Mato Grosso do Sul, 24 de julho de 2026
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Governo intensifica combate ao garimpo ilegal na Terra Yanomami e impõe maior prejuízo já registrado às atividades criminosas

Ações coordenadas resultam na redução de 98% das áreas degradadas, apreensões recordes e criação de estruturas permanentes de proteção e atendimento às comunidades indígenas
Imagem - MDS/Divulgação
Imagem - MDS/Divulgação

A ação integrada do Governo Federal contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami atingiu um marco histórico entre 2023 e 2025, impondo mais de R$ 477 milhões em prejuízos diretos às organizações criminosas que atuavam no território. Coordenadas pela Casa Civil da Presidência da República por meio da Casa de Governo, as operações envolvem órgãos de segurança, fiscalização e assistência social, atuando de forma simultânea para garantir a proteção ambiental e a segurança dos povos Yanomami, Ye’kwana e Sanöma.

Desde a criação da Casa de Governo, em fevereiro de 2024, foram executadas 6.425 ações, que vão desde operações aéreas e fluviais de repressão ao garimpo até o envio de atendimento médico emergencial às comunidades. Um dos episódios mais expressivos ocorreu na semana anterior, com a apreensão de 138 quilos de ouro próximo a Boa Vista (RR), avaliados em R$ 82,2 milhões, segundo a cotação de mercado na data.

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, afirmou que essas operações representam um avanço sem precedentes na defesa das comunidades e na preservação do território. Para ela, o fortalecimento das ações permanentes é fundamental para que o cenário crítico vivido entre 2019 e 2022 não se repita.

O cerco ao garimpo ilegal é estruturado por diversas frentes. Em julho, as áreas degradadas dentro da Terra Indígena Yanomami foram reduzidas em 98%. Até o momento, as forças de combate destruíram 627 acampamentos, 207 embarcações, 101 balsas e 29 aeronaves. Também foram inutilizados 112 mil litros de diesel, 12 mil litros de gasolina e 59 pistas de pouso clandestinas, inviabilizando a logística criminosa.

As chamadas ações-surpresa, como a Operação Asfixia, têm papel estratégico nessa redução. Somente em junho, as equipes registraram mais de 220 horas de voo para localizar, apreender e eliminar estruturas usadas pelos invasores.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, enfatizou que o atual programa de combate corrige anos de abandono e negligência. Segundo ele, o período entre 2019 e 2022 resultou no avanço descontrolado do garimpo, com impactos severos sobre a saúde indígena, o meio ambiente e a segurança das comunidades.

Além da repressão, o Governo Federal investe na presença permanente no território. Estão em fase final de implantação o polo de saúde em Surucuru, o Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana (CRDHYY) e o Centro de Atendimento Integrado à Criança Yanomami e Ye’kwana (CAICYY). Esses espaços pretendem garantir atendimento contínuo e especializado, diminuindo a dependência de ações emergenciais.

O impacto social das medidas já é perceptível. Em regiões antes dominadas pelo garimpo, o plantio de culturas tradicionais foi retomado, fortalecendo a segurança alimentar das aldeias. Lideranças indígenas relatam que a pesca e a caça voltaram a ser possíveis em áreas antes contaminadas pelo mercúrio despejado nos rios.

O histórico recente ajuda a dimensionar o desafio enfrentado. Entre 2021 e 2022, segundo levantamentos da Hutukara Associação Yanomami e da Associação Wanassedume Ye’kwana, mais de 2.400 hectares de floresta haviam sido degradados, sobretudo nas bacias dos rios Uraricoera, Mucajaí, Catrimani e Parima. A presença de acampamentos fixos, pistas clandestinas e balsas mecanizadas transformou o garimpo numa operação de grande porte, com estrutura semelhante à das décadas de 1980 e 1990, antes da desintrusão que permitiu a demarcação da Terra Yanomami.

O cenário, entretanto, começou a mudar com a retomada da fiscalização e a atuação coordenada entre Forças Armadas, Polícia Federal, Ibama, Funai e outros órgãos. As ações buscam não apenas conter o avanço do garimpo, mas criar uma estrutura de proteção duradoura, capaz de preservar o território e garantir a dignidade das comunidades que nele vivem.

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