Mato Grosso do Sul, 20 de junho de 2026
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Justiça de MS condena Jamilzinho a 23 anos e seis meses de prisão em regime fechado

Foto: Foto: Henrique Kawaminami
Foto: Foto: Henrique Kawaminami

A Justiça condenou, nesta quarta-feira (19), Jamil Name Filho, 46 anos, a 23 anos e seis meses de prisão em regime fechado por ter sido mandante do assassinato do estudante Matheus Coutinho Xavier. Ocorrido há quatro anos, a brutal execução do universitário aos 20 anos com sete tiros de fuzil foi o estopim da queda do empresário e do pai, Jamil Name, então poderosíssimo empresário, intocável e anfitrião de delegados, juízes, desembargadores, deputados, senadores e até governador do Estado.

A sentença é o desfecho quatro anos após o crime, ocorrido no início da noite de 9 de abril de 2019. A pena vem se somar a outras três condenações de Jamilzinho, que somam 23 anos de prisão na Operação Omertà. Octogenário, Jamil Name acabou não indo a julgamento em decorrência da morte na prisão, em junho de 2021, em, decorrência das complicações da covid-19.

Os jurados concluíram, por maioria, que há provas de que Jamil Name Filho foi o mandante da execução por engano do estudante. O juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, fixou a pena em 23 anos e seis meses de prisão no regime fechado. O empresário vai continuar preso no Presídio Federal de Mossoró. Foram 20 anos pelo homicídio e três anos por posse ilegal de arma de fogo.

Conforme a sentença, Jamil foi condenado por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo. O juiz destacou a crueldade do crime. Ele também apontou que houve a apreensão do arsenal de guerra no casa do Bairro Monte Líbano. Outro ponto foi de que houve a apreensão na casa do empresário de um suporte para dez fuzis, indicando que poderia ter mais armas de fogo de grosso calibre.

O policial Vladenilson Daniel Olmedo, 63, foi condenado a 21 anos e seis meses de prisão. O guarda municipal Marcelo Rios, 46, também foi condenado a 23 anos por homicídio e porte ilegal de arma de fogo.

A importância do julgamento foi enfatizada pelo promotor Moisés Casarotto. “Este julgamento está sendo citado como o ‘julgamento da década’, mas, aqui será julgado umas das famílias mais poderosas de Mato Grosso do Sul, eu diria até do País. O seu Jamil Name também era para estar aqui, mas faleceu. Eles nunca imaginavam que estariam no banco dos réus. Dentro do nosso estado, este é o julgamento mais importante da história de Mato Grosso do Sul”, declarou.

A família tem em sua fortuna milionária diversos imóveis, fazendas, gado, título de capitalização e até o Joquéi Club de Campo Grande, criado e comandado por “Jamilzão”, como também era chamado o patriarca. Em uma das casas da família, na região central de Campo Grande, estava o armamento pesado encontrado com o ex-guarda municipal Marcelo Rios, que foi crucial para desencadear a Operação Omertà.

As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público Estadual, revelou os Name como líderes de uma milícia armada para eliminar quem fizesse frente a real fonte de renda da família, a exploração do jogo do bicho e a agiotagem mediante extorsão.

O promotor Moisés Casarotto, primeiro a se manifestar pela acusação, abriu os trabalhos hoje com a famosa frase: “De picolezeiro a governador. Vai ser a maior matança do MS”, atribuída a Jamil Name Filho, em mensagem interceptada durante a investigação. O texto foi citado mais adiante novamente como foi efetivamente escrito.

“A matilha é minha, eu não morro fácil! Que faça a maior matança de MS. De picolezeiro a governador”, disse Jamilzinho em mensagem a ex-mulher, interceptada pela investigação da Força-Tarefa formada por delegados do Garras e por promotores do Gaeco.

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