Mato Grosso do Sul, 21 de julho de 2026
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Lula defende união do Sul Global para redefinir a ordem econômica internacional

Presidente defende união entre países em desenvolvimento, fortalecimento do Brics e novo papel da ONU nas relações internacionais
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os países em desenvolvimento, especialmente os que integram o chamado Sul Global, têm condições de alterar a lógica econômica predominante no cenário internacional. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa ao fim de sua visita oficial à Índia, antes de seguir viagem para a Coreia do Sul.

Lula defendeu que nações emergentes precisam atuar de forma coordenada para ganhar força nas negociações internacionais. Segundo ele, quando países menores negociam isoladamente com grandes potências econômicas, a tendência histórica é de desvantagem. A estratégia, na avaliação do presidente, deve ser a união de economias com características semelhantes para ampliar poder de barganha e reduzir dependências.

Ao citar exemplos como Índia, Brasil e Austrália, Lula afirmou que a cooperação entre países do Sul Global pode gerar um novo equilíbrio nas relações comerciais e financeiras. Para o presidente, há uma herança histórica de dependência tecnológica e econômica que precisa ser superada com investimentos próprios, integração produtiva e valorização de parcerias estratégicas.

No campo econômico, o presidente destacou o papel do BRICS como instrumento de fortalecimento desse novo arranjo global. O bloco, formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, ampliou sua influência nos últimos anos e criou o Novo Banco de Desenvolvimento, voltado ao financiamento de projetos em países membros e parceiros.

Lula afirmou que o grupo deixou de ser marginalizado e começa a ganhar estrutura própria. Ele negou que exista proposta para criação de uma moeda única do Brics, mas reiterou a defesa do comércio entre os países do bloco utilizando moedas nacionais. A medida, segundo ele, busca reduzir custos e diminuir a dependência do dólar nas transações internacionais.

Ao comentar a relação com os Estados Unidos, Lula disse que o Brasil está aberto a parcerias, especialmente no enfrentamento ao crime organizado transnacional e ao narcotráfico. O presidente ressaltou que o crime organizado opera como uma rede internacional e exige cooperação entre polícias e governos. Ele também afirmou que espera manter diálogo direto com o presidente Donald Trump sobre o papel norte-americano na América do Sul.

Lula defendeu que a relação dos Estados Unidos com os países da América do Sul e do Caribe seja baseada no respeito e na cooperação, ressaltando que a região é pacífica e não possui armamento nuclear. Para ele, o foco mundial deve estar na superação da fome, na geração de empregos e na redução da violência.

O presidente também reiterou a necessidade de fortalecer o multilateralismo e ampliar a representatividade da Organização das Nações Unidas. Segundo ele, a ONU precisa recuperar legitimidade e eficácia para mediar conflitos internacionais e evitar decisões unilaterais que impactem a soberania de outros países.

Durante a visita à Índia, Lula manteve encontros com o primeiro-ministro Narendra Modi e com empresários locais. De acordo com o presidente brasileiro, as conversas focaram na ampliação do comércio bilateral e em parcerias estratégicas nas áreas de tecnologia, energia e minerais críticos. Lula voltou a afirmar que o Brasil está aberto a investimentos estrangeiros na exploração de terras raras e minerais estratégicos, desde que o processamento e a agregação de valor ocorram em território nacional.

O presidente defendeu que o país não pode repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima sem transformação industrial. Para ele, o desenvolvimento passa pela industrialização e pela criação de empregos qualificados dentro do próprio Brasil.

Após os compromissos na Índia, a comitiva brasileira seguiu para Seul, onde o presidente será recebido por Lee Jae Myung. A visita prevê a adoção de um Plano de Ação Trienal voltado ao aprofundamento das relações bilaterais e à elevação do nível da parceria entre os dois países.

A agenda asiática reforça a estratégia do governo brasileiro de diversificar parcerias comerciais e ampliar o diálogo com economias emergentes e desenvolvidas da região. Para Lula, o fortalecimento do Sul Global e a construção de alianças equilibradas são caminhos para tornar o sistema internacional mais justo e menos concentrado em poucas potências.

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