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Mato Grosso do Sul, 12 de abril de 2024
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Maguila recorre a canabidiol para controlar doença degenerativa no cérebro

Parar de lutar nunca foi uma opção para José Adilson Rodrigues dos Santos, o Maguila. Depois de muito tempo nocauteando oponentes pelo mundo, um adversário invisível começou a ameaçá-lo e, deste, ele não podia se esquivar. Há anos sendo golpeado duramente pela Encefalopatia Traumática Crônica, ele encontrou um novo aliado para combater a doença: a medicina canábica, isto é, com substâncias encontradas na planta cannabis, popularmente conhecida como maconha. Com pequenas doses diárias, o campeão parece voltar a ter qualidade de vida naquela que é sua luta mais longa até aqui.

A doença de Maguila, resultado de quase 20 anos de dedicação ao boxe, foi tomando conta da cabeça e se revelando em sinais nada sutis: o campeão dos ringues passou a querer brigar fora deles também. O peso-pesado, que sempre teve o riso fácil como marca registrada, ficara agressivo.

O problema dos rivais invisíveis é que eles não cedem quando o árbitro abre contagem. Nos últimos anos, apesar da doença sem cura ter sido controlada, Maguila ficara ausente, lento, esquecido, preguiçoso e abatido. Com acompanhamento médico especializado, agora, Maguila e sua família celebram os bons resultados do tratamento alternativo com canabidiol.

“Com medicação está mais atento”

Vivendo há três anos no Centro Terapêutico Anjos de Deus, clínica em Itu, no interior paulista, Maguila, atualmente com 62 anos, tem uma rotina regrada e permeada de atividades que remetem ao auge da vida como lutador. Toma café pela manhã, faz fisioterapia, assiste a vídeos de lutas antigas dele mesmo e de colegas de ringue e, claro, proseia. As histórias que mais gosta de contar são da lendária luta contra Evander Holyfield e a amizade com o narrador Luciano do Valle.

Nos últimos tempos, porém, familiares e cuidadores perceberam certa estagnação no tratamento do ex-pugilista, que deixou de lado até mesmo o gosto pelos exercícios e socos em sacos de areia. “A doença tem picos. Tinha semana em que ele estava bem, semana que não. Ele precisa de muita medicação, então ficava mais sonolento, preguiçoso, apático, não queria acordar, sair da cama ou andar”, relata Irani Pinheiro, advogada e esposa de Maguila.

Foi com base nesses relatos e exames clínicos que o neurologista Renato Anghinah, médico de Maguila há mais de oito anos e especialista em concussões cerebrais, sugeriu uma abordagem fitoterápica. “Optamos por entrar com o canabidiol já tem uns dois meses. Não é uma cura, mas traz benefícios no sentido da qualidade de vida. Deixa a pessoa mais tranquila, com uma sensação de bem-estar maior”, explica.

Desde então, Maguila consome diariamente algumas gotas do óleo de canabidiol (CBD) isolado  sem moléculas de THC (tetrahidrocanabinol, que “dá barato”).

Ainda faltam estudos, diz neurologista

Maguila foi diagnosticado com Encefalopatia Traumática Crônica, uma doença degenerativa, progressiva e irreversível, que costumava ser conhecida até os anos 90 como “demência pugilística”. Apesar do nome popular, a condição, que prejudica a memória, a capacidade motora e altera o comportamento, pode afetar atletas de modalidades com constante impacto no crânio.

“O Maguila começou a ter essas alterações com menos de 50 anos. É muito mais um distúrbio comportamental do que de memória, cognitivo”, explica Anghinah. “O canabidiol é uma boa indicação para pacientes que tomam uma quantidade grande de medicamentos e buscam uma melhor qualidade de vida. Não serve para tudo.

As maiores indicações são para epilepsia, autismo, principalmente com alterações comportamentais importantes, dor e ansiedade”, conta Anghinah, que assumiu em 2020 as pesquisas médicas como diretor global da empresa de cannabis medicinal que fabrica a medicação usada por Maguila.

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