As famílias do acampamento Quintino Lira, em Santa Luzia, no Pará, sofrem ameaças e intimidações do fazendeiro Marcos Bengtson. As famílias agricultoras relatam a destruição de seus meios de produção com a derrubada e queima de casas de fornos e roças destruídas nos últimos dias.
“Eles entraram na área e ameaçam destruir nossas roças e nossa casa de farinha, além de ameaças de morte”, denunciam as famílias acampadas.
A fazenda Cambará, hoje rebatizada de acampamento Quintino Lira, é reivindicada pelas famílias desde 2007, junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ao Instituto de Terras do Pará (Iterpa).
O movimento alega que se trata de uma terra pública grilada e que deve ser destinada para fins de reforma agrária. Desde então, os conflitos acontecem envolvendo o gerente da fazenda Cambará, Marcos Bengtson, que é filho de Josué Bengtson, pastor e ex-deputado federal pelo PTB.
Marcos Bengtson é acusado de ter assassinado e torturado o agricultor sem terra José Valmeristo Soares, conhecido como Caribé, em 2010. Um outro trabalhador rural, João Batista Galdino, conseguiu escapar da emboscada. Na ocasião, Marcos Bengtson chegou a ser preso, mas atualmente responde o processo em liberdade.
Em 2021, o acampamento Quintino Lira e comunidades próximas sofreram com a pulverização aérea de agrotóxicos. O crime foi denunciado para as secretarias de saúde e do meio ambiente do município. A situação foi denunciada à Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) pelos trabalhadores rurais.
Pastor evangélico filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Bengston esteve na Câmara dos Deputados por quatro mandatos (entre 1999 e 2007, 2011 e 2018). Muito antes da senadora ganhar projeção nacional enquanto ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no governo de Jair Bolsonaro (PL), o tio foi seu primeiro padrinho político e a empregou como auxiliar parlamentar em seu gabinete no Congresso Nacional.
Na Câmara, ele integrou a oposição aos governos do PT. Em 2016, chegou a votar a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
No último ano de seu mandato, foi alvo de uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) que o condenou por enriquecimento ilícito por desvio dos recursos de saúde do Pará. De acordo com os autos, Bengtson direcionava emendas à municípios em que as licitações eram fraudadas e o dinheiro depositado em sua conta e na conta da Igreja Quadrangular.
O esquema ficou conhecido como “máfia das ambulâncias”. Além da perda de seu mandato, a decisão pediu a inelegibilidade por oito anos e o pagamento de R$ 150 mil em multas.