Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Golpista se passa por servidor do fórum e idosa perde R$ 31 mil em fraude eletrônica em Campo Grande

Criminosos utilizam informações reais de processo judicial para enganar vítima e outros três golpes registrados no mesmo dia elevam prejuízo para mais de R$ 43 mil
Outros três casos de fraude eletrônica foram registrados nesta sexta-feira
Outros três casos de fraude eletrônica foram registrados nesta sexta-feira

Uma idosa de 77 anos foi vítima de um golpe eletrônico e perdeu cerca de R$ 31 mil após ser enganada por um criminoso que se apresentou como servidor do fórum. O caso foi registrado como fraude eletrônica na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário Centro, em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. A ocorrência integra uma série de quatro registros feitos em um único dia envolvendo crimes virtuais que causaram prejuízo total de R$ 43.149,49 às vítimas.

A abordagem criminosa ocorreu por meio de aplicativo de mensagens. A vítima recebeu contato de um número telefônico com código de área 61, geralmente associado ao Distrito Federal. Durante a conversa, o golpista afirmou ser servidor do fórum e apresentou informações detalhadas sobre um processo judicial real envolvendo a idosa.

O criminoso demonstrou conhecimento específico sobre a ação judicial da vítima, que busca autorização para realização de uma cirurgia. Esse nível de informação contribuiu para que a abordagem parecesse legítima e gerasse confiança na conversa.

Durante o contato, ocorrido no período da tarde, o falso servidor informou que o processo havia sido julgado favoravelmente e que a etapa seguinte exigiria a realização de um procedimento técnico para dar continuidade à liberação da decisão judicial.

Convencida de que estava falando com um funcionário do Judiciário, a idosa seguiu as orientações repassadas pelo golpista. Ele solicitou que fosse instalado no telefone da vítima um aplicativo que permitiria realizar a suposta validação necessária para o andamento do processo.

Sem perceber o risco, a vítima instalou no aparelho um software de acesso remoto. Logo em seguida, realizou uma validação por meio de biometria digital, acreditando tratar-se de um procedimento oficial relacionado ao processo judicial.

Após essa etapa, o controle do celular passou para os criminosos. Em poucos minutos o aparelho foi completamente manipulado à distância e acabou sendo restaurado para as configurações de fábrica, o que impediu a vítima de acompanhar o que estava sendo feito em sua conta bancária naquele momento.

Desconfiada da situação após perder o acesso ao aparelho, a idosa decidiu procurar atendimento em sua agência bancária para verificar possíveis movimentações financeiras. Foi nesse momento que descobriu o prejuízo causado pelo golpe.

Os criminosos utilizaram R$ 4 mil do limite de crédito disponível na conta da vítima e realizaram transferências que somaram aproximadamente R$ 27 mil para contas de terceiros desconhecidos.

Ao constatar as transações não autorizadas, a idosa procurou a delegacia para registrar a ocorrência e informou que pretende representar criminalmente contra os responsáveis. Ela também deverá apresentar extratos bancários, registros das transferências e outras provas que possam auxiliar nas investigações policiais.

Outros três golpes eletrônicos foram registrados no mesmo dia na mesma delegacia, mostrando que criminosos estão utilizando diferentes estratégias para enganar vítimas e obter acesso a dinheiro ou dados bancários.

Em um dos casos, um morador do bairro Jardim Canguru foi vítima de um site fraudulento ao tentar pagar débitos relacionados ao licenciamento e multas de uma motocicleta Yamaha R3 que havia adquirido recentemente.

Ao pesquisar na internet por serviços relacionados ao veículo, ele acabou acessando uma página falsa que imitava sistemas oficiais ligados ao Departamento Estadual de Trânsito e à Secretaria da Fazenda.

Acreditando que estava realizando um procedimento legítimo, o homem efetuou dois pagamentos por meio do sistema Pix, nos valores de R$ 552,65 e R$ 1.473,84. Somados, os pagamentos chegaram a R$ 2.026,49.

Após concluir as transações, ele percebeu que os débitos continuavam registrados como pendentes. Foi então que descobriu que os valores haviam sido transferidos para uma empresa identificada como SEFZ Automotor Fácil Ltda, nome que teria sido criado para confundir usuários com siglas semelhantes às de órgãos públicos.

Outro registro ocorreu no bairro Jardim Monte Líbano. Nesse caso, a vítima recebeu uma ligação por aplicativo de mensagens de pessoas que se apresentaram como representantes de uma instituição filantrópica chamada Retornar, entidade para a qual ela costumava realizar doações.

Durante a conversa, os criminosos afirmaram que a vítima havia sido contemplada com um prêmio de R$ 5 mil. Para liberar o valor, disseram que seria necessário realizar um procedimento técnico por meio de uma videochamada.

Durante a ligação, a vítima foi orientada a seguir instruções no celular e acabou realizando uma transferência via Pix no valor de R$ 775 para uma empresa identificada como Royal Crest.

Já no bairro Vila Planalto, outro golpe utilizou a imagem e o nome de uma advogada real para convencer vítimas de que haviam vencido uma ação judicial contra uma instituição financeira.

Os criminosos afirmaram que o processo havia resultado em uma indenização de R$ 32.219. Para tornar a fraude mais convincente, organizaram uma suposta audiência virtual.

Durante a chamada, um homem se apresentou falsamente como juiz e orientou as vítimas a realizar pagamentos para liberar o valor da indenização. Acreditando na situação, elas efetuaram três transferências via Pix nos valores de R$ 7.998, R$ 400 e R$ 950.

Somadas, as transações chegaram a R$ 9.348. Somente depois as vítimas perceberam que haviam sido enganadas.

Nos quatro casos registrados, as vítimas manifestaram interesse em representar criminalmente contra os autores das fraudes e devem apresentar documentos, comprovantes de pagamento e registros das conversas realizadas com os golpistas.

As ocorrências estão sendo analisadas pelas autoridades responsáveis, que buscam identificar os responsáveis pelas fraudes eletrônicas e rastrear as contas bancárias utilizadas para receber os valores transferidos.

Os registros mostram como criminosos têm utilizado informações reais, páginas falsas e identidades simuladas para aplicar golpes cada vez mais sofisticados, explorando principalmente a confiança das vítimas e o uso de tecnologias digitais para acessar dados pessoais e bancários.

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