Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Mato Grosso do Sul se consolida como referência nacional no tratamento da fibrose cística com diagnóstico precoce e assistência completa

Rede estruturada, teste do pezinho ampliado e medicamentos inovadores garantem cuidado integral a pacientes com fibrose cística, colocando o Estado como modelo para o Brasil
Teste do pezinho, medicamentos da assistência farmacêutica especializada garantem diagnóstico precoce
Teste do pezinho, medicamentos da assistência farmacêutica especializada garantem diagnóstico precoce

Mato Grosso do Sul se destaca nacionalmente pelo atendimento integral a pessoas com fibrose cística, doença genética grave que compromete principalmente os pulmões e o sistema digestivo. Com rede multiprofissional, assistência farmacêutica especializada e iniciativas de diagnóstico precoce, o Estado se tornou referência em cuidados e tratamento da doença, garantindo qualidade de vida aos pacientes e orientação às famílias.

A fibrose cística é caracterizada por sintomas como tosse crônica, pneumonia de repetição, suor com alto teor de sal, diarreia, dificuldade de ganhar peso e altura, além de baqueteamento digital. A doença exige acompanhamento contínuo e tratamentos específicos, que incluem fisioterapia respiratória, inalações, antibióticos, enzimas pancreáticas, suplementos vitamínicos e moduladores da proteína CFTR — únicos medicamentos que atuam diretamente na causa genética da doença. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza esses moduladores para crianças a partir de seis anos.

O primeiro passo para o cuidado adequado é o teste do pezinho, ofertado pelo SUS, que permite identificar precocemente fibrose cística e outras doenças genéticas graves. Em Mato Grosso do Sul, o teste do pezinho ampliado está em processo de implementação, elevando o número de patologias rastreadas em recém-nascidos de sete para mais de 40, incluindo atrofia muscular espinhal e imunodeficiências primárias. Desde 2001, a fibrose cística integra o rol de doenças rastreadas na triagem neonatal, possibilitando diagnóstico precoce e início imediato do tratamento.

“Graças ao teste do pezinho, conseguimos detectar a fibrose cística ainda nos primeiros dias de vida do bebê. Isso é fundamental para iniciar rapidamente o tratamento e melhorar a qualidade de vida do paciente”, afirma Cristiana Schulz, gerente de Atenção à Saúde da Criança da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Após o rastreio inicial, os pacientes passam pelo teste do suor, considerado padrão ouro para a confirmação do diagnóstico, e são encaminhados ao IPED/APAE, em Campo Grande, onde recebem acompanhamento especializado.

O atendimento é realizado de forma multiprofissional, contando com pneumologistas, gastroenterologistas, geneticistas, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais. Josaine Palmieri, coordenadora técnica do IPED/APAE, destaca que a rede criada pela Resolução SES nº 061/2014 foi determinante para estruturar o cuidado aos pacientes, garantindo também fluxo hospitalar quando necessário. “Mato Grosso do Sul é um exemplo nacional por oferecer um dos elencos mais completos de medicamentos e profissionais para o cuidado da fibrose cística”, ressalta.

Após o diagnóstico, os pacientes recebem medicamentos gratuitamente pela rede pública, conforme protocolos específicos da assistência farmacêutica especializada. Patrícia Veiga Carrilho Olszewski, coordenadora da área na SES, detalha que os pacientes têm acesso a enzimas digestivas, antibióticos, broncodilatadores, anti-inflamatórios e medicamentos modernos como Ivacaftor e a combinação Trikafta® (Elexacaftor + Tezacaftor + Ivacaftor), que atuam diretamente na causa genética da doença.

Além do tratamento médico, o Estado garante suporte e acolhimento às famílias. A primeira-dama Mônica Riedel recebeu representantes da Associação Sul-mato-grossense de Fibrose Cística, que acompanha pacientes em 22 municípios. A presidente da entidade, Nelcila da Silva, atua há mais de 15 anos na defesa dos direitos dos fibrocísticos. A diretora social da associação, Heindnea Masselink, mãe de um jovem diagnosticado com a doença, ressalta que informação e orientação são fundamentais para a adesão ao tratamento. “Fiz um propósito com Deus que enquanto ele der saúde ao meu filho, vou continuar ajudando outras famílias para que o tratamento seja contínuo e eficaz”, afirmou.

Angélica Segatto Congro, superintendente de Atenção à Saúde da SES, reforça que o trabalho integrado entre governo, associações e serviços de saúde visa garantir diagnóstico precoce, tratamento contínuo e apoio às famílias, assegurando dignidade e qualidade de vida aos pacientes. Atualmente, 49 pessoas com fibrose cística recebem acompanhamento especializado em Mato Grosso do Sul.

A rede de cuidados estruturada no Estado serve como modelo para o Brasil, mostrando que a combinação de diagnóstico precoce, equipe multiprofissional, medicamentos inovadores e suporte às famílias pode transformar a vida de pacientes com doenças genéticas graves.

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