Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Justiça coloca tornozeleira em Camillo Zahran por fraudes de R$ 10 milhões em SP

Foragido da Operação Castelo de Cartas terá recolhimento noturno e proibição de bares após juiz revogar prisão; irmão Gabriel se diz inocente
Irmãos foram alvo de operação da Polícia Civil de São Paulo. (Reprodução, Redes Sociais)
Irmãos foram alvo de operação da Polícia Civil de São Paulo. (Reprodução, Redes Sociais)

Camillo Gandi Zahran Georges e João Augusto de Almeida Mendonça, investigados por liderar quadrilha que aplicou golpes financeiros de R$ 10 milhões em São Paulo, tiveram mandados de prisão temporária revogados pela Justiça mediante uso obrigatório de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares rigorosas. O juiz Armando Gossn Costantini, da Vara das Garantias de São José do Rio Preto, entendeu que a apreensão de bens e documentos já garante parte da restituição às vítimas, tornando desproporcional a prisão em flagrante ausência de risco imediato de fuga ou destruição de provas. Camillo, foragido desde final de janeiro, e João Augusto agora cumprem monitoramento 24 horas, recolhimento domiciliar noturno das 22h às 6h e proibição total de frequentar bares, prostíbulos e casas noturnas.

A Operação Castelo de Cartas, deflagrada em janeiro de 2026 pela Polícia Civil paulista, apurou que os irmãos Zahran, herdeiros do tradicional grupo empresarial sul-mato-grossense do setor de gás e energia, criaram empresas de fachada para atrair investidores com promessas de lucros estratosféricos de 15% ao mês. Usando o sobrenome familiar como isca, prometiam aplicações seguras em “terceirizadas do grupo Zahran”, sem qualquer vínculo real com as companhias originais administradas pela família em Campo Grande. Vítimas, em sua maioria pequenos empresários e aposentados de Rio Preto, depositaram R$ 10,2 milhões em contas controladas pelos investigados entre 2024 e 2025, recebendo falsos comprovantes de rendimentos antes do calote geral.

Delegado Fernando Tedd, responsável pelo caso, detalhou esquema clássico de pirâmide financeira disfarçado de investimento em gás natural liquefeito. Camillo coordenava captação de recursos em coffee break de country clubes e eventos empresariais, enquanto Gabriel Gandi Zahran Georges cuidava da logística de transferências para paraísos fiscais via criptomoedas. João Augusto, braço direito operacional, falsificava contratos de prestação de serviços e emitia notas frias de empresas fantasmas registradas em nomes de laranjas. Buscas em Campo Grande e Rio Preto apreenderam R$ 2,8 milhões em joias, carros de luxo, iates e 18 imóveis de alto padrão, além de 47 computadores com rastros de movimentações bancárias internacionais.

Gabriel Zahran, irmão de Camillo e também alvo da operação, foi ouvido e liberado após prestar esclarecimentos, divulgando nota pública se declarando inocente e afirmando que o irmão “prestará contas à Justiça se transgrediu leis”. O empresário destacou apoio de quem aguarda desfecho com isenção, distanciando-se das acusações que mancham três gerações da família Zahran, fundadora do grupo energético que fatura R$ 4 bilhões anuais no Centro-Oeste. Gabriel nega participação em qualquer empresa de fachada e atribui golpes a “episódio lamentável” isolado dos irmãos dissidentes da administração familiar.

As cautelares impostas pelo juiz incluem proibição absoluta de contato com vítimas, testemunhas ou co-investigados, sob pena de prisão imediata. Camillo não pode se ausentar da comarca de Rio Preto sem autorização judicial, enfrenta recolhimento integral aos fins de semana e feriados, além de comparecimento mensal em juízo para justificar gastos. João Augusto cumpre mesmas restrições, tendo entregado passaporte e bloqueado cartões internacionais. A decisão judicial pondera primariedade dos réus, ausência de violência física e recuperação parcial do prejuízo, mas mantém inquérito ativo com oitiva de 127 vítimas identificadas em cinco estados.

O esquema explora credibilidade do sobrenome Zahran, sinônimo de solidez no agronegócio sul-mato-grossense desde 1972. Investidores atraídos por apresentações PowerPoint profissionais depositavam via Pix ou TED em contas de empresas com CNPJ ativo mas sem movimentação real. Rendimentos fictícios pagavam “investidores antigos” com dinheiro novo, sustentando pirâmide por 18 meses até colapso em dezembro de 2025. Ministério Público de São Paulo requer recuperação total dos R$ 10 milhões via leilão de bens penhorados, incluindo jatinho particular de Camillo avaliado em R$ 28 milhões.

Campo Grande vive perplexidade com operação que liga elite econômica local a crimes financeiros interestaduais. Família Zahran oficializou ruptura com os irmãos em comunicado interno, afastando-os de qualquer cargo executivo há dois anos. Vítimas organizam associação para ação coletiva, cobrando agilidade na liquidação de ativos. Justiça monitora criptomoedas transferidas para exchanges estrangeiras, com peritos recuperando R$ 1,4 milhão em Bitcoin congelados. Camillo Zahran, ex-diretor financeiro do grupo familiar, usava jatinho corporativo para reuniões de captação antes do afastamento oficial.

A decisão inaugura modelo híbrido de controle cautelar no Brasil, combinando tornozeleira GPS com restrições sociais para crimes financeiros não violentos. Juiz Costantini cita superlotação carcerária e princípio da proporcionalidade, mas avisa que descumprimento leva prisão imediata. Advogados preveem julgamento em 12 meses, com penas de até 12 anos por estelionato majorado e organização criminosa. Enquanto isso, 127 famílias aguardam devolução de economias de aposentadoria, sonhos de faculdade e reservas de emergência destruídas pelo golpe que usou prestígio familiar como anzol milionário.

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