mercado de mídia esportiva. A disputa pelos direitos de grandes competições deixou de envolver apenas emissoras tradicionais e passou a incluir empresas digitais, plataformas de streaming e produtores independentes de conteúdo.

O crescimento desse novo modelo acompanha também a mudança no comportamento do público. Cada vez mais torcedores acompanham partidas utilizando celulares, computadores, tablets e televisores conectados à internet, ampliando a audiência das transmissões digitais.

Ao longo da história das Copas do Mundo, a Globo acumulou diferentes modelos de cobertura. Em algumas edições dividiu espaço com outras emissoras, enquanto em outras conquistou exclusividade na televisão aberta.

A emissora teve exclusividade total na TV aberta nas Copas de 1982, 2002, 2006, 2018 e 2022. Em outras edições, dividiu os direitos de transmissão com concorrentes como SBT, Record, Band, TV Cultura e TV Tupi, que também exibiram partidas do principal torneio do futebol mundial.

Apesar da mudança na cobertura das semifinais, a Globo continuará transmitindo parte significativa da Copa do Mundo de 2026, incluindo jogos da Seleção Brasileira, confrontos da fase eliminatória e outros duelos considerados estratégicos dentro do pacote contratado.

Já a CazéTV amplia ainda mais sua presença no cenário esportivo nacional ao garantir cobertura integral do Mundial, consolidando um movimento que vem alterando a forma como grandes eventos esportivos chegam ao público brasileiro.

A divisão dos direitos evidencia uma nova realidade no mercado de comunicação esportiva. A televisão aberta continua desempenhando papel importante na cobertura da Copa do Mundo, mas passa a compartilhar espaço com plataformas digitais que conquistaram grande alcance e se tornaram protagonistas na transmissão de competições internacionais de grande audiência.

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