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Mato Grosso do Sul, 19 de maio de 2024
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Homem acusado de matar namorada a tiros é solto por “não oferecer risco”

O juiz Carlos Alberto Garcete decidiu pela liberdade provisória com medidas cautelares, como o uso da tornozeleira eletrônica por seis meses, manter residência fixa, proibição de se aproximar dos familiares da vítima e deixar a cidade
Ewerton na 4ªDP, dez dias após morte de Bruna Moraes Aquino (Foto: Henrique Kawaminami)
Ewerton na 4ªDP, dez dias após morte de Bruna Moraes Aquino (Foto: Henrique Kawaminami)

Preso desde o dia 27 de outubro de 2023 sob suspeita de matar a namorada a tiros, no Jardim Itamaracá, em Campo Grande, Ewerton Fernandes da Silva, 35 anos, conseguiu liberdade provisória, nesta segunda-feira (18). Para a investigação, Ewerton matou Bruna Moraes Aquino, 22, dentro do carro onde o casal estava, no dia 1º de setembro de 2021. Depois, simulou atentado feito por terceira pessoa, até hoje não encontrada.

Para polícia, o atentado citado por Ewerton se trata de uma história fantasiosa. Por outro lado, a defesa sustenta que ele é inocente. Os advogados Lucas Arguelho e Nikollas Pellat afirmam que as provas claramente corroboram com a versão de Ewerton: o casal foi vítima de atentado a tiros.

As audiências sobre o caso começaram e neste ínterim, a defesa pediu a revogação da prisão preventiva, ou seja, que Ewerton fosse solto. O juiz Carlos Alberto Garcete salientou que as testemunhas de acusação já foram ouvidas e a soltura dele não oferece risco ao processo. ‘(…) não há notícia que o acusado tenha ameaçado, ou possa ameaçar, testemunhas do processo’.

Garcete decidiu pela liberdade provisória com medidas cautelares, como o uso da tornozeleira eletrônica por seis meses, manter residência fixa, proibição de se aproximar dos familiares da vítima e deixar a cidade sem autorização prévia da Justiça. A próxima audiência do caso acontece no dia 25 de março, quando serão ouvidas testemunhas de defesa e feito interrogatório de Ewerton.

Entenda 

Conforme o registro policial, no dia 1º de setembro de 2021, Bruna estava com o namorado em um Volkswagen Gol prata, quando um homem, não identificado, usando roupas escuras e capacete, se aproximou do veículo a pé, parou do lado da porta do passageiro e disparou contra o casal.

O namorado de Bruna contou à polícia que percebeu que havia sido atingido de raspão no braço e, logo em seguida, viu a jovem inconsciente, sangrando muito, por isso, acelerou o carro e foi para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário. Segundo o depoimento de Ewerton, foram três ou quatro disparos. Bruna chegou sem vida na unidade de saúde e a polícia foi chamada pelos funcionários da UPA.

Na delegacia, Ewerton disse aos policiais que não sabia quem seria o autor dos disparos, mas contou que três dias atrás, entre os dias 29 e 30 de agosto, ele e Bruna foram perseguidos por dois homens em uma moto, que atiraram contra o carro, depois de confusão em casa noturna na Avenida Ernesto Geisel com a Avenida Salgado Filho.

A polícia passou um ano tentando localizar esse atirador e entender que motivos ele teria para atacar o casal, mas exatamente em 25 outubro de 2022, o delegado Christian Duarte Molinedo, que havia assumido a investigação, decidiu tratar Ewerton como suspeito e registrou isso no boletim de ocorrência.

Testemunhas ouvidas ao longo da investigação disseram que ele tinha o costume de andar armado. Além disso, as informações eram de que o relacionamento do casal era conturbado. As diligências também apontaram que a lesão provocada na mão do autor, na intenção de passar por vítima, não parecia ter sido provocada por tiro vindo de fora do veículo. ‘Bruna foi alvejada por alguém que se aproximou do seu lado do carro, estando em posição vertical, indicando que havia a intenção em matá-la’, descreveu o delegado.

Por fim, o chefe da investigação registrou que não havia sido possível colocar uma terceira pessoa na cena do crime. Desde de outubro do ano passado, o caso, que era investigado como homicídio qualificado com duas vítimas, passou a ser apurado como feminicídio, quando o namorado teve a prisão preventiva pedida pela polícia e aceita pela Justiça.

Para a investigação, o autor pode ter agido motivado ciúmes, posse, queima de arquivo ou vingança. Como não há confissão, a motivação não ficou clara.

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