Mato Grosso do Sul, 13 de junho de 2026
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Jovem executado e enterrado de cabeça para baixo em “tribunal do crime” tem caso desvendado após operação policial em MS

Investigação aponta acerto de contas ligado a facção criminosa e leva à prisão de suspeitos em Três Lagoas
O corpo do jovem foi encontrado enterrado de cabeça para baixo. (Foto: Alfredo Neto)
O corpo do jovem foi encontrado enterrado de cabeça para baixo. (Foto: Alfredo Neto)

A Polícia Civil avançou na elucidação de um crime brutal que chocou o interior de Mato Grosso do Sul ao cumprir mandados contra suspeitos de participação na execução de um jovem de 18 anos, submetido a um chamado “tribunal do crime” e enterrado de forma cruel em uma área de mata. A vítima, identificada como Kauã Ferreira da Silva, foi morta após uma série de agressões e teve o corpo parcialmente enterrado de cabeça para baixo.

O caso, que permaneceu sob investigação por cerca de dez meses, ganhou novos desdobramentos com a deflagração da Operação Caronte, conduzida pela Polícia Civil em Três Lagoas, município localizado a mais de 300 quilômetros de Campo Grande. A ação teve como foco o cumprimento de mandados de prisão e de busca contra os envolvidos no crime.

As apurações indicam que a execução foi motivada por um acerto de contas relacionado ao envolvimento da vítima com integrantes de facções criminosas. Segundo o levantamento policial, Kauã teria sido submetido a uma espécie de julgamento informal imposto por criminosos, prática conhecida no meio como “tribunal do crime”, em que decisões são tomadas à margem da lei e executadas com violência extrema.

O corpo do jovem foi localizado em uma área isolada, apresentando sinais evidentes de tortura. Exames periciais identificaram afundamento no crânio e na face, além de marcas de enforcamento provocadas por corda. A forma como o corpo foi ocultado chamou a atenção dos investigadores e reforçou a brutalidade da execução.

Durante a operação, um dos suspeitos foi localizado e preso em sua residência. Outro já se encontrava detido na Penitenciária de Segurança Média de Três Lagoas por envolvimento em outros crimes. Um terceiro suspeito apontado nas investigações morreu recentemente, antes do cumprimento das ordens judiciais.

A investigação foi conduzida pelo Setor de Investigações Gerais, que reuniu um conjunto de provas ao longo dos meses. Foram ouvidas testemunhas, analisadas imagens de câmeras de segurança e realizada a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos, o que permitiu mapear a atuação dos envolvidos e reconstruir a dinâmica do crime.

Durante o cumprimento dos mandados, aparelhos celulares foram apreendidos e serão submetidos à perícia técnica. A expectativa é que os dispositivos revelem novas informações sobre a participação de outros possíveis envolvidos, além de detalhar a organização e o planejamento da execução.

O caso evidencia a atuação de grupos criminosos que utilizam métodos violentos para impor controle e punições internas, fora de qualquer estrutura legal. A prática de “tribunal do crime” tem sido alvo constante de investigações por parte das forças de segurança, devido à sua ligação com execuções e desaparecimentos em diversas regiões do país.

Com o avanço das investigações, a Polícia Civil busca agora consolidar as provas reunidas para responsabilizar todos os envolvidos e esclarecer completamente as circunstâncias do crime. O material apreendido e os depoimentos colhidos devem reforçar o inquérito e subsidiar futuras ações judiciais.

A morte de Kauã Ferreira da Silva se soma a outros casos que revelam a violência associada à atuação de facções criminosas, destacando a importância de ações integradas das forças de segurança no combate a esse tipo de prática.

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