O governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), anunciou uma medida emergencial para enfrentar o avanço da violência doméstica no estado. Trata-se do Programa MS Acolhe e Protege, que será executado em caráter extraordinário pela Polícia Civil, permitindo a realização de mais de 1.250 plantões extras além da jornada regular. A iniciativa tem como foco intensificar o atendimento e a investigação de crimes praticados contra mulheres, crianças e adolescentes, especialmente em Campo Grande e Dourados, cidades que concentram o maior número de ocorrências.
A decisão foi tomada diante do aumento expressivo nos registros de violência doméstica, que chegam a uma média de 1.725 ocorrências por mês em Mato Grosso do Sul, segundo dados oficiais da Sejusp. O reforço inclui não apenas o atendimento imediato às vítimas, mas também ações investigativas complexas, como pedidos de medidas protetivas, representações por prisão preventiva, oitivas especializadas, buscas e apreensões, além do acompanhamento de casos que exigem atenção contínua da polícia judiciária.
Os plantões extraordinários serão realizados principalmente na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), em Campo Grande, e na DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher), em Dourados. Outras unidades poderão ser incluídas conforme as demandas locais. Cada plantão terá duração de 12 horas, com pagamento de indenização a servidores que aceitarem o reforço, dentro de um limite orçamentário mensal de R$ 250 mil.
O delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Lupérsio Degerone Lucio, explicou que a medida trará agilidade ao processo investigativo e impacto direto na redução da criminalidade. “O reforço do efetivo nos plantões permitirá maior celeridade na análise dos casos, atendimento qualificado às vítimas e uma resposta mais rápida do estado diante de crimes que, em muitos casos, exigem intervenção imediata para salvar vidas”, afirmou.
O secretário de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, destacou que a ação é estratégica e visa garantir acolhimento especializado em um momento crítico, enquanto avança o concurso público que prevê a contratação de 400 novos policiais civis. “O programa é uma resposta emergencial, mas extremamente necessária. O governo está ampliando a capacidade de resposta e fortalecendo os mecanismos de combate à violência, assegurando que as vítimas recebam proteção e que os criminosos sejam responsabilizados de forma eficiente”, ressaltou.
O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, também reforçou a prioridade do tema dentro do planejamento do estado. “A violência doméstica é uma das principais preocupações da segurança pública e exige uma atuação firme e integrada. Esse é um compromisso de gestão: combater com rigor, mas também trabalhar a prevenção, a articulação com instituições parceiras e o fortalecimento de políticas públicas que evitem a revitimização”, pontuou.
Nos últimos meses, a Polícia Civil já vinha implementando medidas complementares, como a criação de grupos de trabalho especializados para revisar e agilizar processos represados. Desde o início do ano, cerca de 6 mil boletins de ocorrência foram analisados e encaminhados de forma mais eficiente, demonstrando um esforço concentrado para reduzir gargalos e aumentar a efetividade do atendimento.
Outro avanço significativo é a utilização de novas tecnologias de gestão e monitoramento de casos, tanto na capital quanto no interior. O uso de sistemas digitais, bancos de dados integrados e protocolos padronizados está contribuindo para uma resposta mais rápida e coordenada entre as diferentes delegacias e órgãos de proteção.
Além da repressão, o governo também busca ampliar ações de prevenção, conscientização e apoio psicológico, em parceria com instituições de ensino, organizações sociais e órgãos de assistência. Campanhas educativas, palestras em escolas e capacitação de profissionais de saúde e educação estão entre as medidas que visam identificar precocemente situações de risco e oferecer suporte às vítimas.
O Programa MS Acolhe e Protege surge, portanto, como um reforço imediato e estratégico em uma área que exige atenção permanente. A expectativa do governo é que a soma de esforços represente não apenas a redução nos índices de violência, mas, principalmente, a garantia de que vítimas de violência doméstica, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade tenham acesso a um atendimento digno, ágil e eficiente.
#ViolenciaDomestica #DireitosHumanos #JusticaSocial #ProtecaoAoInfantil #SegurancaPublica #CombateAoViolencia #MatoGrossoDoSul #PoliciaCivil #NaoAoViolencia #Acolhimento #RespeitoAVida #GovernoMS