Mato Grosso do Sul, 26 de junho de 2026
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Governo do Brasil define propostas para garantir remuneração mínima e trabalho digno a entregadores de aplicativo

Medidas defendidas pelo ministro Guilherme Boulos estabelecem novo piso por entrega, pagamento adicional por quilometragem e regras mais justas nas entregas agrupadas
Governo Federal vai encaminhá-las como emenda, por considerá-las essenciais
Governo Federal vai encaminhá-las como emenda, por considerá-las essenciais

O Governo do Brasil definiu um conjunto de propostas consideradas prioritárias para melhorar as condições de trabalho dos entregadores que atuam por meio de aplicativos em todo o país. As medidas foram apresentadas pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, e buscam estabelecer parâmetros mínimos de remuneração, corrigir distorções nas plataformas digitais e garantir maior proteção a uma categoria que cresceu rapidamente nos últimos anos.

As propostas deverão integrar o texto de um projeto de lei que já está em análise na Câmara dos Deputados do Brasil. Caso não sejam incorporadas durante a tramitação, o governo pretende apresentá-las como emenda parlamentar, defendendo que as medidas são fundamentais para assegurar renda mínima e regras claras para os trabalhadores.

A iniciativa surgiu após um processo de diálogo com representantes da categoria. Entregadores participaram das discussões que definiram os principais pontos da proposta, levando ao governo reivindicações relacionadas a remuneração, transparência nas tarifas e maior equilíbrio na relação com as plataformas digitais.

Entre as principais mudanças defendidas está a criação de um valor mínimo nacional por entrega realizada. A proposta estabelece que os trabalhadores passem a receber pelo menos dez reais por cada entrega concluída. Atualmente, em muitas plataformas, o valor mínimo pago gira em torno de sete reais e cinquenta centavos.

A proposta também define um mecanismo de pagamento adicional para entregas de maior distância. Quando o trajeto ultrapassar quatro quilômetros, as empresas deverão pagar um valor extra de dois reais e cinquenta centavos por cada quilômetro adicional percorrido. Hoje, em grande parte das plataformas, esse acréscimo gira em torno de um real e cinquenta centavos por quilômetro.

A intenção do governo é garantir que o trabalho realizado pelos entregadores seja remunerado de forma proporcional ao esforço e à distância percorrida. Muitos trabalhadores utilizam motocicletas ou bicicletas e enfrentam jornadas longas em diferentes condições climáticas para cumprir os pedidos feitos pelos consumidores.

Outro ponto central das propostas envolve o funcionamento das chamadas entregas agrupadas. Esse modelo ocorre quando um mesmo entregador realiza várias entregas em sequência dentro de um único trajeto.

No sistema atual, as plataformas costumam cobrar o valor integral do frete de cada cliente que fez o pedido. No entanto, o trabalhador responsável pelas entregas nem sempre recebe o valor correspondente a cada pedido transportado.

O governo considera que essa prática gera desequilíbrio na remuneração e defende a necessidade de correção. A proposta prevê que o entregador seja devidamente remunerado por cada entrega realizada, mesmo quando os pedidos fazem parte de uma mesma rota.

A avaliação dentro do governo é que as mudanças podem trazer maior transparência ao funcionamento das plataformas digitais de entrega, um setor que ganhou enorme expansão com o avanço do comércio eletrônico e dos serviços de entrega de refeições.

Nos grandes centros urbanos do país, milhares de trabalhadores passaram a atuar como entregadores de aplicativo. Muitos deles encontraram nessa atividade uma alternativa de renda diante das dificuldades do mercado formal de trabalho.

Apesar do crescimento da atividade, os trabalhadores frequentemente relatam dificuldades relacionadas à remuneração variável, à ausência de regras claras sobre tarifas e à falta de garantias mínimas em relação à renda obtida por cada corrida ou entrega.

A proposta do governo busca enfrentar essas distorções estabelecendo parâmetros básicos que deverão orientar a atuação das empresas que operam plataformas digitais de entrega.

Outro ponto destacado é que a implementação das novas regras não prevê aumento direto de custos para o consumidor final. A avaliação é que as plataformas já aplicam taxas significativas sobre os restaurantes cadastrados.

Em muitos casos, essas empresas cobram até vinte e oito por cento do valor total de cada pedido realizado. O governo entende que existe margem para reorganização da distribuição desses valores sem necessidade de repasse ao cliente.

As mudanças defendidas pelo governo representam uma tentativa de estabelecer maior equilíbrio entre o avanço da tecnologia nas plataformas digitais e a necessidade de garantir condições mínimas de trabalho para os profissionais que realizam as entregas.

A proposta também busca reconhecer a importância econômica dessa atividade, que hoje faz parte do cotidiano de milhões de brasileiros que utilizam aplicativos para solicitar refeições, compras e outros serviços.

Com o avanço da tramitação do projeto no Congresso Nacional, a expectativa é que o debate resulte em uma legislação capaz de estabelecer regras mais claras para o setor, garantindo remuneração mínima, maior transparência nas tarifas e melhores condições para os trabalhadores que mantêm o funcionamento do sistema de entregas em todo o país.

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