Mato Grosso do Sul, 17 de julho de 2026
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Investigação revela esquema de tráfico dentro de presídio e policial penal é preso em Campo Grande

Apuração identificou entrada de drogas, balança de precisão, carregadores de celular e outros materiais em unidade prisional; Justiça determinou prisão preventiva do servidor após avanço das investigações
Foto: Henrique Kawaminami
Foto: Henrique Kawaminami

Uma investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) resultou na prisão preventiva de um policial penal de 42 anos, suspeito de integrar um esquema de tráfico de drogas dentro de uma unidade prisional de Campo Grande. O servidor, que recebe salário de R$ 9.906, foi detido após a Justiça acolher o pedido de prisão formulado durante o andamento das investigações, que apontaram fortes indícios de envolvimento na entrada e distribuição de entorpecentes no sistema penitenciário estadual.

A apuração começou após uma ocorrência registrada no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, unidade destinada ao cumprimento de pena em regime semiaberto. O caso teve início quando policiais penais que trabalhavam na unidade perceberam um forte odor característico de entorpecentes vindo do alojamento masculino, situação que despertou suspeitas e levou ao início das diligências internas.

A partir dessa constatação, equipes responsáveis pela fiscalização passaram a analisar imagens captadas pelo sistema de monitoramento da unidade. Segundo as investigações, as gravações mostraram o policial entrando no alojamento carregando uma mochila aparentemente cheia de objetos. Pouco tempo depois, ele deixou o local utilizando a mesma mochila, porém já sem o volume observado anteriormente.

As imagens passaram a ser consideradas uma das principais peças da investigação, pois indicavam comportamento incompatível com as funções desempenhadas pelo servidor dentro da unidade prisional.

Durante as buscas realizadas no alojamento masculino, os policiais encontraram um conjunto de materiais que reforçaram as suspeitas. Em um armário foram apreendidos 4,4 quilos de maconha, aproximadamente um quilo de cocaína, uma balança de precisão contendo vestígios de drogas, 24 carregadores de aparelhos celulares e um caderno contendo anotações consideradas suspeitas pelos investigadores.

Todo o material foi recolhido para perícia, que passou a analisar tanto os entorpecentes quanto os demais objetos encontrados durante a operação.

Segundo o andamento das investigações, as características da mochila utilizada pelo policial eram compatíveis com o volume necessário para transportar os produtos posteriormente localizados no interior da unidade.

Durante os depoimentos prestados à polícia, o policial penal negou qualquer participação no esquema de tráfico de drogas e apresentou uma versão considerada incompatível com os elementos já reunidos durante a investigação.

Os investigadores também identificaram divergências entre as declarações prestadas pelo servidor e os relatos apresentados por testemunhas ouvidas ao longo da apuração.

Outro ponto que chamou atenção foi a recusa do policial em fornecer acesso aos dados armazenados em seu telefone celular. A negativa passou a integrar o conjunto de circunstâncias analisadas durante a investigação criminal.

Com o aprofundamento das diligências e a reunião de novos elementos de prova, a Denar solicitou à Justiça a decretação da prisão preventiva do investigado, além da autorização para realização de busca e apreensão em sua residência e da quebra dos sigilos telefônico e telemático.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul manifestou parecer favorável às medidas cautelares solicitadas, entendendo que os elementos reunidos justificavam o prosseguimento das investigações com maior amplitude.

A Justiça acolheu os pedidos, autorizando o cumprimento das medidas que culminaram na prisão preventiva do policial penal.

Informações levantadas durante a investigação apontam ainda que o servidor já vinha sendo alvo de apurações desde o período em que atuava no município de Ponta Porã. No entanto, o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça está relacionado exclusivamente aos fatos apurados dentro da unidade prisional localizada em Campo Grande.

As investigações também indicam que, mesmo após sua transferência para a Capital, o policial teria continuado com as atividades ilícitas investigadas, passando posteriormente a atuar em outro setor da administração penitenciária.

Após a prisão, o servidor foi colocado à disposição da Justiça para os procedimentos legais previstos, incluindo audiência de custódia.

Em nota oficial, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário informou que a prisão ocorreu após a conclusão de procedimentos investigativos conduzidos com rigor técnico e baseados em provas periciais que confirmaram a vinculação do entorpecente apreendido ao servidor investigado.

A instituição destacou que toda a apuração teve início graças à atuação de policiais penais da própria unidade, responsáveis por identificar a irregularidade, realizar a apreensão do material e comunicar imediatamente os órgãos competentes.

Segundo a Agepen, os procedimentos administrativos e criminais foram instaurados logo após a descoberta dos fatos, permitindo que fossem produzidas provas técnicas utilizadas para fundamentar a responsabilização do investigado.

A agência também ressaltou que mantém mecanismos permanentes de fiscalização, controle interno e investigação, voltados à identificação de qualquer irregularidade praticada dentro do sistema penitenciário estadual.

Ainda conforme o posicionamento institucional, a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul atua de forma independente na apuração de desvios de conduta e não admite qualquer prática criminosa envolvendo seus servidores.

A Agepen afirmou que adota política de tolerância zero para qualquer comportamento incompatível com a legislação e os princípios que regem o serviço público, assegurando que eventuais irregularidades sejam apuradas tanto na esfera administrativa quanto na esfera criminal sempre que houver elementos suficientes para responsabilização.

A instituição reforçou ainda que a conduta investigada representa um caso individual e não reflete o trabalho desenvolvido diariamente pelos policiais penais que atuam no sistema prisional sul-mato-grossense.

As investigações continuam para identificar se outras pessoas participaram do esquema criminoso e para esclarecer toda a dinâmica da suposta distribuição de drogas dentro da unidade prisional, além de verificar se houve participação de outros envolvidos na entrada dos entorpecentes e dos materiais apreendidos.

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