Mato Grosso do Sul, 26 de junho de 2026
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Guerra na Fronteira: Confronto armado deixa dois mortos e veículos incendiados em Capitán Bado; Vejam vídeos

Em meio a guerra entre facções criminosas, tiroteio na cidade paraguaia vizinha a Coronel Sapucaia termina com a execução de dois foragidos ligados ao narcotráfico e provoca pânico entre moradores
Imagens - Passeando na Fronteira
Imagens - Passeando na Fronteira

Na manhã desta terça-feira, 15 de julho, a cidade de Capitán Bado, no Paraguai, fronteira direta com Coronel Sapucaia (MS), foi palco de mais um episódio violento relacionado à guerra do narcotráfico que domina a região. Um intenso tiroteio entre grupos rivais deixou dois homens mortos em plena luz do dia e resultou na destruição de dois veículos incendiados, um deles atingido pelos disparos e consumido pelas chamas.

O ataque ocorreu na área central da cidade paraguaia, separada do território brasileiro apenas por uma rua. Testemunhas relataram que pelo menos dez homens fortemente armados chegaram ao local, armando uma emboscada contra dois alvos específicos que caminhavam por uma avenida movimentada. Os disparos assustaram comerciantes, moradores e trabalhadores da região, que se abrigaram como puderam enquanto os tiros ecoavam.

Execução a sangue frio em plena luz do dia

As vítimas foram identificadas como Alexi Javier Escurra Rodríguez, de 25 anos, e Sebastian Gonzalez Espínola, de 37 anos. Ambos tinham passagens criminais e estavam foragidos da Justiça. Segundo relatos de moradores e informações de autoridades locais, os dois homens tentaram correr para escapar dos atiradores, mas foram alvejados e caíram mortos em locais distintos da rua. Alexi morreu embaixo de uma árvore, enquanto Sebastian foi atingido em frente a uma borracharia.

Durante a fuga desesperada, um dos veículos utilizados pelas vítimas — uma SUV de cor branca, com placas brasileiras — foi atingido por tiros e pegou fogo. As chamas se alastraram para outro automóvel estacionado próximo, também com placa do Brasil. As imagens que circularam pelas redes sociais mostram o incêndio destruindo os veículos, enquanto curiosos, assustados, se mantinham à distância.

Conexões com o narcotráfico

Alexi Escurra não era um nome qualquer na região. Ele era sobrinho de Felipe “Barón” Escurra, conhecido como um dos maiores fornecedores de maconha para o Brasil e antigo líder do tráfico de drogas no departamento de Amambay, onde está situada Capitán Bado. Felipe Barón chegou a ser preso em 2016 durante uma operação da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas), ocasião em que foram apreendidas armas de grosso calibre, munições e armamento de guerra.

Desde então, Barón está foragido, mas sua influência segue ativa na fronteira. Segundo fontes locais, Alexi teria deixado a prisão recentemente e estaria jurado de morte por grupos rivais ligados ao tráfico. Sua presença em Capitán Bado teria sido denunciada, motivando a ação do grupo que o executou com extrema violência.

Sebastian Gonzalez, o outro morto no tiroteio, também acumulava uma ficha criminal extensa. Estava foragido do regime semiaberto e possuía mandados de prisão em aberto por crimes de homicídio, tráfico de drogas e extorsão.

Episódios recentes elevam clima de tensão na fronteira

O duplo homicídio desta terça-feira ocorre apenas quatro dias após outra execução violenta em Coronel Sapucaia. No último sábado, 11 de julho, Francisco Willams da Silva, de 33 anos, e sua esposa Camila Barros Barboza, de 35, foram mortos a tiros por um pistoleiro ao saírem de uma loja de cosméticos no centro da cidade. Francisco, natural do Ceará, também possuía passagens por tráfico e cumpria pena em regime semiaberto.

A sucessão de mortes violentas em poucos dias evidencia o agravamento da guerra entre facções que disputam o controle do tráfico de drogas na região de fronteira. Capitán Bado e Coronel Sapucaia têm sido palco frequente de execuções, emboscadas e ataques coordenados, com atuação constante de organizações criminosas brasileiras e paraguaias.

Clima de medo e reforço de segurança

Após o tiroteio, forças policiais do Paraguai foram mobilizadas para o local. No Brasil, a Polícia Federal e o DOF (Departamento de Operações de Fronteira) acompanham os desdobramentos, embora os eventos tenham ocorrido oficialmente em território paraguaio. Não há informações sobre prisões até o momento.

Comércio local fechou temporariamente as portas e muitas famílias optaram por não sair de casa. O medo voltou a tomar conta de uma população que já convive com a rotina de violência e a instabilidade causada pela presença constante de facções criminosas transnacionais.

As autoridades brasileiras e paraguaias reforçaram o alerta nas regiões de fronteira, mas reconhecem as dificuldades de monitoramento em uma área com grande circulação, mata fechada e diversas rotas clandestinas utilizadas pelo tráfico.

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