Mato Grosso do Sul, 3 de junho de 2026
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Governo de Mato Grosso do Sul prorroga inscrições do PSA Conservação e fortalece proteção do Pantanal

Programa oferece remuneração a proprietários rurais que preservam vegetação nativa e amplia incentivo ao desenvolvimento sustentável no bioma
Imagem - Luiz Felipe Mendes
Imagem - Luiz Felipe Mendes

O Governo de Mato Grosso do Sul anunciou nesta segunda-feira (18) a prorrogação do prazo de inscrições para o PSA Conservação, subprograma do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Bioma Pantanal (PSA Pantanal), até o dia 15 de setembro de 2025. A decisão foi oficializada por meio de publicação no Diário Oficial do Estado, assinada pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), e tem como objetivo ampliar a participação de propriedades rurais no programa, reforçando o compromisso do estado com a conservação do bioma e com o desenvolvimento sustentável.

O PSA Conservação foi concebido para remunerar proprietários rurais que preservam vegetação nativa além do exigido pela legislação vigente, criando um incentivo econômico direto para práticas de conservação. O programa integra o Pacto pelo Pantanal, a maior iniciativa de conservação aliada ao desenvolvimento sustentável já realizada no Brasil, que prevê investimentos de R$ 1,4 bilhão no bioma, com recursos provenientes de parcerias entre poder público e setor privado. O programa é uma resposta concreta aos desafios ambientais enfrentados pelo Pantanal, incluindo desmatamento irregular, queimadas, degradação de pastagens e impactos sobre a biodiversidade local.

Podem se inscrever proprietários de imóveis rurais localizados dentro dos limites do Bioma Pantanal, desde que estejam cadastrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e sem pendências administrativas ou ambientais. O edital prioriza propriedades que possuam Autorização Ambiental de Supressão de Vegetação Nativa vigente e que desejem cancelá-la, além de propriedades com pecuária bovina ou bubalina com taxa de ocupação superior a 0,1 unidade animal por hectare, e imóveis que não participam de outros programas de incentivo, como PrecoceMS e Carne Sustentável.

A análise das inscrições considera também fatores como áreas de Reserva Legal, corredores ecológicos, zonas de amortecimento, servidões ambientais, Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e ações de prevenção a incêndios, compondo o Índice de Serviços Ambientais (ISA) de cada propriedade. O programa prevê remuneração de R$ 55,47 por hectare/ano de vegetação nativa excedente, com teto de R$ 100 mil por propriedade. Para produtores que cancelarem a Autorização de Supressão de Vegetação, haverá um bônus adicional: de 1 a 30 hectares, R$ 15 mil; de 30 a 100 hectares, R$ 30 mil; e acima de 100 hectares, R$ 30 mil acrescidos do valor proporcional à área excedente.

Os pagamentos abrangem os anos de 2025 e 2026, financiados pelo Fundo Clima Pantanal, criado pela Lei do Pantanal (Lei Estadual nº 6.160/2023) e regulamentado em 2025. O programa é executado pela Fundação Educacional para o Desenvolvimento Rural (FUNAR), que presta suporte integral aos produtores durante todas as etapas, desde a inscrição até o acompanhamento técnico da execução das ações de conservação.

Historicamente, o Pantanal tem enfrentado desafios complexos relacionados à expansão agropecuária, incêndios sazonais e pressão por novos empreendimentos. Dados recentes apontam que áreas desmatadas e queimadas no bioma tiveram aumento nos últimos anos, exigindo estratégias de preservação mais robustas. Nesse contexto, programas de incentivo financeiro, como o PSA Conservação, tornam-se essenciais para garantir que a proteção ambiental esteja alinhada à viabilidade econômica dos produtores, consolidando o conceito de produção sustentável.

Produtores rurais que participam do programa relatam que a iniciativa tem sido decisiva para incentivar práticas de preservação, como o manejo adequado do solo, a manutenção de áreas de vegetação nativa e a proteção de nascentes e cursos d’água. Além disso, destacam a importância do acompanhamento técnico oferecido pela FUNAR, que orienta sobre métodos de monitoramento ambiental e otimização do Índice de Serviços Ambientais (ISA), garantindo maior eficiência e transparência na aplicação dos recursos.

As inscrições devem ser realizadas até 15 de setembro, por meio do formulário online disponível na plataforma Editais Prosas. Dúvidas podem ser esclarecidas nos escritórios da FUNAR ou pelos contatos telefônicos e eletrônicos fornecidos pelo programa, garantindo que todos os produtores tenham acesso a informações detalhadas sobre os critérios de participação, cálculo do pagamento por hectare e avaliação do ISA.

Especialistas em meio ambiente e desenvolvimento sustentável destacam que iniciativas como o PSA Conservação representam um modelo de política pública que alia proteção ambiental à geração de renda, contribuindo para a preservação de ecossistemas frágeis e a redução de impactos negativos da atividade agropecuária. Segundo estudos recentes, a valorização econômica da preservação da vegetação nativa tem potencial para reduzir o desmatamento e estimular práticas agroecológicas em regiões sensíveis, como o Pantanal.

Com a prorrogação do prazo de inscrições, o Governo de Mato Grosso do Sul busca consolidar o PSA Conservação como referência nacional em políticas de incentivo à preservação ambiental, fortalecendo a integração entre produtores rurais, poder público e setor privado. O programa reforça a importância de políticas públicas estratégicas que conciliem desenvolvimento econômico com conservação, oferecendo alternativas viáveis para que o Pantanal permaneça protegido e produtivo ao mesmo tempo.

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