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Mato Grosso do Sul, 2 de março de 2024
Campo Grande/MS
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Mato Grosso do Sul dá mais um passo para se tornar carbono neutro até 2030, com projeto na agricultura familiar

“Tem que ter um significado econômico para a sociedade, para aqueles que praticam uma atitude que ajude nesse balanço de carbono. É isso que nós estamos fazendo nesse projeto”, pontuou o governador Eduardo Riedel
Foto: Bruno Rezende
Foto: Bruno Rezende

Projeto inovador desenvolvido pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), vai incluir 800 pequenos produtores rurais para implementar e criar áreas de agrofloresta, e ainda garantir o pagamento de crédito de carbono.

“Estamos trazendo sustentabilidade, e a questão econômica para os agricultores familiares. O valor do crédito, 80% vai para o agricultor familiar. É realmente um envolvimento em torno de um único objetivo, que é inserir esses produtores familiares dentro da produção sustentável e com sistemas que vão gerar resultado econômico a partir do crédito de carbono”, disse o governador Eduardo Riedel.

Nos próximos quatro anos, a previsão é de que o projeto contribua na expansão e instalação de agroflorestas em propriedades rurais de todo o Estado. Com estimativa de que cada produtor tenha 2,5 hectares de agrofloresta, totalizando 2 mil hectares até 2027.

A agricultora Carline Yumi Ohi atua em uma propriedade rural que tem 30 hectares e aproximadamente 1,2 já estão em processo de implantação de agrofloresta. Ela acredita que o projeto formalizado hoje (7) pelo Governo do Estado vai contribuir para aumentar a área no sistema já em 2024.

“Eu tenho uma meta de aumentar mais um hectare. O foco é na produção, o início geralmente é com hora, para colonizar a área. E agora já tenho fruticultura. Além disso, participo de outro projeto de crédito de carbono, e já recebi a compensação por 400 árvores que foram mapeadas na minha propriedade”, disse Carline.

Sobre a possibilidade de receber créditos de carbono, ela afirma que projetos e ações como este contribuem para melhoria e expansão de áreas que podem contribuir de forma positiva com o meio ambiente. “Hoje a gente tem a visão da sustentabilidade, no meio rural não tem mais como produzir alimentos de forma a prejudicar o solo. A agrofloresta vem com tecnologia ancestral dos povos originários, uma técnica que regenera o solo. O crédito de carbono veio para o apoio. Agora a gente tem tranquilidade e segurança”, finalizou a produtora.

“Tem que ter um significado econômico para a sociedade, para aqueles que praticam uma atitude que ajude nesse balanço de carbono. É isso que nós estamos fazendo nesse projeto”, pontuou o governador Eduardo Riedel.

Altair Merlo da Silva produtos frutas em dois dos 32 hectares da propriedade rural familiar em Douradina. Ele iniciou o projeto de inserir agroflorestal na área – usada para plantio de grãos – e também a fruticultura após a pandemia. “Depois de muito tempo trabalhando com empresas que produzem soja e milho, após a pandemia de covid eu passei a cultivar da área e me encantei com a fruticultura. Este projeto, para crédito de carbono, é uma novidade muito boa. Temos aí grande oportunidade de levar ao pequeno produtor e é um ganho maior para a natureza”.

Projeto

Mato Grosso do Sul tem como meta, até o ano de 2030, ser um território reconhecido internacionalmente como Carbono Neutro.

O diferencial do projeto formalizado hoje (7) é o pagamento pelo crédito de carbono da agrofloresta, o que é possível por meio de plataforma desenvolvida pela Rabobank Acorn que envolve desde a medição do crescimento da biomassa via tecnologia de sensoriamento remoto e a subsequente comercialização do crédito de carbono à sua rede de clientes internacionais.

A Acorn é um programa desenvolvido pelo Coöperatieve Rabobank U.A. – da Holanda –  para prestar assistência aos pequenos produtores, que desejam otimizar o uso da terra, conciliando preservação ambiental com a produção de alimentos, mediante a adoção de sistemas agroflorestais, com a certificação dos créditos de carbono que são quantificados nas unidades de remoção de carbono (Carbon Removal Units – CRUs).

“No Brasil é o primeiro projeto dessas organizações. E no Mato Grosso do Sul foi onde encontramos colaboração e alinhamento para desenvolver de forma imediata. O objetivo é trazer pequenos produtores da agricultura familiar para participar de projeto de ampliação de área ou criação de 1 a 2,5 hectares de agroflorestal. E vem com pagamento de crédito do que for gerado”, explicou Angélica Rotondaro, representando Acorn, Rabo Foundation e Alimi Impact Ventures.

O desenho da agrofloresta, com arranjo de espécies nativas do Cerrado, como o cumaru e o jatobá – associada a espécies frutíferas -, foi desenhado por professores e pesquisadores da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), em conjunto com a Acorn e a Cooperativa de Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul (Cooperapoms).

O Governo do Mato Grosso do Sul co-investe neste projeto junto com o Rabobank Acorn e a Rabo Foundation e irá colaborar via a disponibilização de assistência técnica, insumos e no apoio no acesso de co-financiamento para a implementação da agrofloresta.

“Esse projeto da agricultura familiar é inovador. A gente sempre teve muita dificuldade em inserir a discussão da agricultura familiar no processo de redução de carbono. Um dos motivos é o custo, pois é extremamente caro fazer identificação e certificação. A gente buscou uma parceria com o Rabobank que vai financiar todo o processo de verificação e certificação. E um ponto fundamental, em sistemas agroindustriais, remunerando o produtor. Neste caso, 80% do valor que comercializar, depois que ele implantar a sua floresta, vai diretamente ao produtor rural”, disse o titular da Semadesc, Jaime Verruck.

O parceiro local responsável pela coordenação da implantação do projeto será a Cooperativa de Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul (Cooperapoms) com sua rede de associados e por meio de cooperativas e associações parceiras no Estado.

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