Na manhã desta terça-feira, 23 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, reafirmando o compromisso do Brasil com o multilateralismo e a necessidade de cooperação internacional para enfrentar os desafios mais urgentes da humanidade. Em um discurso de tom firme e abrangente, Lula destacou que a fome e a pobreza devem ser tratadas como prioridades absolutas e classificou a luta contra esses males como a única guerra em que todos os países podem sair vencedores.
O chefe de Estado brasileiro apontou a desigualdade social como ameaça concreta à paz e à democracia, destacando que a pobreza extrema não apenas fragiliza a estabilidade interna das nações, mas também favorece o avanço do extremismo político e da intolerância. Segundo ele, o cenário internacional exige um novo pacto que reduza os gastos com armamentos e direcione recursos para inclusão social, educação, saúde e sustentabilidade.
Lula aproveitou a tribuna da ONU para cobrar maior representatividade nas decisões globais. Defendeu a ampliação do Conselho de Segurança e a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC), que, segundo ele, perdeu eficácia diante do avanço de medidas unilaterais que desorganizam cadeias produtivas e afetam diretamente a economia mundial. Ao mesmo tempo, voltou a pedir regras claras de tributação global, com maior contribuição dos super-ricos para a redução das desigualdades.
O presidente fez críticas diretas à manipulação das plataformas digitais, que, embora aproximem pessoas, também têm servido de instrumentos para difusão de ódio, desinformação, misoginia e xenofobia. Reforçou que regular o ambiente digital não significa censura, mas uma forma de garantir que os crimes do mundo real sejam igualmente combatidos no meio virtual.
Outro ponto de destaque foi a defesa da democracia no Brasil. Lula citou a resistência das instituições brasileiras frente a ataques recentes ao Estado Democrático de Direito e destacou que o país segue firme como nação soberana. “Nossa democracia é inegociável. Seguiremos livres de tutelas e independentes em nossas decisões”, declarou.
O presidente também falou sobre a América Latina, defendendo diálogo para solução das crises na Venezuela, Haiti e Cuba, e apontou a cooperação regional como essencial para combater o crime organizado transnacional. Em relação aos conflitos armados, Lula ressaltou a necessidade de solução diplomática urgente para a guerra na Ucrânia e criticou a escalada de violência em Gaza, denunciando o risco de desaparecimento do povo palestino.
A abertura da 80ª Assembleia Geral reforçou ainda o papel histórico do Brasil no cenário internacional. Desde 1955, cabe ao país inaugurar os discursos no encontro anual, tradição que se repetiu mais uma vez. O discurso de Lula ocorreu logo após a fala do secretário-geral da ONU, António Guterres, e da presidente da Assembleia, Annalena Baerbock.
Ao encerrar, o presidente brasileiro lembrou figuras de relevância mundial que faleceram em 2025, como o ex-presidente uruguaio José Mujica e o Papa Francisco, ressaltando o legado humanista de ambos. Em tom de reflexão, afirmou que o futuro não pode ser guiado por rivalidades ideológicas, mas pela coragem das escolhas que promovam justiça social, paz e sustentabilidade.
A 80ª Assembleia Geral da ONU marca oito décadas de existência da organização, criada em 1945 para assegurar a paz mundial após a Segunda Guerra. Hoje, a ONU reúne 193 Estados-membros e mantém como tema central desta edição o lema “Melhor juntos: 80 anos e mais para paz, desenvolvimento e direitos humanos”.
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