Mato Grosso do Sul, 2 de julho de 2026
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Haddad descarta privatizar os Correios e condiciona apoio a plano de reestruturação consistente

Ministro da Fazenda reforça compromisso do governo Lula com a manutenção da empresa estatal e destaca necessidade de medidas para superar crise financeira
Correios (Foto:Divulgação)
Correios (Foto:Divulgação)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira que não há debate no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a privatização dos Correios. Em entrevista, condicionou o aval do Tesouro Nacional para qualquer apoio financeiro a apresentação de um plano de reestruturação da estatal que seja sólido e consistente, elaborado pela atual diretoria da empresa.

A situação financeira dos Correios permanece crítica, com prejuízo acumulado de R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre de 2025, valor que mais que dobrou em relação ao déficit total de 2024. A estatal enfrenta seu pior momento econômico em uma década, completando 12 trimestres consecutivos com resultados negativos. Segundo Haddad, ele foi informado recentemente do quadro real da empresa e entende que o futuro passa pela ampliação dos serviços postais, com inclusão de soluções financeiras e securitárias.

Nos últimos dias, os Correios aprovaram um plano que prevê um empréstimo de R$ 20 bilhões, garantido pelo Tesouro Nacional, e inclui medidas como um programa de demissão voluntária para cerca de 10 mil funcionários, o que corresponde a aproximadamente 12% do quadro total de empregados. Está previsto também o fechamento de até mil agências deficitárias, além da venda de imóveis que possam gerar receita estimada em R$ 1,5 bilhão.

Haddad destacou que nenhum apoio do governo será concedido sem a aprovação formal do plano de reestruturação pelo Tesouro Nacional, órgão responsável pela autorização financeira das medidas. O ministro revelou confiança na atual gestão da empresa, comandada por Emmanoel Schmidt Rondon desde setembro, e afirmou que o diálogo entre o governo e a diretoria tem sido o melhor possível para buscar soluções eficazes.

O impacto da crise dos Correios também se reflete nas contas públicas federais, obrigando o governo a elevar, de R$ 6 bilhões para R$ 9,2 bilhões, a previsão de déficit das estatais para o ano de 2025. Devido a esse cenário, houve contingenciamento de R$ 3 bilhões em gastos ministeriais para cumprimento da meta fiscal. Analistas indicam que apenas 15% das agências operam com lucro e alertam para perda significativa de competitividade da empresa perante o setor privado de entregas, que detém atualmente cerca de 75% do mercado de encomendas.

A situação dos Correios coloca o desafio da reestruturação e modernização da empresa como imprescindível para garantir sua sustentabilidade financeira e continuidade dos serviços postais essenciais para o país, sobretudo em regiões mais afastadas onde a prestação do serviço privado é limitada.

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