Mato Grosso do Sul, 17 de junho de 2026
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Governo prorroga vacinação contra HPV até dezembro de 2025 para adolescentes entre 15 e 19 anos

Estratégia nacional busca resgatar jovens que não foram vacinados na idade adequada, reduzir riscos de câncer e fortalecer a saúde pública no Brasil
Mais de 115 mil adolescentes já foram vacinados até o início de setembro
Mais de 115 mil adolescentes já foram vacinados até o início de setembro

O Governo do Brasil decidiu ampliar até dezembro de 2025 a campanha de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), estendendo o público-alvo para adolescentes de 15 a 19 anos. A iniciativa é inédita no Sistema Único de Saúde (SUS) e tem como objetivo alcançar cerca de 7 milhões de jovens que, por diferentes razões, não receberam a vacina entre 9 e 14 anos, idade originalmente indicada para maior eficácia da imunização. A medida integra a estratégia nacional de enfrentamento ao câncer de colo do útero e outras doenças relacionadas ao vírus, reforçando o compromisso do país com a prevenção e a saúde coletiva.

A decisão de prorrogar a campanha surge diante do desafio de ampliar a cobertura vacinal e reduzir os índices de infecção. Segundo o Ministério da Saúde, o HPV é responsável por 100% dos casos de câncer do colo do útero, 90% dos cânceres anais, 70% dos casos de câncer de orofaringe e 40% dos cânceres de pênis. Além disso, o vírus está associado a milhares de novos casos de verrugas genitais por ano, afetando a saúde física e psicológica da população.

Para facilitar o acesso, a vacinação está sendo oferecida em múltiplos espaços: Unidades Básicas de Saúde (UBS), escolas, universidades, ginásios esportivos e até shoppings, em uma estratégia que busca aproximar o imunizante dos jovens e de suas famílias. A ação conta com o apoio dos estados e municípios, que se mobilizam para ampliar a conscientização sobre a importância da imunização.

A campanha já mostra resultados. Até o início de setembro, mais de 115 mil adolescentes entre 15 e 19 anos haviam recebido a dose única. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais lideram os números de adesão, mas o Ministério da Saúde alerta que será necessário intensificar os esforços para alcançar a meta nacional.

O Brasil tem se destacado internacionalmente pela sua cobertura vacinal. Em 2024, atingiu 82% de cobertura entre meninas de 9 a 14 anos, índice muito superior à média global de 37%, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os meninos da mesma faixa etária, o índice chegou a 67%, evidenciando avanços, mas também mostrando a necessidade de atingir os adolescentes mais velhos, agora contemplados pela prorrogação.

Desde 2024, o país passou a adotar a dose única da vacina contra o HPV para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, substituindo o esquema anterior de duas doses. A medida segue recomendações internacionais e visa facilitar o acesso, reduzir custos e garantir maior adesão. Já para pessoas imunocomprometidas, como portadores de HIV/Aids, pacientes oncológicos, transplantados, usuários de PrEP entre 15 e 45 anos e vítimas de violência sexual a partir dos 15 anos, o esquema continua sendo de três doses, em intervalos específicos.

A iniciativa também se insere no compromisso assumido pelo Brasil junto à OMS de eliminar o câncer de colo do útero até 2030 como problema de saúde pública. Atualmente, cerca de 17 mil mulheres recebem diagnóstico dessa doença anualmente no país, e aproximadamente 8 mil morrem em decorrência dela. A vacinação em massa contra o HPV é considerada a principal estratégia para reverter esse cenário, juntamente com o rastreamento regular por meio do exame preventivo Papanicolau.

Especialistas alertam, porém, que a desinformação continua sendo um dos maiores obstáculos à adesão plena. Falsos rumores sobre os efeitos da vacina ainda circulam em redes sociais, dificultando o convencimento das famílias. Por isso, campanhas educativas e informativas vêm sendo intensificadas, com o apoio de profissionais de saúde, professores e entidades da sociedade civil. O foco é esclarecer que a vacina é segura, aprovada por órgãos regulatórios internacionais e utilizada há anos em mais de 100 países.

A OMS e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reconhecem o Brasil como referência na implementação de políticas públicas de imunização. A prorrogação da campanha até 2025 reforça essa posição e coloca o país entre as nações que mais investem em estratégias para a redução de doenças preveníveis.

Mais do que uma política de saúde, a vacinação contra o HPV representa uma medida de justiça social. Ao proteger milhões de jovens brasileiros, o país caminha para reduzir desigualdades, garantir maior qualidade de vida e salvar milhares de vidas que poderiam ser perdidas para doenças evitáveis. O desafio agora é mobilizar famílias, comunidades escolares e lideranças sociais para que a mensagem chegue a todos os adolescentes e jovens que ainda não foram imunizados.

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