Mato Grosso do Sul encerrou o período entre janeiro e setembro de 2025 com um dos maiores superávits comerciais de sua história recente. O Estado exportou US$ 8,18 bilhões e importou US$ 1,83 bilhão, acumulando um saldo positivo de US$ 6,34 bilhões, o que representa um crescimento de 10,84% em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho equivale a um aumento de 347% na diferença entre exportações e importações, consolidando a economia sul-mato-grossense como uma das mais sólidas do país em termos de comércio exterior.
Os números refletem não apenas a força do setor produtivo, mas também o momento favorável das commodities no mercado global. Enquanto as exportações registraram aumento de 4,5%, as importações apresentaram retração de 12,75%, impulsionando o superávit. A diminuição das importações de gás natural, principal produto importado pelo Estado, teve impacto direto no resultado, reforçando o perfil exportador de Mato Grosso do Sul.
A estrutura da balança comercial mostra que três produtos se destacam como pilares das exportações estaduais: a celulose, que assumiu a liderança com 29,22% do total vendido ao exterior; a soja, que passou ao segundo lugar com 25,58%; e a carne bovina, cuja participação aumentou significativamente para 15,92%. Esses setores refletem o dinamismo da economia do Estado, que combina o agronegócio, a indústria florestal e o setor de carnes como bases do desenvolvimento econômico.
A celulose, em especial, representa uma mudança estrutural no perfil econômico de Mato Grosso do Sul. A ampliação de fábricas, o aumento da capacidade de produção e a modernização logística têm colocado o Estado entre os maiores produtores e exportadores do insumo no mundo. A soja, tradicional protagonista das exportações, continua sendo um dos motores da economia, com grande influência na geração de receitas, empregos e divisas. Já o setor de carnes mantém crescimento contínuo, beneficiado pelo avanço tecnológico, pelas certificações sanitárias e pela expansão do mercado consumidor internacional.
Nas importações, o gás natural continua respondendo por um terço do total movimentado, mesmo com redução expressiva. Além dele, destacam-se o cobre e as caldeiras de geradores a vapor, utilizados principalmente no setor industrial e energético. Essa composição demonstra que o Estado ainda depende de insumos e equipamentos de alto valor agregado para sustentar sua estrutura produtiva, o que reforça a importância de políticas de industrialização e autossuficiência tecnológica.
Os principais destinos das exportações sul-mato-grossenses continuam sendo a China e os Estados Unidos. O país asiático mantém sua liderança como maior comprador dos produtos locais, principalmente celulose e soja, enquanto os norte-americanos permanecem em segundo lugar, adquirindo volumes significativos de carnes e produtos agrícolas. Essa concentração, entretanto, evidencia a necessidade de diversificação dos mercados, com o objetivo de reduzir a dependência de poucos parceiros comerciais.
O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Jaime Verruck, destacou que o superávit alcançado é resultado direto da eficiência logística, da produtividade agrícola e da expansão industrial, mas ressaltou que é necessário continuar investindo em infraestrutura e inovação. Segundo ele, a economia estadual está fortemente apoiada em três pilares: o agronegócio, a indústria de base florestal e o setor de proteína animal, que têm se mostrado resilientes mesmo diante das oscilações do mercado global.
Mato Grosso do Sul amplia seu protagonismo econômico nacional com desempenho expressivo nas exportações e redução significativa das importações, refletindo a força do agronegócio e da indústria florestal no cenário internacional
O cenário positivo, contudo, exige atenção. Embora o saldo da balança comercial seja expressivo, especialistas alertam para a necessidade de agregar mais valor aos produtos exportados. O fortalecimento de cadeias industriais, o estímulo à pesquisa e à inovação tecnológica e a criação de mecanismos para reduzir custos logísticos são desafios que se impõem para que o Estado avance rumo a uma economia mais diversificada e competitiva.
Mato Grosso do Sul vive, portanto, um momento de afirmação econômica. O superávit recorde demonstra sua capacidade produtiva, sua relevância nas exportações brasileiras e sua inserção estratégica no comércio mundial. O desafio agora é transformar esse desempenho em base sólida para o crescimento sustentável, garantindo que o desenvolvimento alcance todas as regiões do Estado e beneficie de forma ampla sua população.
Acesse AQUI a Carta de Conjuntura com os dados completos sobre o Comércio Exterior de Mato Grosso do Sul no período de janeiro a setembro de 2025.
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