Mato Grosso do Sul, 9 de junho de 2026
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Governo Federal intensifica combate à violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente digital

Medidas integram prevenção, responsabilização e apoio às vítimas, articulando ministérios, forças de segurança e sociedade civil
Medidas articulam prevenção, responsabilização e apoio às vítimas, com integração entre ministérios, órgãos de segurança e sociedade civil
Medidas articulam prevenção, responsabilização e apoio às vítimas, com integração entre ministérios, órgãos de segurança e sociedade civil

O avanço acelerado da tecnologia e a popularização da internet no Brasil ampliaram o acesso à informação e a oportunidades de socialização, mas também abriram um cenário preocupante de riscos e crimes, entre eles a violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente digital. O fenômeno, que assume diversas formas como aliciamento, assédio, pornografia infantil, cyberbullying e exposição não autorizada de imagens tem exigido do poder público ações urgentes, coordenadas e abrangentes.

Nos últimos meses, casos como a denúncia feita pelo influenciador Felca, que expôs a adultização infantil e a circulação indevida de imagens de crianças em plataformas digitais, acenderam o alerta para a gravidade do problema. Em resposta, o governo federal anunciou e ampliou iniciativas voltadas à prevenção, responsabilização e acolhimento de vítimas, buscando uma atuação integrada entre ministérios, órgãos de segurança e sociedade civil organizada.

No âmbito do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA) tem articulado políticas públicas, parcerias institucionais e mobilização social para enfrentar o problema com eficiência. Uma das frentes mais relevantes é o Diagnóstico da Violência Sexual Online de Crianças e Adolescentes, elaborado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O estudo apresenta dados inéditos, mapeia padrões de aliciamento e oferece estratégias preventivas para embasar políticas públicas, além de recomendações práticas para escolas, órgãos de segurança e redes de proteção.

Outra iniciativa de destaque é o Banco de Boas Práticas, disponível no Portal ENDICA, que reúne 55 ações bem-sucedidas de combate à violência sexual digital. As experiências, vindas de diferentes regiões e organizações, incluem campanhas educativas, protocolos de atendimento, capacitação profissional e projetos de mediação escolar.

Para a secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Pilar Lacerda, a regulamentação das plataformas virtuais é imprescindível. “Infância não é conteúdo ou palco para lucro. As plataformas digitais também têm responsabilidade e precisam adotar medidas efetivas de proteção”, afirmou.

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) também atua como peça-chave no processo. Por meio das Resoluções nº 245 e nº 257, estabeleceu princípios e diretrizes para proteção no ambiente digital, que serviram de base para a criação do Comitê Intersetorial para a Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente no Ambiente Digital. O órgão reúne representantes do governo, sociedade civil e especialistas, com foco em políticas de proteção permanentes.

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, reforçou que a legislação vigente já assegura a proteção integral. “O que vale no mundo físico, vale no ambiente digital”, disse, citando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) como base.

Além disso, foi lançado o Guia “Crianças, Adolescentes e Telas”, coordenado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) e produzido em conjunto com outros seis ministérios. O material orienta famílias, educadores e gestores sobre uso seguro da tecnologia, tempo de tela, privacidade, mediação parental e prevenção de riscos.

A legislação também foi reforçada com a Lei nº 14.811/2024, que tipifica bullying e cyberbullying como crimes hediondos em casos de lesão grave ou morte, endurecendo as punições e ampliando a proteção prevista no ECA. Pilar Lacerda alerta que o bullying online muitas vezes abre caminho para crimes de natureza sexual, ressaltando que a nova lei envia uma mensagem clara contra tais condutas.

No campo da investigação, a Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (DCIBER), da Polícia Federal, tem atuado de forma especializada contra crimes digitais. Desde sua criação, já coordenou 409 operações, resultando em 170 prisões em flagrante, 8 prisões temporárias, 37 prisões preventivas e 445 mandados de busca e apreensão, além do resgate de 53 vítimas, muitas delas crianças e adolescentes submetidos a abusos. Parte dessas operações ocorre com apoio de forças estrangeiras, ampliando a eficiência da repressão.

O Disque 100 segue como um dos principais canais de denúncia, operando 24 horas por dia e de forma gratuita, com possibilidade de anonimato. As ocorrências são encaminhadas a conselhos tutelares, Ministério Público, delegacias especializadas e serviços de assistência social. A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos também promove ações presenciais por meio da Ouvidoria Itinerante, ampliando a cobertura de proteção em regiões remotas.

Com a intensificação dessas medidas, o governo busca não apenas punir agressores, mas também criar um ambiente digital mais seguro, reforçando a mensagem de que qualquer violação contra crianças e adolescentes será combatida com rigor e prioridade.

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