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Mato Grosso do Sul, 16 de abril de 2024
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Justiça dá nova chance para padrasto acusado de matar Sophia “quebrar silêncio”

O atestado de óbito apontou que a menininha morreu por sofrer trauma raquimedular na coluna cervical (nuca) e hemotórax bilateral (hemorragia e acúmulo de sangue entre os pulmões e a parede torácica)
Christian Leitheim e Stephanie de Jesus, padrasto e mãe de Sophia, Imagem - Juliano Almeida
Christian Leitheim e Stephanie de Jesus, padrasto e mãe de Sophia, Imagem - Juliano Almeida

Após pedido de anulação do processo contra Christian Campoçano Leitheim, de 26 anos, acusado de espancar a enteada Sophia, de 2 anos e 7 meses, até a morte, o juiz Aluízio Pereira dos Santos decidiu dar nova chance ao réu. Ele poderá contar sua versão sobre o que aconteceu no dia 26 de janeiro de 2023 durante interrogatório em juízo. Stephanie de Jesus da Silva, de 24 anos , a mãe da menina, também terá oportunidade de falar.

Christian nunca falou sobre a relação com a enteada e nem sobre o que aconteceu antes de a criança ser levada morta pela mãe até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Campo Grande. Na delegacia, exerceu o direito ao silêncio. Depois, no dia 28 de setembro, quando seriam interrogado em juízo, também recusou-se a responder perguntas por orientação da defesa.

Pereira dos Santos marcou a audiência para ouvir os réus para o dia 5 de dezembro, “considerando, finalmente, que aludido acusado disse nas alegações finais que, agora, pretende falar a este juiz sobre a acusação lhe endereçada porque está ciente de todas as provas contra si produzidas”. “Em sendo assim, decido em dar-lhe nova oportunidade de ser interrogado por Juiz, benefício que estendo também à coacusada pelo mesmo fundamento”, completa o magistrado em despacho.

A defesa de Christian queria a “nulidade absoluta” da ação penal que o cliente responde por homicídio qualificado e estupro de vulnerável. Nas alegações finais, os advogados Pablo Gusmão, Renato Franco, Willer Almeida e Arianne Siqueira argumentam que Polícia Civil e Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) não têm provas que o rapaz foi responsável pela morte da criança e elencam situações que ocorreram no transcorrer do processo que teriam violado os princípios do contraditório e ampla defesa. Um dos argumentos era que o réu havia sido “impedido” de exercer a autodefesa, falando em juízo.

A acusação

Na tarde do dia 26 de janeiro deste ano, a menina deu entrada na UPA do Bairro Coronel Antonino, no norte de Campo Grande, já sem vida. Inicialmente, a mãe, Stephanie, que foi até lá sozinha com a garota nos braços, sustentou versão de que ela havia passado mal, mas investigação médica encontrou lesões pelo corpo, além de constatar que a morte havia ocorrido cerca de quatro horas antes da chegada ao local.

O atestado de óbito apontou que a menininha morreu por sofrer trauma raquimedular na coluna cervical (nuca) e hemotórax bilateral (hemorragia e acúmulo de sangue entre os pulmões e a parede torácica). Exame necroscópico também mostrou que a criança sofria agressões há algum tempo e tinha ruptura cicatrizada do hímen sinal de que sofreu violência sexual.

Para a investigação policial e o MP, a criança foi espancada até a morte pelo padrasto, depois de uma vida recebendo “castigos” físicos. Ele responde por homicídio e estupro. Já a mãe de Sophia, pelo assassinato, como o Christian, mesmo que não tenha agredido a filha, mas porque, no entendimento do MP, ela se omitiu do dever de cuidar. Ambos também foram denunciados pelo crime de tortura.

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