O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender mudanças estruturais que garantam justiça tributária e maior proteção à população de baixa e média renda. Em entrevista concedida à TV Record de Minas Gerais, o chefe do Executivo destacou que o governo vem trabalhando para corrigir distorções históricas, ampliar políticas sociais, estimular o crescimento econômico e reforçar a posição internacional do Brasil em um cenário de tensões comerciais.
“Estamos colocando o pobre no Orçamento e o rico no Imposto de Renda”, sintetizou Lula ao apresentar as diretrizes de sua gestão para promover inclusão social e equilíbrio fiscal. O presidente afirmou que sua prioridade é transformar o país em uma nação de padrão médio de desenvolvimento, com acesso universal à educação de qualidade, saúde eficiente, remuneração digna e políticas que assegurem a redução das desigualdades.
Reforma tributária como marco histórico
Durante a entrevista, Lula ressaltou a importância da reforma tributária, aprovada pelo Congresso Nacional após décadas de tentativas frustradas. O presidente lembrou que o novo modelo entrará em vigor em 2027, trazendo uma simplificação do sistema de impostos e medidas para corrigir distorções na cobrança.
Uma das mudanças mais emblemáticas será a isenção de impostos sobre a cesta básica, incluindo alimentos essenciais como carnes, o que deve aliviar diretamente o orçamento das famílias brasileiras. “Estamos cumprindo uma promessa antiga: tornar a tributação mais justa, onde quem ganha menos não continue arcando proporcionalmente com a maior carga”, disse.
Imposto de Renda e justiça social
Outro ponto central é a proposta de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais. Segundo estimativas do governo, cerca de 10 milhões de brasileiros seriam beneficiados.
Para equilibrar a arrecadação, a União pretende criar uma taxação de até 10% sobre aproximadamente 141 mil contribuintes que possuem rendimentos anuais a partir de R$ 600 mil e que hoje não pagam tributos proporcionais à sua renda. Lula defendeu a medida como uma correção necessária: “Não é justo que um trabalhador simples, de uma comunidade popular, pague o mesmo imposto que grandes empresários e banqueiros”.
Classe média como prioridade
Com o Brasil fora do Mapa da Fome da ONU e registrando os melhores indicadores de emprego dos últimos anos, Lula afirmou que sua principal meta agora é consolidar a classe média como eixo de estabilidade social e crescimento econômico.
“É preciso garantir que os brasileiros possam ter uma vida digna. Isso significa morar bem, estudar em escolas de qualidade, ter acesso à saúde, ao lazer e à cultura. É esse padrão de classe média que queremos construir para milhões de famílias”, declarou.
Relações internacionais e soberania econômica
O presidente também abordou os desafios externos, especialmente as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras. Lula defendeu medidas de proteção à indústria nacional e lembrou que o Plano Brasil Soberano destinou R$ 30 bilhões para apoiar empresas exportadoras impactadas.
Além disso, destacou a missão liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin no México e os esforços de aproximação com a ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), bloco econômico que reúne países com PIB trilionário. Em outubro, Lula visitará a Malásia e a Indonésia em busca de novas oportunidades de comércio e cooperação.
“Nos anos 2000, os Estados Unidos representavam 20% das exportações brasileiras. Hoje, esse percentual caiu para 12%, e cerca de 4% já estão sob novas tarifas. Isso nos obriga a diversificar mercados e ampliar nossa presença em regiões estratégicas”, ressaltou o presidente.
Equilíbrio entre inclusão social e responsabilidade fiscal
Ao longo da entrevista, Lula buscou reforçar a ideia de que inclusão social e responsabilidade fiscal podem caminhar juntas. Segundo ele, a estratégia de colocar o “pobre no Orçamento e o rico no Imposto de Renda” é não apenas um compromisso de campanha, mas também uma necessidade para garantir estabilidade econômica de longo prazo.
O presidente concluiu lembrando que a agenda do governo está voltada para um país mais justo e soberano: “Nós já provamos que é possível gerar empregos, combater a fome, crescer com responsabilidade e, ao mesmo tempo, respeitar a democracia. O Brasil está novamente no caminho certo”.
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