Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Mato Grosso do Sul alcança superávit recorde e consolida posição de estado exportador

Com exportações de US$ 8,18 bilhões e importações reduzidas, balança comercial registra superávit de 347 % entre janeiro e setembro de 2025
O cenário reflete a força da produção sul-mato-grossense voltada ao mercado externo
O cenário reflete a força da produção sul-mato-grossense voltada ao mercado externo

Em meio a um cenário global ainda marcado por incertezas comerciais, Mato Grosso do Sul desponta como exemplo de eficiência e resiliência econômica no Brasil. Entre janeiro e setembro de 2025, o estado registrou exportações que somaram US$ 8,18 bilhões e importações de apenas US$ 1,83 bilhão, resultando em um superávit comercial de US$ 6,34 bilhões — uma cifra 10,84 % superior à registrada no mesmo período do ano anterior. O desempenho corresponde a um crescimento de 347 % na balança comercial estadual.

O fenômeno, destacado na Carta de Conjuntura do Comércio Exterior elaborada pela Assessoria de Estatística e Economia da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), reflete dois vetores principais: uma alta moderada nas exportações, de 4,5 %, e uma queda expressiva nas importações, de 12,75 %.

No lado das vendas externas, o protagonismo ficou com commodities estratégicas: a celulose liderou a pauta, respondendo por 29,22 % do valor exportado; a soja, com 25,58 %, aparece em segundo lugar; e a carne bovina, com participação de 15,92 %, reforça a força do setor agropecuário sul-mato-grossense.

Já nas importações, o destaque cabe ao gás natural, com 33,03 % do total, seguido por cobre (8,14 %) e caldeiras de geradores a vapor (6,86 %), itens críticos para usinas e indústria de base.

O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, avaliou o cenário com otimismo: “Podemos destacar a solidez do desempenho de nossas exportações, lideradas pela celulose, seguida de perto pela soja e com participação importante do setor de carnes. Nossa economia está fortemente alicerçada nessas commodities. O superávit aumentou porque tivemos uma diminuição importante nas importações de gás, mas somos essencialmente um Estado exportador. O resultado é bom e era o que esperávamos, considerando o conjunto de indicadores favoráveis”, afirmou.

Uma mudança relevante no ranking de exportações ilustra a evolução da pauta comercial estadual: no ano anterior, a soja liderava com 34,71 % posição que neste ano foi tomada pela celulose. A participação da soja caiu para 25,58 %, enquanto a carne bovina avançou de 11,25 % para 15,92 %. Em contraste, produtos como açúcares e melaços recuaram de 8,31 % para 6,57 %, e farelos de soja caíram de 7,09 % para 4,36 %.

A retração nas importações de gás natural teve impacto decisivo para o resultado positivo. Entre janeiro e setembro de 2024, o estado importou 2.865.750 toneladas de gás da Bolívia, no valor de US$ 874,58 milhões. No mesmo intervalo em 2025, o volume caiu para 2.108.961 toneladas e o valor para US$ 606,14 milhões quedas de 30,69 % em volume e 33,03 % em valor.

Quanto aos mercados compradores, a China mantém-se como principal destino das vendas de Mato Grosso do Sul, com US$ 3,76 bilhões negociados, o que representa leve alta de 1,73 % frente ao mesmo período de 2024 e participação de 46,11 % no total exportado. Os Estados Unidos figuram como segundo parceiro comercial, porém em retração: o valor importado caiu de US$ 471 milhões para US$ 426 milhões, e a participação caiu de 6,02 % para 5,21 %.

Mesmo com esses resultados robustos, um alerta chama atenção: em setembro, o estado exportou US$ 834 milhões em mercadorias, valor inferior ao registrado em meses anteriores, marcando o segundo mês consecutivo de queda nas receitas. O volume importado em setembro atingiu US$ 204 milhões, resultando em um saldo mensal de US$ 204,4 milhões. A China segue como o principal destino das exportações no mês, com cerca de 40,3 % do total.

Os especialistas lembram que esse padrão de superávit extraordinário depende da sustentabilidade da demanda internacional e da estabilidade dos preços das commodities. A dependência de produtos primários também torna o estado mais vulnerável a oscilações externas e à competitividade logística.

Mato Grosso do Sul, com esta performance, reafirma seu perfil exportador e confirma que, mesmo em tempos de volatilidade global, é capaz de sustentar uma balança comercial vigorosa.

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