O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a colocar o combate à fome no centro do debate nacional ao celebrar um dos resultados mais expressivos de sua atual gestão: a saída de 26,5 milhões de brasileiros da condição de insegurança alimentar grave em apenas dois anos. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10), revelam que o país atingiu o menor índice de fome da série histórica, igualando o patamar registrado em 2013, período em que o Brasil havia sido retirado do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Segundo a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), aplicada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc), a proporção de domicílios em situação de insegurança alimentar grave caiu de 4,1% para 3,2% entre 2023 e 2024. Em termos absolutos, o levantamento mostra que dois milhões de pessoas deixaram a condição de fome em apenas um ano. A melhora se estendeu tanto a áreas urbanas quanto rurais, com redução também nos índices de insegurança leve e moderada.
O relatório destaca ainda que o percentual de lares em segurança alimentar plena aumentou de 72,4% para 75,8%, o que representa 8,8 milhões de pessoas que passaram a ter alimentação adequada e constante. Os avanços foram impulsionados por uma série de medidas integradas de governo, que combinam transferência de renda, incentivo à produção de alimentos, fortalecimento da agricultura familiar e ampliação da cobertura de programas sociais como o Bolsa Família e o Alimenta Brasil.
Durante discurso em São Paulo, Lula reafirmou que o combate à fome segue como uma de suas principais prioridades. “Livramos 26,5 milhões de pessoas do mal da fome. Essa é a maior vitória que um governo pode ter. Minha obsessão é que ninguém mais passe fome neste país, e não descansarei enquanto esse objetivo não for plenamente alcançado”, declarou o presidente.
O Plano Brasil Sem Fome, uma das engrenagens centrais da atual política social, reúne 80 ações e mais de 100 metas com foco em quatro eixos principais: ampliação da renda disponível, fortalecimento da proteção social, estímulo à produção sustentável e mobilização de governos, instituições e sociedade civil. A estratégia também prevê medidas de estímulo à alimentação escolar, compra de alimentos de pequenos produtores e distribuição a famílias em vulnerabilidade.
Lula destacou que o conjunto de políticas em curso retoma e aprimora programas que haviam sido descontinuados em gestões anteriores, comprometendo o avanço social e o acesso à alimentação básica. “Voltamos a investir naquilo que deu certo. O Bolsa Família foi reconstruído, a agricultura familiar voltou a ter apoio e o Brasil recuperou sua capacidade de cuidar do povo. Isso é o que diferencia um país justo de um país desigual”, afirmou o presidente.
Entre 2019 e 2022, o IBGE não aplicou a metodologia da Ebia, mas a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan) estimou, em 2022, que 33,1 milhões de pessoas viviam em insegurança alimentar grave. A comparação entre os dados evidencia uma queda de mais de 12 pontos percentuais desde o início da atual gestão, consolidando o país como referência global no enfrentamento à fome.
Os resultados recentes também garantiram ao Brasil, em julho, a saída definitiva do Mapa da Fome da FAO, após a redução do índice de prevalência de subalimentação a menos de 2,5% da população. A conquista reforça a recuperação da credibilidade internacional do país na área de segurança alimentar e posiciona o Brasil como articulador de novas iniciativas globais.
Na próxima segunda-feira (13), Lula participará da abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2025, principal evento da FAO, em Roma. Na ocasião, o presidente deverá apresentar o balanço das políticas de erradicação da fome e anunciar o lançamento do Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa que terá sede na FAO e escritórios em Brasília, Adis Abeba, Bangkok e Washington.
Criada durante a presidência brasileira do G20, a Aliança já reúne quase 200 membros, entre eles 103 países, e busca acelerar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 1 (Erradicação da Pobreza) e 2 (Fome Zero). “Estamos reconstruindo a imagem do Brasil como um país solidário, que não vira as costas ao seu povo nem aos povos que passam fome no mundo. Esse é o legado que quero deixar”, concluiu o presidente.
Com os novos números e metas em andamento, o governo federal reafirma seu compromisso histórico de transformar o combate à fome em política permanente de Estado, sustentada por justiça social, desenvolvimento produtivo e distribuição de renda.
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