O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou otimismo nesta segunda-feira, 27 de outubro, ao afirmar que o Brasil e os Estados Unidos estão prestes a alcançar um acordo definitivo sobre as tarifas comerciais impostas por Washington. Durante coletiva de imprensa concedida em Kuala Lumpur, na Malásia, Lula declarou que as conversas com o presidente norte-americano Donald Trump caminham para um desfecho positivo e que a relação bilateral voltará ao patamar de cooperação e estabilidade econômica.
Lula, que completou 80 anos no mesmo dia, iniciou a entrevista destacando o clima favorável da reunião bilateral. “Tive uma boa impressão da conversa com o presidente Trump. Logo, logo, não haverá problema entre Estados Unidos e Brasil”, afirmou, confiante de que o impasse será resolvido em questão de dias. Segundo o presidente, o diálogo entre os dois países evoluiu de maneira franca e objetiva, afastando o risco de prolongamento da disputa tarifária que vinha afetando setores estratégicos da economia brasileira.
O chefe de Estado explicou que apresentou a Trump um documento contendo os principais pontos da posição brasileira, enfatizando que os Estados Unidos não possuem déficit comercial com o Brasil e, portanto, não haveria justificativa para a taxação dos produtos brasileiros. “Eu não estou reivindicando nada que não seja justo para o Brasil. Tenho do meu lado a verdade mais verdadeira: os Estados Unidos não têm déficit conosco. A lógica da taxação não se aplica ao nosso caso”, declarou Lula, destacando o compromisso do Brasil com práticas comerciais equilibradas.
Questionado por jornalistas se o encontro resultou em promessas concretas, Lula respondeu com ironia e pragmatismo. “Não sou santo para receber promessas. O que o presidente Trump me garantiu é que pretende fazer um acordo de muito boa qualidade com o Brasil”, disse, reforçando a expectativa de que as negociações se traduzam em resultados concretos e duradouros.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmou que as equipes técnicas dos dois países já estão alinhadas para a retomada dos encontros formais. “Nas próximas semanas, acordamos um cronograma de reuniões entre as equipes negociadoras para tratar dos setores mais afetados pelas tarifas. Há disposição mútua para chegar a um entendimento satisfatório”, afirmou o chanceler.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, classificou o andamento das conversas como “espetacularmente positivo”. Segundo ele, a nova fase das negociações se concentra em questões técnicas e comerciais, deixando para trás interferências políticas. “O Brasil solicita a reversão da decisão política tomada. Os aspectos políticos que poderiam existir já não estão mais sobre a mesa. Hoje, tratamos de comércio, e somente de comércio”, observou.
Além das questões comerciais, Lula relatou que a reunião com Trump também abordou temas geopolíticos e ambientais. O presidente brasileiro afirmou ter se colocado à disposição para colaborar em eventuais tratativas com a Venezuela, reforçando a posição pacifista do país. “O Brasil não tem interesse em guerra na América do Sul. A nossa guerra é contra a pobreza e a fome. Não dá para achar que tudo se resolve à base da bala”, disse, em tom firme.
Lula aproveitou ainda para convidar Trump a participar da COP30, conferência climática que será realizada em novembro de 2025, em Belém (PA). O líder brasileiro destacou a importância de um debate aberto, mesmo entre posições divergentes. “Convidei ele para ir à COP e disse: se você não acredita, vá lá dizer o que pensa. Não podemos fingir que não há uma crise climática”, afirmou. A menção remete à decisão anterior de Trump, quando retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, medida que gerou críticas internacionais.
Na coletiva, o governo brasileiro também destacou a importância estratégica das visitas à Indonésia e à Malásia, reforçando a política de diversificação de parceiros comerciais. “O Sudeste Asiático é o epicentro do crescimento global e um polo de inovação tecnológica. É natural que o Brasil amplie suas parcerias nessa região”, explicou Mauro Vieira. Lula acrescentou que o Brasil apoiará a candidatura da Malásia a membro pleno do grupo Brics, fortalecendo o eixo de cooperação Sul-Sul.
Encerrando a coletiva, o presidente comentou sobre seu aniversário e o simbolismo de conduzir o país em um momento decisivo das relações internacionais. “Estou no melhor momento da minha vida. Nunca me senti tão vivo e com tanta vontade de viver”, disse, misturando leveza pessoal e responsabilidade política.
As declarações de Lula indicam um esforço claro de reposicionar o Brasil no cenário global, conciliando diplomacia econômica e pragmatismo político. O governo aposta em uma agenda externa ativa, que busca fortalecer o comércio, atrair investimentos e afirmar o protagonismo brasileiro em questões estratégicas como meio ambiente e integração continental.
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