Não foi um crime passional, nem um surto repentino. Foi um ato de brutalidade clara, cometido de forma consciente e covarde dentro da própria casa, por alguém que compartilha o mesmo sangue da vítima. Em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul, Edivaldo Vieira, de 41 anos, assassinou com uma facada no pescoço sua irmã, Juliete Vieira, de 35 anos, durante uma briga iniciada após consumo de bebidas alcoólicas.
O caso, que ocorreu na noite de sexta-feira, 25 de julho, entra para a estatística alarmante de feminicídios no estado, que já soma 19 mulheres mortas em 2025. Mais do que um número, é a comprovação de que a violência doméstica segue sendo uma realidade cruel e recorrente, mesmo quando todos os sinais estão diante dos olhos.
O crime foi registrado por volta das 22h30 na Rua Via Láctea, localizada no bairro Sol Nascente, uma região residencial e normalmente pacata da cidade. Segundo o boletim de ocorrência, vizinhos acionaram a Polícia Militar ao ouvirem gritos e sons de luta vindos da residência dos irmãos.
Ao chegar no local, a guarnição encontrou Edivaldo Vieira sentado no chão, em frente à casa, em estado de aparente choque. Próximo a ele, um homem de 62 anos, também envolvido na confusão, apresentava diversos ferimentos no rosto, braços e mãos. Conforme o relato do idoso, ele tentava intervir e separar a briga entre os irmãos, quando acabou sendo violentamente agredido por Edivaldo.
As informações iniciais dão conta de que os envolvidos passaram horas consumindo bebida alcoólica antes do crime. A discussão teria começado de forma verbal, mas rapidamente escalou para agressões físicas. Em meio ao tumulto, Edivaldo se armou com uma faca e desferiu um golpe fatal no pescoço de Juliete, que caiu imediatamente no chão, deixando uma grande poça de sangue.
O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas, ao chegar, já encontrou Juliete sem sinais vitais. Ela teve morte instantânea em decorrência da profundidade e gravidade da lesão. A cena do crime era marcada por silêncio, consternação e choque entre os poucos vizinhos que se aglomeravam nas redondezas.

Após atendimento médico no hospital local, tanto Edivaldo quanto o idoso ferido foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil para os devidos procedimentos. O autor do feminicídio foi autuado em flagrante.
A morte de Juliete Vieira engrossa uma triste estatística que vem crescendo em Mato Grosso do Sul. Em menos de sete meses, 19 mulheres foram mortas por razões de gênero no estado, a maioria dentro de casa, em meio a relacionamentos familiares ou conjugais marcados por histórico de violência. O crime em Naviraí também evidencia a influência de álcool em ambientes domésticos conflituosos, algo recorrente em casos dessa natureza.
A Polícia Civil segue investigando o caso, ouvindo testemunhas e buscando apurar todos os detalhes da motivação do crime. A faca utilizada foi apreendida e deve passar por perícia.
O bairro Sol Nascente amanheceu neste sábado sob o peso de uma tragédia que interrompeu a vida de uma mulher jovem, vítima não apenas de um golpe fatal, mas de uma estrutura social que ainda falha em proteger suas cidadãs. Vizinhos relataram que, embora não houvesse denúncias formais anteriores, os conflitos entre os irmãos eram frequentes, e discussões intensas já haviam sido presenciadas por terceiros.
Em tempos em que o debate sobre feminicídio ganha cada vez mais urgência, casos como o de Juliete exigem mais do que indignação passageira. Exigem vigilância da sociedade, ação firme das autoridades, acolhimento para as vítimas em risco e políticas públicas que deem respostas reais a essa epidemia de violência doméstica e familiar.
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