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Mato Grosso do Sul, 1 de março de 2024
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Maníaco preso por matar e estuprar mãe e filhas em Mato Grosso não demonstrou arrependimento, diz delegado

Delegado responsável pelo caso afirmou que o indivíduo estava triste apenas “porque tinha sido preso”, e não pelo crime em si
Gilberto disse que a primeira vítima a ser atacada foi a mãe
Gilberto disse que a primeira vítima a ser atacada foi a mãe

O delegado Bruno França, da Polícia Civil de Mato Grosso, afirmou que o homem que confessou ter matado uma mulher e as três filhas dela em Sorriso, no interior do estado, não demonstrou arrependimento durante seu depoimento à corporação.

O caso ocorreu no último dia 24. Cleci Calvi Cardoso, 46 anos, e suas três filhas, de 19, 13 e 10 anos, foram assassinadas dentro de casa pelo pedreiro Gilberto Rodrigues dos Anjos, 32 anos, que trabalhava em uma obra na vizinhança. Além dos homicídios, Gilberto estuprou a mãe e as duas filhas mais velhas.

Segundo o delegado, o pedreiro assumiu os crimes assim que foi confrontado pelos policiais. Ao chegar na delegacia, descreveu os fatos com detalhes.

França diz que o criminoso estava triste apenas “porque tinha sido preso”, e não pelo crime em si. “Existia uma tristeza porque ele tinha sido capturado. Mas ele detalhou tudo sem nenhum remorso”, disse o delegado.

Em seu depoimento, Gilberto disse que a primeira vítima a ser atacada foi a mãe. Após esgorjá-la [degolá-la], a filha [mais velha] acordou, saiu do quarto e foi a segunda vítima. Depois ele pegou a terceira filha [de 13 anos] e também a esfaqueou na garganta. Aí ele inicia uma série de estupros que começou com a mãe, vai para a filha do meio e a filha de 13. E quando ele termina, segundo ele, a gritaria da menina mais nova iria acabar alertando [a vizinhança] e ele opta por matá-la por esganadura”, afirmou o delegado.

Motivação

Aos policiais, o pedreiro negou que tivesse entrado na casa com a intenção de cometer crimes sexuais. “Ele alega que a motivação inicial seria cometer um roubo. E que depois teria mudado de intenção. A Polícia Civil não acredita nessa tese, considerando se tratar de um predador sexual com histórico de violência sexual”, explicou França.

Gilberto já tinha passagem por estupro e latrocínio (roubo seguido de morte). O caso de estupro, segundo a polícia, ocorreu ainda neste ano na cidade de Lucas do Rio Verde, também no interior do Mato Grosso.

“O caso de Lucas do Rio Verde foi exatamente igual: Ele entrou de noite na casa de uma vizinha, como ele fez agora, a estuprou e tentou cortar sua garganta”, informou o delegado. A vítima, porém, conseguiu fugir.

“Ademais, quando nós apreendemos as roupas sujas de sangue no contêiner dele, nós encontramos também a calcinha da menina de 13 anos, que ele levou como lembrança. Então, não há o que se falar em qualquer outra possibilidade que não seja um crime com motivação sexual premeditado”, acrescentou França.

Serial killer

Para a Polícia Civil, não há dúvidas de que Gilberto é um serial killer. “Não temos dúvida de que ele já fez isso antes e que faria novamente”, avaliou o delegado.

“A gente fica feliz de tê-lo pego, porque uma das dificuldades das investigações que envolvem criminosos em série é que o motivo do crime só existe na cabeça dele. Então, é muito difícil identificar quem é, porque é uma pessoa que mata pessoas que sequer conhece, que não tem nenhum tipo de ligação.”

O delegado afirmou que enviou um ofício à polícia de Goiás para obter detalhes sobre o caso que o criminoso cometeu em 2013 na cidade de Mineiros, a cerca de 420 quilômetros de Goiânia.

O objetivo é “ver se é realmente um latrocínio ou se foi um crime semelhante a esse [de Sorriso] e que passou despercebido”.

“A gente espera que, caso tenha acontecido, algum colega [da Polícia Civil] que esteja com um caso semelhante em aberto entre em contato para que a gente possa analisar se se trata do mesmo serial killer ou não”, complementou França.

Na segunda-feira (27), mesmo dia em que os corpos foram encontrados e que Gilberto foi preso, ele foi transferido para um presídio no município de Sinop. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso, ele corria risco de linchamento em razão da grande comoção gerada pelo caso.

Sumiço da família

O caso ocorreu na madrugada de sexta, mas os corpos foram localizados somente três dias depois. Vizinhos chamaram a polícia justamente após desconfiarem do sumiço da família.

No sábado, um dia depois dos assassinatos, o marido de Cleci e pai das meninas, o motorista de caminhão Regivaldo Batista Cardoso mandou uma mensagem para um amigo por estar preocupado com o desaparecimento delas. 

“Rapaz, eu estou desde sexta-feira à noite sem contato com a minha família lá, com a minha mulher, minha filha, cara. Eu já estou ficando preocupado aqui, cara. Eu mando mensagem, não me responde. Eu ligo no WhatsApp, não atende. Eu ligo no telefone normal e vai direto pra caixa de mensagem”, disse Regivaldo.

Regivaldo estava em uma viagem a trabalho quando os crimes aconteceram.

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